Os milagres realmente existem? - A Mente é Maravilhosa

Os milagres existem?

3, outubro 2016 em Psicologia 749 Compartilhados
Os milagres existem?

Desde os tempos primórdios existem histórias que contam fatos reais, porém extraordinários, para os quais, aparentemente, não existe nenhum explicação. São relatos que, geralmente, costumam ser difundidos por diferentes religiões. Narram situações inverossímeis, que quase sempre estão relacionadas a milagres da cura.

Todas as religiões, incluindo as mais reflexivas como o Budismo, têm em sua base relatos dessa índole. As histórias sobre curas milagrosas se somam a outras de teletransporte, aparições, desaparecimentos, mensagens proféticas, anúncios apocalípticos e muitos outros.

Para os fiéis, todos esses “milagres” adquirem o valor de evidências ou provas da existência de uma divindade. Visto que a religião é uma questão de fé, e que fé é precisamente acreditar naquilo que não tem evidência, a verdade é que frequentemente se difundem esses tipos de relatos que narram prodígios e que os adeptos das religiões afirmam ser mais um fundamento de suas crenças.

Filósofos e cientistas são ascéticos em relação a esses tipos de manifestações. Sua principal crítica é que os crentes, sistematicamente, se negam a praticar verdadeiros métodos de verificação para esses fenômenos. Quase sempre quem os certifica são os mesmos religiosos ou crentes, e o fazem através de métodos que não são estritamente científicos.

Os milagres e as aparições de Nossa Senhora

Dentro dos relatos de milagres que se difundem através de diferentes meios, sobressaem-se as chamadas “aparições marianas”, que são reportadas com relativa frequência. Independentemente do valor sagrado que possa ter a Virgem Maria para os fiéis, não deixam de chamar a atenção a natureza e as mensagens que se difundem através dessas aparições.

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Existem padrões que são comuns nas aparições marianas. Quase sempre se produzem diante de pessoas muito humildes, com pouca instrução; nunca diante de autoridades eclesiásticas ou científicas. Os crentes dirão que a Virgem escolhe os mais simples porque são mais virtuosos. No entanto, é um dado que para um observador objetivo não deve passar batido.

Por outro lado, se levarmos em conta as mensagens dessas aparições, deveríamos concluir que a Virgem tem um espírito claramente político. Estamos falando de uma virgem politizada, que deixou clara sua posição em 1917 contra a União Soviética (Virgem de Fátima), ou a favor da paz na Bósnia-Herzegovina (Medjugorje). Os mexicanos também afirmam que a aparição da Virgem de Guadalupe coincide com um grande esforço de catequização feito pelos colonizadores espanhóis no México.

Não deixa de chamar a atenção o fato de que a Virgem Maria faça aparições somente na América e Europa, nunca na África, Ásia ou Oceania. E também o fato de que as mensagens marianas contêm basicamente ameaças: anunciam fatos terríveis para o mundo, e apelam para soluções religiosas e através da oração. Existem inclusive sacerdotes que questionam a validade desses fenômenos e os classificam como situações que estão mais próximas do paganismo que da própria religião.

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Os milagres e a vontade de acreditar

As crenças religiosas são um assunto pessoal que merece o maior respeito e que faz parte da liberdade de consciência em todas as pessoas. Contam-se como certeza os casos de pessoas que se curam de doenças graças a suas crenças.

Os religiosos dirão que são milagres, onde se comprova a intervenção de Deus. Os não crentes irão argumentar que as doenças curadas são de natureza psicossomática, que estão relacionadas diretamente ao sistema nervoso. Em outras palavras, o que eles fazem é melhorar a auto-sugestão.

A maioria das pessoas que reportam esses “milagres” não mentem. Realmente experimentam o que dizem experimentar. No entanto, existem razões para pensar que tudo isso ocorre em sua mente, mais do que na realidade. Existe, por exemplo, cegueiras histéricas que, efetivamente, podem ser curadas da mesma forma como se originam: mediante uma forte experiência psicológica.

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Também existem casos em que ficam evidentes alguns indícios de fraude ou, em todo caso, um desejo de acreditar em algo que vai além das evidências. São inúmeros os episódios nos quais a religião teve que reconhecer que incorreu no erro que era indicado pela ciência. Por exemplo, teve que admitir que as teorias de Copérnico, Galileu ou Darwin estavam corretas. Por outro lado, a ciência nunca teve que retratar-se em favor das crenças religiosas.

Cada pessoa pode ser crente ou ateu de acordo com o que dita a sua consciência. No entanto, a verdadeira fé não precisa de prodígios para ser firme. E muito menos requer o medo para se manter. O mesmo vale para os ateus, que podem ter medo de acreditar.

Talvez nós devêssemos entender que existem milagres cotidianos, mais fortes e valiosos que os fatos extraordinários. Viver, respirar, amar, rir, sofrer e ser capaz de ir em frente apesar de tudo são grandes milagres que deveríamos celebrar todos os dias.

Imagens cortesia de Vladimir Kush.

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