É uma pena que as mudanças ocorram quando não são mais úteis

É uma pena que as mudanças ocorram quando não são mais úteis

dezembro 27, 2016 em Psicologia 0 Compartilhados
É uma pena que as mudanças ocorram quando já não são mais úteis

É uma pena que as mudanças ocorram quando já não são mais úteis, nem pelo que dizem trazer e nem pelo que dizem remediar. É um verdadeiro desperdício de energia para aqueles que um dia reivindicaram e não obtiveram respostas, e para aqueles que efetivaram a mudança quando ela já não era mais necessária.

Todas as mudanças são bem-vindas se forem positivas, mas às vezes elas só poderão ser positivas se chegarem a tempo. Algumas chegam com anos de atraso, outras perdem a chance de remediar alguma coisa por chegarem alguns milésimos de segundo mais tarde. Algumas curam tudo imediatamente, outras precisam se repetir frequentemente para que possam efetivar uma mudança real.

A mudança que não é mais necessária apenas entristece

É realmente uma pena que uma mudança chegue quando a pessoa já se cansou de esperar e “virou a página”. Quando os sentimentos, antes incessantes e impacientes, estão gelados, inexistentes e rodeados por uma cinza que nunca mais fará parte de um fogo: é somente uma prova da sua extinção.

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É uma pena que as mudanças cheguem quando já não são mais úteis, especialmente quando alguém poderia ter feito algo e não quis. É por isso que as mudanças tardias são muito mais dolorosas: são as provas concretas do que poderia ter sido, mas não foi.

Elas nos trazem a certeza de uma dura realidade que um dia desejamos mudar, rodeá-la de magia e mistério, quando havia apenas rejeição e falta de interesse. Um desapego que os seres humanos utilizam como uma estratégia de proteção, mas que ao longo do tempo nos torna mais frágeis.

As mudanças que nunca devemos esperar

Há mudanças que nunca devemos esperar; são situações que já começaram da maneira errada. Talvez porque tenhamos aceitado a situação tal como ela é, com a esperança de que poderíamos mudá-la, ou porque uma boa situação foi se transformando em algo que não queremos mais.

Muitas vezes idealizamos as pessoas: esperamos reações, mudanças, compromissos de alguém que nunca pensou em criar vínculos permanentes. Ninguém tem o direito de pedir ao outro uma mudança que ele não queira fazer. Será que não entendemos corretamente as mensagens emitidas pela outra parte?

Não temos o direito de exigir, mas devemos impedir que o outro brinque conosco. A verdadeira mudança nessa situação começaria por nós mesmos: respeitar a si mesmo e os valores dentro de um relacionamento. É preciso identificar qual foi o nosso erro: talvez tenham sido expectativas muito elevadas. É preciso refletir e fazer um exercício de justiça na hora de apontar um culpado.

“A desilusão é uma espécie de ruptura. A ruptura de uma alma cheia de esperanças e expectativas”.
-Eric Hoffer-

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Diante de uma grande desilusão, alguns preferem assumir a dor da perda pelo tempo necessário, aceitá-la e seguir em frente sozinhos. Outros ficam presos nessa situação esperando mudanças que não chegam, angustiados com promessas que não se materializam; suspirando, pedindo, exigindo sem encontrar uma resposta.

Outras pessoas mudam de rumo e de situação, e a dor da perda nem passa pela sua mente. O ponto final é escrito para todos, mas internamente algumas pessoas se recusam a utilizar esta regra ortográfica emocional. Uma regra que é cumprida inicialmente com dor e tristeza, mas que, ao longo do tempo, produz algumas páginas em branco, escrevendo o passado da única forma que poderia ser … e de fato foi.

A frustração pela mudança que não serve mais

A frustração pela mudança que não serve mais é o primeiro passo em direção à liberdade emocional. Não é um caminho agradável, mas podemos nos sentir libertados, confortados por estarmos cientes de que a outra pessoa reagiu, mesmo que seja tarde demais.

Mas de que adianta tudo isso, se as mudanças chegaram quando a paixão já tinha acabado, quando as palavras de amor ou amizade ressoavam como algo alheio ao nosso coração? Quando já não trazem consigo entusiasmo e alegria, mas uma resposta fria e indiferente; quando não despertam lágrimas de esperança, mas um entorpecimento emocional e frieza?

Há mudanças que chegam tarde, tarde em todos os pormenores, tarde para o apoio incondicional em situações difíceis, tarde pelo excesso de indiferença.
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Chega tarde para o que um dia poderia ter sido, mas já não pode ser; sem nenhuma chance de renascer. É por isso que precisamos lutar por aquilo que queremos, antes de inúmeros “sinto muito” e segundas oportunidades.

Isso deve ser feito imediatamente, porque pode chegar o momento em que a pessoa que aguardava essas mudanças já não espera mais e não as considera algo que se encaixa na sua vida atual. Você precisa mudar a tempo, especialmente se deseja evitar que essas mudanças sejam inúteis.

Quando as mudanças não ocorrem no tempo adequado, são mudanças que pertencem a um terreno desértico onde nunca mais brotarão a loucura saudável e a paixão do passado; elas já não servem mais. Estas são as mudanças que ficam na estação olhando o trem que passou, quando a noite cai sobre um povoado perdido. A esperança fica entediada e vai embora, acompanhada de toda a magia e inocência que sustentava esse desejo.

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