7 maneiras de entender a psicologia

novembro 16, 2019
Existem tantas maneiras de entender a psicologia quanto há formas de conceber o comportamento humano. Neste artigo, falamos sobre sete abordagens que podem ajudá-lo a alcançar essa compreensão.

Há muitas formas de conceber o comportamento humano, muitos planos a partir dos quais analisá-lo. Portanto, há praticamente o mesmo número de maneiras diferentes de entender a psicologia, que é a disciplina que busca a explicação dos processos da mente e de sua expressão comportamental.

Como é possível, diante de tamanha variedade de perspectivas, conseguir uma certa unanimidade quando se trata de dar sentido ao comportamento?

Os psicólogos utilizam várias perspectivas ou abordagens ao estudar como as pessoas pensam, sentem e se comportam. Seja qual for a abordagem, o objeto de estudo é invariável e as conclusões não costumam ser muito distantes umas das outras. Aqui, vamos apresentar algumas dicas para ajudá-lo na busca por essa compreensão.

Alguns pesquisadores se focam em uma escola específica de pensamento. Outros, pelo contrário, adotam uma abordagem mais eclética que incorpora múltiplos pontos de vista. Nesse sentido, não há uma perspectiva única que seja melhor do que outra por definição. Simplesmente, cada uma enfatiza diferentes aspectos do comportamento humano.

“Suponho que seja tentador tratar tudo como se fosse um prego quando a única ferramenta que se tem é um martelo”.
-Abraham Maslow-

Formas de entender a psicologia

Diferentes formas de entender a psicologia

No que se refere à psicologia, uma abordagem é uma perspectiva que implica certas premissas sobre o comportamento humano, por oposição a outras premissas diferentes, usadas por outras escolas. Pode haver várias teorias diferentes dentro de uma mesma corrente, mas todas compartilham certas raízes quando são englobadas sob a mesma escola.

Algumas das abordagens atuais mais importantes das quais a psicologia dispõe para entender o comportamento humano são:

  • Comportamental.
  • Cognitiva.
  • Biológica.
  • Psicodinâmica.
  • Humanista.
  • Evolucionista.
  • Sociocultural.

A seguir, vamos rever em que consiste cada uma delas:

Abordagem comportamental

O behaviorismo é diferente da maioria das outras abordagens porque vê as pessoas – e também os animais – como seres “controlados” pelo seu ambiente. De maneira específica, para o behaviorismo, somos o resultado do que aprendemos em função de estímulos, reforçadores e associações.

Assim, o behaviorismo estuda como os fatores ambientais (estímulos) afetam o comportamento observável (resposta).

A abordagem comportamental propõe dois processos principais por meio dos quais as pessoas aprendem com o ambiente ao redor: o condicionamento clássico e o condicionamento operante. O condicionamento clássico está refletido no experimento de Pavlov e o operante nos de Skinner.

De acordo com a abordagem comportamental, só se deve estudar o comportamento observável porque é o único suscetível de medição. De fato, o behaviorismo rejeita a ideia de que as pessoas têm livre arbítrio, já que defende que o ambiente determina todo o comportamento.

Abordagem cognitiva

A abordagem cognitiva gira em torno da ideia de que se quisermos saber o que faz as pessoas funcionarem, é preciso descobrir o que opera em suas mentes.

Por isso, essa forma de entender a psicologia foca em analisar os processos mentais. Em outras palavras, a partir da perspectiva cognitiva, os psicólogos estudam a cognição – ou seja, o ato ou o processo mental por meio do qual se adquire o conhecimento.

Assim, a abordagem cognitiva se ocupa das funções mentais, como a memória, a percepção, a atenção… De certa forma, sendo uma metáfora superada, mas válida para termos uma ideia, o cognitivismo considera que as pessoas são semelhantes aos computadores na forma de processar as informações.

Mulher segurando nuvem

Abordagem biológica

A abordagem biológica explica o comportamento com base na genômica subjacente. É o estudo de como os genes afetam o comportamento das pessoas. A partir dessa forma de entender a psicologia, acredita-se que a maior parte do comportamento é herdada e tem uma função adaptativa.

A abordagem biológica se baseia nas relações entre o comportamento e os mecanismos cerebrais que o sustentam. Assim, busca as causas do comportamento na atividade dos genes, do cérebro e dos sistemas nervoso e endócrino. Ou seja, na interação de todos esses componentes.

