Metacognição: características e componentes

· outubro 10, 2018

O termo metacognição é complexo. Ele pode ser resumido como o conhecimento sobre o próprio conhecimento. Ou seja, a habilidade de conhecer e regular a forma como pensamos, que engloba o controle consciente de processos cognitivos, como a memória, a atenção e a compreensão.

O estudo da metacognição teve início com o epistemólogo e psicólogo cognitivo J. Flavell e com o antropólogo e psicólogo inglês Gregory Bateson. Este último focou seus estudos na metacognição em animais.

A metacognição nos traz a flexibilidade extra que caracteriza a mente humana. Assim, é preciso entender a metacognição como um conhecimento de segunda ordem, tendo a si mesmo como objeto. Por isso o prefixo “meta”. Isso nos permite avaliar os processos executivos e agir em consequência para melhorar nossas ações.

Um exemplo de metacognição pode ser o fato de estar lendo um texto e, ao verificar se o compreendemos, nos damos conta de que a resposta é não e lemos de novo. Ou, por exemplo, quando ao solucionar um problema, percebemos que a estratégia mental que estávamos aplicando não funciona e mudamos para outra.

As duas faces da metacognição

Um aspecto essencial para entender em profundidade a metacognição é ter claro que este é um conceito multifacetado. Podemos falar desse conceito a partir de duas perspectivas diferentes, embora muito relacionadas. Uma é a partir do conteúdo da mesma, e a outra levando em consideração o processo que envolve.

Dessa forma, diferenciamos a metacognição como conhecimento metacognitivo e como controle metacognitivo. A seguir, explicaremos cada uma dessas perspectivas e o que envolvem. Vamos nos aprofundar um pouco mais nesse tema.

O que é a metacognição?

Conhecimento metacognitivo

Esse termo faz referência a aquilo que as pessoas sabem sobre seus processos cognitivos e os dos demais em geral. Assim, essa face da metacognição se refere aos aspectos do conteúdo ou do conhecimento propriamente dito. É um conhecimento declarativo que, por exemplo, praticamos quando pensamos sobre nossas capacidades intelectuais, aprendizagens ou capacidade de memória.

Esse tipo de conhecimento tem as seguintes características:

  • É relativamente estável, como um modelo intuitivo sobre o conhecimento e como ele funciona.
  • Constatável e comunicável, no sentido de que pode ser acessado para refletir e falar sobre ele.
  • Falível, pois podem ocorrer raciocínios errôneos e ideias equivocadas.
  • De desenvolvimento tardio, dado que aparece nas últimas etapas do desenvolvimento, já que requer uma grande capacidade de abstração.

Além disso, o conhecimento metacognitivo é formado por 3 componentes principais:

  • Variáveis pessoais. Trata-se do conhecimento referido a nós mesmos como pensadores e aprendizes. Ou seja, sobre nossas capacidades e experiências na realização de diversas tarefas. Por exemplo, pensar que nos damos melhor em matemática do que em idiomas ou que somos melhores do que um amigo para nos lembrar de nomes.
  • Variáveis da tarefa. Compreendem o conhecimento que temos sobre os objetivos, assim como todas aquelas características que influenciam em sua dificuldade. Por exemplo, saber que estudar requer muito mais esforço do que ler um romance.
  • Variáveis estratégicas. É o conhecimento sobre os meios que podem ajudar na execução da tarefa. Envolve a compreensão dos aspectos declarativos, procedimentais e condicionais das estratégias aplicáveis.

Controle metacognitivo

O controle metacognitivo faz referência à supervisão ativa, e sua consequente regulação e organização, nos termos dos processos que agem em um dado momento. Ou seja, refere-se à habilidade de estar atento a possíveis falhas e agir em conformidade para reduzi-las. É importante especificar que o processo metacognitivo está presente antes, durante e depois da tarefa-alvo.

O controle metacognitivo conta com as seguintes características:

  • Não se considera estável, já que está associado à atividade cognitiva e, portanto, depende da situação e da tarefa específica.
  • É relativamente independente da idade, parece que uma vez desenvolvidos os processos metacognitivos, a idade não é uma variável influente.
  • É um processo, em grande medida, procedimentalizado e subconsciente. Por conseguinte, muitos de seus aspectos são inacessíveis e incomunicáveis.

Os componentes principais do controle metacognitivo são os seguintes:

  • Planejamento. Refere-se à elaboração de um plano estratégico antes de começar a tarefa. O que implica organizar os recursos e as estratégias a utilizar, levando em consideração os objetivos finais perseguidos.
  • Supervisão. Consiste na revisão e no ajuste das ações durante o desempenho da tarefa para, assim, conseguir uma progressiva aproximação das metas. Isso representa um duplo processo interativo: um raciocínio “de baixo para cima”, detecção dos erros; e um raciocínio “de cima para baixo”, correção dos erros.
  • Avaliação. É a análise dos resultados finais depois da realização da tarefa em relação aos objetivos prévios, para considerar correções e mudanças de estratégia em futuras tarefas.
A metacognição

Conclusão

A metacognição é um aspecto essencial no processamento da informação. De fato, na grande maioria das tarefas, observamos que os aspectos metacognitivos estão presentes e têm um grande peso, tanto em relação ao conhecimento metacognitivo quanto ao controle metacognitivo. É preciso entender que a diferença entre cognição e metacognição é uma linha muito tênue, o que nos leva a pensar mais em um aspecto dimensional do que em categorias estanques.

Pesquisar a metacognição nos ajuda a entender o pensamento e o raciocínio humano, o que é extremamente importante em várias outras áreas, como a clínica ou a educação. Afinal, compreender o funcionamento da mente humana nos ajuda a melhorar todos os processos que estão relacionadas a ela.