Sua mente precisa de um comandante, não de um soldado

Sua mente precisa de um comandante, não de um soldado

março 21, 2017 em Psicologia 1839 Compartilhados
Sua mente precisa de um comandante, não de um soldado

Às vezes nossa mente pode ser como uma verdadeira prisão. Os próprios pensamentos se transformam em inimigos implacáveis chegando até a deixar que o estresse e a ansiedade devorem projetos, esperanças e forças. Assumir o controle dos nossos processos mentais faz parte da arte da sobrevivência, da qualidade de vida e da liberdade.

Algo que estamos muito acostumados a ouvir é que a mente não é um copo a ser preenchido, mas sim uma lâmpada que acende, ou até mais, que é como um paraquedas, que só funciona quando somos capazes de abri-lo. Estamos acostumados a ler e a ouvir esse tipo de terminologia, onde, no final, chega-se a acreditar que a mente tem um interruptor que deveríamos apertar para começar a “trabalhar” de forma otimizada.

Precisamos entender algumas ideias. A mente não é uma entidade única, não há interruptores e também não existem pessoas que nascem com uma “mente mais forte” e, portanto, mais adequada para adaptar-se a qualquer dificuldade. O que existe são os processos mentais. É como uma complexa floresta de dimensões cognitivas e afetivas que sofrem altos e baixos, momentos de crise, estágios de crescimento e momentos de desafio.

Podemos imaginar a mente como um navio que avança através de um mar que oscila entre a calma e a tempestade. Se somos simples clandestinos escondidos no porão, esse navio irá à deriva. No entanto, o bom comandante não se limita apenas a tomar o leme. Quem tem o controle do barco é conhecedor de múltiplas técnicas de navegação para lidar com esse mar agitado e com esse temporal.

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Compreender os processos da própria mente antes de exercer o controle

Todos nós já tivemos em nossas mãos muitos livros de autoajuda ou de gestão da mudança onde nos convidam a tomar o controle da nossa mente ou ser mais positivos. Agora, é preciso entender que não é certo tentar dominar algo sem primeiro saber como funciona. É como incentivar uma pessoa com depressão a ser mais otimista. Estas abordagens nem sempre são úteis porque a mente é complexa, é delicada e, ainda mais, é teimosa.

O livro “Manual para regulação emocional” do Instituto de Neurociência Cognitiva de Massachusetts, oferece uma abordagem cognitiva e neurocientífica muito útil e ao mesmo tempo simples de entender para esses processos. Em primeiro lugar, fazem uma metáfora simbólica sobre esses momentos em que a mente funciona como nosso pior inimigo: é como um espinheiro envenenado que emerge do nosso subsolo emocional invadindo tudo. Apagando a luz.

São instantes em que começamos a implementar estratégias de resolução problemas ineficazes, surgem o esgotamento mental, os pensamentos obsessivos-negativos e a falta da autorregulação emocional. Como podemos ver, são múltiplos processos que moldam um “todo” que pouco a pouco podem se tornar cativos. Esse espinheiro envenenado ocupa todos os cantos e nos empurra para baixo. Não há nenhum uso em nos dizer para sermos positivos, porque nesses instantes vitais nós estamos justamente confrontados com a positividade.

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Como nos transformar em comandantes da nossa própria mente

Todos nós fomos educados e até mesmo convencidos de que somos entidades livres feitas para crescer, para alcançar os nossos sonhos e ser os verdadeiros protagonistas da nossa felicidade. No entanto, pouco a pouco vamos percebendo que o mundo vai nos dando muitos baques, e mais ainda, que nós também temos certas limitações pessoais que nos impedem de crescer e levar uma vida mais plena.

Vamos decifrar um enigma. O melhor e mais complexo de todos: esse que se esconde em nossa mente e que nos impede de avançar. Muitos especialistas em psicologia emocional e cognitiva nos advertem que todos nós temos um “padrão” de infelicidade. Ou seja, podemos aplicar algum tipo de processo psicológico que vai agir como a raiz do problema. Às vezes é a indecisão, às vezes são as atitudes limitantes, a educação recebida, a falta de assertividade

É preciso decifrar esse mistério interior. Para isso, podemos seguir estas estratégias:

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A regra dos três “C”

Já sabemos que ninguém pode tomar o controle da sua “nave” mental se antes não sabe como ela funciona e quais são os fatores que impedem seu funcionamento correto. Com o fim de consertá-la, a simples estratégia dos três “C” será muito útil para nós.

  • Conheça. Primeiramente, tenha em mente que você vai precisar de tempo e muita dedicação pessoal. Portanto, procure momentos para si mesmo para conhecer o que acontece em sua mente. Para fazer isso, nada melhor do que pegar uma folha e colocar em uma coluna “o que sinto” e ao lado um “o que provocou ou o que origina essa emoção”.
  • Confronte. Agora você conhece o que causou seu mal-estar, sua preocupação. Já sabe o que faz com que seu presente careça de uma verdadeira qualidade de vida. É o momento de confrontar. À lista que você fez no exercício anterior, vamos adicionar duas colunas a mais: a primeira será “como quero me sentir”, e a segunda “quais estratégias devo colocar em prática para me sentir assim”.
  • Cuidado. A terceira estratégia é de manutenção, é a chave mais elementar e simples que devemos investir no dia a dia. É baseada apenas em cuidar da gente, em favorecer nosso equilíbrio e bem-estar a todo custo.

Para desenvolver essa última chave, lembre-se de que não é saudável fazer ou iniciar coisas que vão contra os nossos valores ou princípios. Lembre-se sempre de que todo comandante tem uma bússola interna que lhe diz qual rota é a melhor, qual mar não é conveniente atravessar ou quais ventos são mais favoráveis para soltar as velas. Pratique a escuta interna, compreenda tudo o que acontece em sua mente e aprenda com cada processo, com cada dificuldade superada.

Todo investimento em você mesmo sempre é traduzido em uma maior capacidade de ser feliz.

Imagens cortesia de Artyom Chebokha

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