Assim, os psicobiólogos se concentram nos efeitos do corpo sobre o comportamento, os sentimentos e os pensamentos. Desse modo, tentam entender como a mente e o corpo trabalham juntos para criar emoções, lembranças e experiências sensoriais.

Abordagem psicodinâmica

Falar de abordagem psicodinâmica é falar de Sigmund Freud, que elaborou os princípios psicodinâmicos ao observar que a psique de alguns de seus pacientes era governada por seu subconsciente. O fato é que os psicólogos psicodinâmicos ou psicanalistas enfatizam o papel das forças e dos conflitos internos do comportamento.

Assim, os atos humanos surgiriam de instintos inatos, impulsos biológicos e tentativas de resolver conflitos entre as necessidades pessoais e as exigências impostas pela sociedade.

A abordagem psicodinâmica propõe que os acontecimentos da nossa infância podem ter um impacto significativo no nosso comportamento como adultos.

Desse modo, nosso comportamento é determinado pela mente inconsciente e as experiências da infância, visto que as pessoas, de acordo com essa abordagem, têm pouca vontade de tomar decisões.

Um aspecto importante da psicanálise como escola é a teoria do desenvolvimento psicossexual de Freud. Essa teoria mostra como as experiências precoces afetam a personalidade adulta e propõe que o estímulo das diferentes áreas do corpo é importante à medida que a criança progride por meio das etapas do desenvolvimento.

Essa teoria postula que muitos problemas do adulto derivam de uma ‘fixação’ da criança em seu desenvolvimento psicológico e sexual.

Abordagem humanista

A abordagem humanista enfatiza o estudo da pessoa como uma entidade completa e integrada. Os psicólogos humanistas observam o comportamento humano não apenas através dos olhos do observador, mas através dos olhos do próprio indivíduo, levando em consideração a confluência de todas e cada uma de suas esferas vitais.

A partir dessa maneira de entender a psicologia, acredita-se que o comportamento de um indivíduo está conectado a seus sentimentos internos e à imagem de si mesmo.

A perspectiva humanista foca na ideia de que cada pessoa é única e individual, e tem a liberdade de mudar em qualquer momento de sua vida.

Essa visão sugere que todos somos responsáveis pela nossa própria felicidade. Portanto, contamos com a capacidade inata de autorrealização, que faz referência ao nosso desejo de desenvolver nosso potencial.

Mulher grata pela vida

Abordagem evolucionista

Na abordagem evolucionista, o cérebro – e, portanto, a mente – evoluiu para resolver os problemas encontrados por nossos antepassados caçadores-coletores durante a época paleolítica, há mais de 10.000 anos.

Nesse sentido, essa corrente explica o comportamento em termos das pressões seletivas que dão forma ao comportamento ao longo do processo de evolução natural. 

De acordo com a perspectiva evolucionista, o comportamento observável se desenvolveu porque é adaptativo e, nesse sentido, se assemelha à abordagem biológica. De acordo com essa teoria, nosso comportamento foi selecionado de forma natural. Ou seja, os indivíduos melhor adaptados são os que sobrevivem e se reproduzem.

Essa forma de entender a psicologia sugere que o comportamento é moldado por tendências e disposições inatas.

Os comportamentos podem, inclusive, ser selecionados sexualmente. Nessa linha, as pessoas que têm mais sucesso em obter acesso a recursos sexuais deixariam uma maior descendência.

Devido a isso, suas características se tornarão mais presentes com o tempo e, portanto, a mente estaria equipada com instintos que permitiram aos nossos antepassados sobreviver e reproduzir.

Assim, a abordagem evolucionista foca em determinar a importância relativa dos fatores genéticos e a experiência em relação aos aspectos específicos do comportamento.

Abordagem sociocultural

Por fim, a abordagem sociocultural estuda como a sociedade e as culturas afetam o comportamento e o pensamento. Ou seja: fundamenta-se nas influências culturais e sociais que rodeiam as pessoas, e na maneira como influenciam ou impactam a sua maneira de agir ou pensar.

Nessa perspectiva, a cultura é um fator determinante no comportamento humano. Por isso, estuda as diferenças que existem entre as distintas sociedades e, para isso, examina as causas e as consequências dos comportamentos dos habitantes de diferentes países. Realiza suas interpretações considerando o meio cultural do indivíduo.

A abordagem sociocultural defende que a cultura e a mente são inseparáveis, visto que se constroem mutuamente. Por isso, concentra-se nas interações que ocorrem entre pessoas e ambiente.

Ryle, G. (2005). El concepto de lo mental. Barcelona: Ed. Paidós.