Os mitos da virgindade

A virgindade é um conceito muito difundido. Entretanto, é importante conhecer os mitos da virgindade a fim de contribuir para a construção de uma sexualidade muito mais saudável e livre.
Os mitos da virgindade

Última atualização: 04 Junho, 2021

Todos nós já ouvimos a palavra virgindade alguma vez, e sabemos que existem muitos mitos relacionados a ela. Também já ouvimos a expressão que se refere a uma pessoa “ser virgem”. Este é um conceito muito difundido socialmente.

Além disso, o conceito de virgindade está muito presente em muitas das consultas feitas aos sexólogos. Esse grupo, em vez de falar sobre a virgindade, geralmente fala sobre os mitos da virgindade. Vamos nos aprofundar um pouco mais nesse assunto.

O que significa a palavra virgindade?

É bastante conhecido o significado religioso da palavra virgem, da qual deriva “virgindade”. Entretanto, muito além desse significado, é interessante saber o que isso significa a nível social e psicológico.

Em primeiro lugar, o significado da palavra ‘virgindade’ é muito marcado e remete diretamente ao nosso erotismo. Popularmente, ela é usada para classificar. Isso significa que, quando a usamos, classificamos as pessoas de acordo com seu pertencimento a um desses dois grupos: pessoas que não tiveram relações sexuais (virgens) e aquelas que tiveram relações sexuais (não virgens).

Casal se beijando

Os mitos da virgindade

Existe uma série de mitos ou falsas crenças que cercam esse conceito. Além disso, esses mitos são alimentados por todos os tipos de influências do nosso dia a dia. A seguir, explicamos brevemente alguns dos mitos mais difundidos sobre a virgindade:

Penetração como monopólio erótico

Não, a penetração vaginal não é o único tipo de relação erótica que existe. Também não precisa ser o mais agradável. O fato de superestimarmos esse tipo de relação se deve a um convencionalismo que não corresponde à realidade da nossa natureza física, psicológica e social.

Prova disso é que o clitóris é um órgão cuja função exclusiva é dar prazer. O clitóris é acessível externamente (sem penetração) e a maioria das mulheres afirma que a principal forma de chegar ao orgasmo ocorre por meio de uma estimulação direta desse órgão.

Rompimento do hímen

A perda da virgindade é comumente associada ao rompimento do hímen. O hímen é uma membrana muito fina localizada na entrada da cavidade vaginal. Nem todas as mulheres nascem com ele, nem todas o perdem ao ter relações sexuais com penetração.

Foco na mulher

Faz pouco sentido conceber a ideia de ‘fazer sexo pela primeira vez’ com o rompimento dessa membrana. Na verdade, se fosse sim… a virgindade seria um conceito que faz referência apenas às mulheres? Como duas mulheres que têm relações sexuais perderiam a virgindade? E dois homens?

Fica claro que o momento da perda da virgindade é muito mais marcado nas mulheres do que nos homens. Isso significa uma pressão acrescida sobre a mulher, tanto por ser “virgem” quanto por não ser, dependendo da idade.

Dor

A penetração não é uma panaceia, mas quando falamos da primeira vez, o mito de que a mulher sempre sentirá dor é muito difundido. Também não há motivo para ser assim.

A presença de dor na primeira penetração vaginal depende de muitas variáveis. Uma das mais importantes é o nível de relaxamento e despreocupação da mulher no momento dessa relação.

Momento transcendental

A primeira penetração vaginal tem muitas conotações sociais e religiosas. Esse tipo de relação erótica tem muito simbolismo e, curiosamente, é considerado uma ‘perda’.

É comum que se fale em desvirginar como sinônimo de perda de pureza, castidade ou inocência. Essas ‘perdas’ estão associadas a uma prática específica (e não a outras), fato que enfatiza o caráter absurdo dessa associação.

Relação sexual

Desconstruindo o conceito de virgindade

Internalizar esse conceito e viver assumindo seu significado social pode ser prejudicial. Por quê? Porque esse é um dos conceitos que limitam o nosso erotismo.

Outorgamos tamanha importância à penetração vaginal que muitas pessoas que não têm predileção por essa prática a realizam porque “é o que têm que fazer”. E já sabemos que, nas relações eróticas, fazer algo sem querer realmente não costuma terminar muito bem.

Além disso, a virgindade e suas conotações sociais privam as pessoas de explorar todo um repertório de prazeres obtidos de muitas maneiras diferentes da penetração.

E se falássemos em “perder uma virgindade” em relação a qualquer comportamento erótico realizado pela primeira vez? Isso seria um verdadeiro exercício de educação sexual.

Dessa forma, falaríamos de “virgindades” em vez de virgindade. Isso também contribuiria para erradicar a ideia de que existem relações eróticas mais ou menos importantes. Dessa forma, as pessoas não sofreriam nenhum tipo de pressão social para realizar as práticas que desejam realizar ou não.

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