Método VERA para traçar perfis de criminosos

março 29, 2019
VERA é um acrônimo para Victima-Escena-Reconstrucción-Autor (Vítima-cena-reconstrução-autor). O método é aplicado em casos de homicídio, sequestro, roubo, agressão sexual, em casos únicos ou em série, e também quando há desaparecimentos de alto risco de pessoas.

Os perfis criminais são uma ferramenta fundamental para a investigação policial. A Seção de Análise de Conduta do CNP espanhol está usando atualmente o método VERA para traçar perfis criminais. Desenvolvido por D. Juan E. Soto Castro, chefe da Seção e da Polícia Nacional, psicólogo e investigador, o método VERA está se consolidando como um dos mais bem-sucedidos e profissionais de definição deste tipo de perfil.

V.E.R.A. é um acrônimo para Victima-Escena-Reconstrucción-Autor (Vítima-cena-reconstrução-autor). O método é aplicado em casos de homicídio, sequestro, roubo, agressão sexual, em casos únicos ou em série. Também quando ocorrem desaparecimentos de alto risco de pessoas. Utiliza uma combinação de conceitos e princípios da psicologia, estudos de investigação e de experiência profissional própria.

A coleta de dados

Durante a coleta de dados, todos são classificados de acordo com o seu pertencimento às diferentes seções. Se diferenciam entre si como dados relativos à vítima, à cena do crime, ao possível autor, etc. Cada dado é identificado com um código onde a primeira letra é D (dados).

A segunda letra corresponde ao bloco no qual está classificado (V de vítima, E de escena) seguida de seu número de ordem. Durante a coleta de dados, é importante que seja feita uma diferenciação clara do modus operandi, do ritual, da encenação e do selo pessoal. Tudo isso corresponde à primeira fase da coleta de dados.

Traçando um perfil pelo método VERA

Na segunda fase são realizadas as inferências com base na ideia de que um delito ou um crime é um cenário muito complexo, e trabalha-se sobre a hipótese de que a maioria deles segue um traçado comum. Assim, é fundamental reconstruir de maneira precisa a história que representam. Desta forma, os dados coletados são analisados ​​individualmente, mas também em conjunto.

Assim como na primeira fase, cada uma das inferências é registrada e recebe um código. Neste caso, começará sempre com a letra I de inferência, seguida da letra que corresponde caso seja em referência à vítima, ao autor, etc. As inferências devem ser rigorosas e objetivas. Além disso, devem ser descartadas ​​quando novos dados o exigirem.

A terceira fase é a das hipóteses. Serão codificadas assim como na fase anterior, desta vez com a letra H. É elaborada uma lista de hipóteses que será o ponto de partida para o traçado do perfil criminal. As hipóteses podem derivar umas das outras, ou seja, são elaboradas de forma progressiva.

Definição do perfil

As informações coletadas incluem as características da vítima. É essencial conhecer as causas pelas quais essa pessoa em questão foi escolhida como vítima; se foi uma decisão aleatória, se pertencia a um grupo de risco, etc. Além disso, a inspeção da cena do crime e dos locais relacionados também fornecem informações valiosas para a definição do perfil.

A reconstrução do crime é o que esclarece o modus operandi, a encenação, o ritual ou o selo pessoal do criminoso. Assim, a reconstrução busca compreender como aconteceu e permite analisar a interação do autor do crime com a vítima a partir da análise comportamental. Tudo isso é relacionado e elaborado com base em múltiplas teorias e estudos de investigação no campo da psicologia.

A coleta de dados sobre o autor do crime é realizada com atenção especial. Deve resultar na descrição mais próxima possível da aparência física e do perfil comportamental. Como resultado, esta é a fase que permitirá a obtenção de informações mais precisas sobre o criminoso por parte dos pesquisadores.

Todo o método VERA é uma técnica progressiva e cumulativa. Os dados, as inferências, e as hipóteses podem ser adicionados uns aos outros. Sobre estes dados são aplicados todos os princípios da psicologia apropriados para entender suficientemente a personalidade e o comportamento do agressor, criminoso ou delinquente.

Interrogando um criminoso

Utilidades do método VERA

O método VERA tem se mostrado muito eficaz na definição de perfis psicológicos de criminosos. Além disso, este método está se mostrando especialmente útil em outras áreas. Também permite a criação de um banco de dados estatísticos de agressores, delinquentes e criminosos classificados por tipologia criminal e psicológica.

Permite também comparar o perfil traçado com o perfil real do criminoso uma vez detido, o que constitui uma ferramenta muito eficaz para melhorar a definição de perfis futuros que podem ser baseados nos traçados anteriormente por coincidência de dados. Também pode ser muito útil para futuros projetos de pesquisa, bem como para melhorar os atuais.

  • Illescas, S. R., & Pueyo, A. A. (2007). La psicología de la delincuencia. Papeles Del Psicologo.
  • Beatriz Alejandra Moyano. (2016). Personalidades criminales, delincuentes violentos y perfiles criminales: Cómo descifrar el comportamiento criminal. Archivos de Criminología, Seguridad Privada y Criminalística.