Metilfenidato: o medicamento estimulante

O metilfenidato é um estimulante do sistema nervoso central. É o medicamento mais prescrito no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Metilfenidato: o medicamento estimulante

Última atualização: 11 Junho, 2021

Os fármacos estimulantes, como o metilfenidato, ativam o nível de vigilância do sistema nervoso central. Eles constituem, hoje, o tratamento mais utilizado e eficaz para tratar os sintomas de distúrbios como o TDAH e a narcolepsia.

O metilfenidato é um medicamento psicotrópico moderado, estimulante do sistema nervoso central. Atua principalmente na atividade psíquica, mental e comportamental, e menos na atividade motora.

Foi aprovado na década de 1980. Desde então, tornou-se um dos medicamentos mais estudados e prescritos, tanto em crianças quanto em adultos. Também é comercializado como Concerta, Ritalina, entre outros.

De acordo com sua estrutura, é um derivado da piperidina e está relacionado à anfetamina. As formulações disponíveis são uma mistura racêmica de dois isômeros:

  • d – dextro- ,  responsável pelo efeito terapêutico.
  • – levo- ,  implica o aparecimento de efeitos colaterais cardiovasculares e anorexígenos.

Para que é utilizado?

O metilfenidato é indicado para o tratamento do TDAH como parte de um programa abrangente de intervenção. Pode ser utilizado em crianças a partir dos 6 anos de idade, bem como em adolescentes ou adultos, quando outras medidas forem ineficazes ou insuficientes.

Antes de iniciar o tratamento, é importante fazer um bom diagnóstico da doença. Isso é realizado seguindo os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e também as diretrizes da prática clínica.

Pessoa segurando comprimido

Em alguns casos, o metilfenidato tem sido mal utilizado para melhorar o desempenho intelectual. Sua capacidade estimulante é usada para aumentar a concentração, a memória e a motivação. No entanto, os efeitos colaterais e os riscos do seu uso não são levados em consideração.

O uso abusivo desse tipo de fármaco causa uma séria dependência e também um aumento na ocorrência de efeitos colaterais graves. Não deve ser utilizado sem a prescrição clara de um profissional habilitado para tal, e nem fora da sua supervisão.

Atualmente, o metilfenidato também é um medicamento usado no tratamento da narcolepsia. Este é um distúrbio do sono que causa sonolência diurna excessiva e crises repentinas de sono.

TDAH

O TDAH é um dos transtornos psiquiátricos mais comumente diagnosticados e tratados na infância. Em torno dele há todo um debate sobre a sua existência como entidade clínica. Suas principais características são:

  • Envolve um padrão de déficit de atenção, hiperatividade e/ou impulsividade.
  • Geralmente ocorre desde criança, antes dos 12 anos.
  • Prejudica ou interfere significativamente na escola, no trabalho, na família ou no desempenho social da criança.
  • Tem intensidade e frequência maiores do que o normal em uma criança.
  • Não é causado por outros problemas médicos, tóxicos ou psiquiátricos.

No entanto, este não é um transtorno exclusivamente pediátrico. Também ocorre em adultos, e cada vez mais.

O tratamento do TDAH envolve um programa abrangente de medidas psicológicas, educacionais e sociais complementadas, se necessário, com a farmacoterapia.

Dentro do tratamento farmacológico desse distúrbio, o metilfenidato é o medicamento mais prescrito. Alguns estudos afirmam que 70% dos pacientes respondem adequadamente ao tratamento.

Mecanismo de ação do metilfenidato

O mecanismo de ação do metilfenidato não é claro. Acredita-se que o medicamento amplifique a neurotransmissão, agindo em dois pontos principais:

  • Bloqueia a recaptação de norepinefrina e dopamina no neurônio pré-sináptico, inibindo os transportadores.
  • Aumenta a quantidade de monoaminas disponíveis no espaço sináptico.

Ao contrário das anfetaminas, não aumenta a liberação dessas monoaminas, ele apenas bloqueia a sua reabsorção. Esse mecanismo é semelhante ao modo como a cocaína funciona.

Assim, o nível de alerta do SNC aumenta e os efeitos desejados são obtidos. Há uma melhora na atenção sustentada e um aumento na vigilância. Também facilita a concentração e diminui os impulsos motores.

Garotinho se concentrando em tarefa

Efeitos colaterais do metilfenidato

As reações adversas mais comuns no tratamento com metilfenidato são:

  • Insônia.
  • Nervosismo.
  • Dor de cabeça.

Outras reações adversas que também podem surgir são:

  • Anorexia.
  • Apetite diminuído.
  • Perda de peso.
  • Labilidade emocional.
  • Comportamento anormal.
  • Tontura.
  • Taquicardia.
  • Hipertensão.
  • Dor abdominal.
  • Desconforto gástrico.
  • Coceira e urticária.

Inicialmente, recomenda-se começar o tratamento com doses baixas. Em seguida, a dose pode ser aumentada de acordo com a eficácia do medicamento, mas também de acordo com a tolerância de cada paciente e o aparecimento ou não de efeitos colaterais.

É importante que o tratamento seja controlado e adaptado às circunstâncias de cada paciente, pois às vezes a sua duração é longa. O tratamento geralmente é mantido durante a adolescência e até mesmo na idade adulta.

Durante o tratamento com metilfenidato, também é importante notificar o médico sobre quaisquer reações adversas detectadas. Isso permite atualizar o perfil do risco-benefício da intervenção farmacológica, além de fazer uma previsão da sua eficácia a longo prazo.

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No início, pensava-se que o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade era um transtorno da infância. No entanto, o TDAH também existe em adultos.



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