Não escutamos para cuidar, escutamos para responder

· junho 10, 2016

Escutamos, mas não ouvimos. Vivemos em uma sociedade em que nem sempre interessa o que os outros têm a dizer, porque a única coisa que conta é aquilo que nós achamos. Ouvir é uma atitude perante a vida que nem sempre praticamos.

Segundo várias pesquisas de Daniel Goleman, os indivíduos que alcançam o sucesso profissional costumam ser pessoas mais receptivas e com uma gama de interesses mais elevada. Pessoas nas quais a capacidade da escuta e da proximidade permite ter um maior controle sobre as situações e sobre os próprios recursos humanos.

Quem sabe ouvir percebe até o seu silêncio, até o gesto mais sutil de quem está a sua frente, porque falar é uma necessidade, mas ouvir é uma arte que nem todo mundo domina.

A comunicação não se baseia na emissão de uma mensagem por parte de duas ou mais pessoas. É algo que vai mais além, porque comunicar também depende da nossa personalidade, da nossa inteligência emocional e de nossa empatia.

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Não somos suficientemente eficientes por causa da interferência dos “ruídos mentais”

Falamos em excesso, mas não ouvimos. Segundo o economista e divulgador Otto Sharmer, as pessoas deveriam facilitar uma abertura que partisse diretamente do próprio coração: ter acesso aos níveis mais profundos da própria percepção emocional e ativá-los para ser mais receptivo.

Se a natureza nos deu orelhas não foi só para que pudéssemos escutar, e sim para que também aprendêssemos a ouvir. Agora, se no dia a dia não conseguimos fazer isto ou não somos suficientemente eficientes, é por causa da interferência dos seguintes “ruídos mentais”:

  • Ouvimos com o “piloto automático” ligado e com hábitos já adquiridos onde não queremos que outros nos convençam de coisas que, supostamente, já sabemos.
  • Estamos focados em nós mesmos e no “mas isto eu já sei”…
  • Costumamos limitar a nossa capacidade de ouvir a aquilo que, seletivamente, confirma as nossas crenças.

Se a lei básica dos relacionamentos humanos é a nossa capacidade de interconexão, deveríamos deixar de lado esta individualidade e esse rumos do individualismo, baseados no entorno do “eu”, para permitir uma adequada abertura ao nosso redor. Vejamos como conseguir isto.

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Quando escutamos a partir do coração, uma grande arte

Wilbur Schramm, notável especialista em modelos de comunicação, explica que na hora de estabelecer um diálogo, o importante não é a mensagem em si, e sim o estado emocional dos interlocutores. Poderia se resumir a algo do tipo “respondo o que sinto e não com base no que eu ouço”.

A mente fala o tempo todo, misturando o rumor do passado, desejos insatisfeitos, medos, atitudes limitantes, fortes crenças, preocupações e as emoções. Às vezes, é quase impossível se desprender disso tudo para se conectar com alguém a nossa frente.

Se a sua mente agarra você o tempo todo com seu barulho, como você acha que será a sua capacidade de escuta?

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Silencie a sua mente e “desacelere”

Como você já sabe, o movimento “slow” está na moda. Não encare isto como um simples panfleto, na verdade é toda uma filosofia a ser adotada porque na nossa existência existe algo a mais do que a necessidade de ir depressa.

  • Pense na possibilidade de desacelerar um pouco para tomar o controle do seu entorno e assim liberar a sua mente para apreciar o presente de uma forma mais plena.
  • Desligue-se todos os dias dos ruídos externos (celular, transito, televisão), para trabalhar depois o seu ruído interior e fazer uma limpeza.

Desenvolva a intuição

O que tem a ver a intuição com a capacidade da escuta? Ser intuitivo é ter capacidade de não supor coisas antes de ouvir, de saber atender com o coração aberto e a mente limpa, sem preconceitos, sem convicções prévias.

  • Às vezes, basta olhar o nosso interlocutor com um sorriso e um olhar sincero para fazê-lo enxergar que o entendemos.
  • Intuir emoções alheias é aplicar a empatia a nossas conversas, é oferecer proximidade e compreensão.
  • Saber intuir é ter a capacidade de dizer tudo o que precisamos na hora certa, para depois não ficarmos com o “eu deveria ter dito, eu deveria ter dito que sim, que não, que tentássemos de novo…”

Seja receptivo a outros pontos de vista, permita-se sentir e aprender

Falamos demais e não ouvimos como deveríamos a aqueles que nos rodeiam, quando na verdade as suas opiniões e experiências poderiam nos interessar e enriquecer.

  • Vivemos em uma sociedade onde interessa mais ver o que os nossos amigos publicam nas redes sociais do que lhes dar atenção pessoalmente para ouvir o que querem nos contar.
  • Seja receptivo a tudo que rodeia você, abra a sua mente e permita-se ser mais livre, mais curioso. Às vezes, uma simples conversa pode propiciar toda uma revelação, toda uma mudança pessoal. Atreva-se a experimentá-lo.

Saber ouvir é sentir a outra pessoa como parte de nós, sem barreiras, abraçando a sua existência de forma empática, livre e sincera…

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