Os meus arrepios contam a minha história

Os meus arrepios contam a minha história

maio 18, 2016 em Psicologia 2 Compartilhados
Meus arrepios contam a minha história

Eu sou de quem me fez estremecer, mesmo que tenha sido apenas uma vez na minha vida. Eu escolho quem me causou uma vibração no corpo e, sobretudo, na alma. Sou daqueles arrepios dos quais nunca vou me esquecer, que me fizeram sentir viva.

As pessoas sempre dizem, neste sentido, que somos feitos de pequenas histórias que vivemos todos os dias e que, quando somadas, formam a nossa própria história. No entanto, acredito que somos feitos de arrepios: o que nos faz sentir no mundo é precisamente aquilo que vem dele e que nos move, que nos permite sonhar e realizar esse sonho.

Se você consegue fazer parte da minha história, saiba que estará sempre nela

A verdade é que, se olharmos para dentro de nós mesmos por um momento, descobriremos em nosso interior tudo isso de que eu falo: veremos as pessoas, sentiremos as carícias e os sorrisos, voltaremos a secar lágrimas, evocaremos pequenos detalhes que nos fazem ser um pouco maiores.

“Quando é que foram colocados tantos momentos na gaveta?

Mas você quis ser lembrado
e aqui está
empoeirado
abandonado
e com um sorriso velho em um papel amassado…

É que quando você mexe na caixa de memórias
são as memórias que acabam mexendo com você…”

-Andrés Castuera Micher-

Mulher com um lobo

Se continuarmos a nos perder, descobriremos um mundo de memórias que voltarão outra vez, como se retrocedêssemos no tempo. Encontraremos assim tudo aquilo que chegou à nossa vida e ficou para sempre, em forma de toques, de cheiros, de sentidos.

E tudo isso vai ficar aqui até o dia da nossa morte: vai nos acompanhar como nossas pequenas marcas de identidade, como os arrepios que nos fizeram sentir parte do tempo.

O arrepio é a minha memória seletiva

Todos sabemos que em questões de esquecimento e memória quem decide é a nossa mente. É como se houvesse espaço para tudo o que podemos chegar a viver, mas tivéssemos que selecionar apenas o que queremos conservar.

No entanto, a nossa memória seletiva faz todo o trabalho sozinha. Quantas vezes você tentou lembrar o nome de alguém, um número de telefone ou qualquer outra coisa do dia a dia? O normal é que você tenha esquecido, mas você pode sempre relembrar as primeiras vezes que lhe fizeram responder ao mundo como não havia feito antes.

Somos nossa memória, somos esse quimérico museu de formas inconstantes, esse monte de espelhos quebrados”.
-Jorge Luís Borges-

Tudo isso são arrepios. Minutos, segundos, horas, dias, semanas, meses que não voltarão a acontecer ou que poderão se repetir sempre que fecharmos os olhos e voltarmos a eles… São memórias repletas de sensações e sentimentos.

Mulher com cabelo vermelho

Não pare, busque novos arrepios que continuem afirmando quem você é

É verdade que vivemos do que recordamos, mas também vivemos do que somos capazes de ganhar novamente para transformarmos em memória. Nosso presente deveria ser uma busca constante de coisas que nos façam vibrar.

“Ninguém tem a verdade absoluta. Busque a sua própria verdade, a que te faz vibrar, a que te conecta com o seu ‘eu interior’, a que te faz crescer como pessoa e, ao mesmo tempo, como parte do mundo”.
-Anônimo-

Podemos deixar as memórias passadas no passado: não se trata de se desfazer delas, trata-se de criar memórias novas que complementem as que já temos. Não podemos deixar que o livro termine antes do tempo, mas temos que saber aproveitar todas as suas páginas e escrever tudo o que pudermos.

E quando os arrepios vierem, deixe-os vir, deixe que te invadam e preencham. Não faça perguntas se eles te fizerem feliz, você tem a vida para senti-la. Nunca contradiga um arrepio. Não o ignore. Não queira fugir dele, pois essa nunca é a resposta.

Imagem cortesia de Lucy Campbell.

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