Não escutamos para cuidar, escutamos para responder

Não escutamos para cuidar, escutamos para responder

junho 10, 2016 em Psicologia 367 Compartilhados
Não escutamos para cuidar, escutamos para responder

Escutamos, mas não ouvimos. Vivemos em uma sociedade em que nem sempre interessa o que os outros têm a dizer, porque a única coisa que conta é aquilo que nós achamos. Ouvir é uma atitude perante a vida que nem sempre praticamos.

Segundo várias pesquisas de Daniel Goleman, os indivíduos que alcançam o sucesso profissional costumam ser pessoas mais receptivas e com uma gama de interesses mais elevada. Pessoas nas quais a capacidade da escuta e da proximidade permite ter um maior controle sobre as situações e sobre os próprios recursos humanos.

Quem sabe ouvir percebe até o seu silêncio, até o gesto mais sutil de quem está a sua frente, porque falar é uma necessidade, mas ouvir é uma arte que nem todo mundo domina.
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A comunicação não se baseia na emissão de uma mensagem por parte de duas ou mais pessoas. É algo que vai mais além, porque comunicar também depende da nossa personalidade, da nossa inteligência emocional e de nossa empatia.

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Não somos suficientemente eficientes por causa da interferência dos “ruídos mentais”

Falamos em excesso, mas não ouvimos. Segundo o economista e divulgador Otto Sharmer, as pessoas deveriam facilitar uma abertura que partisse diretamente do próprio coração: ter acesso aos níveis mais profundos da própria percepção emocional e ativá-los para ser mais receptivo.

Se a natureza nos deu orelhas não foi só para que pudéssemos escutar, e sim para que também aprendêssemos a ouvir. Agora, se no dia a dia não conseguimos fazer isto ou não somos suficientemente eficientes, é por causa da interferência dos seguintes “ruídos mentais”:

  • Ouvimos com o “piloto automático” ligado e com hábitos já adquiridos onde não queremos que outros nos convençam de coisas que, supostamente, já sabemos.
  • Estamos focados em nós mesmos e no “mas isto eu já sei”…
  • Costumamos limitar a nossa capacidade de ouvir a aquilo que, seletivamente, confirma as nossas crenças.

Se a lei básica dos relacionamentos humanos é a nossa capacidade de interconexão, deveríamos deixar de lado esta individualidade e esse rumos do individualismo, baseados no entorno do “eu”, para permitir uma adequada abertura ao nosso redor. Vejamos como conseguir isto.

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Quando escutamos a partir do coração, uma grande arte

Wilbur Schramm, notável especialista em modelos de comunicação, explica que na hora de estabelecer um diálogo, o importante não é a mensagem em si, e sim o estado emocional dos interlocutores. Poderia se resumir a algo do tipo “respondo o que sinto e não com base no que eu ouço”.

A mente fala o tempo todo, misturando o rumor do passado, desejos insatisfeitos, medos, atitudes limitantes, fortes crenças, preocupações e as emoções. Às vezes, é quase impossível se desprender disso tudo para se conectar com alguém a nossa frente.

Se a sua mente agarra você o tempo todo com seu barulho, como você acha que será a sua capacidade de escuta?
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Silencie a sua mente e “desacelere”

Como você já sabe, o movimento “slow” está na moda. Não encare isto como um simples panfleto, na verdade é toda uma filosofia a ser adotada porque na nossa existência existe algo a mais do que a necessidade de ir depressa.

  • Pense na possibilidade de desacelerar um pouco para tomar o controle do seu entorno e assim liberar a sua mente para apreciar o presente de uma forma mais plena.
  • Desligue-se todos os dias dos ruídos externos (celular, transito, televisão), para trabalhar depois o seu ruído interior e fazer uma limpeza.

Desenvolva a intuição

O que tem a ver a intuição com a capacidade da escuta? Ser intuitivo é ter capacidade de não supor coisas antes de ouvir, de saber atender com o coração aberto e a mente limpa, sem preconceitos, sem convicções prévias.

  • Às vezes, basta olhar o nosso interlocutor com um sorriso e um olhar sincero para fazê-lo enxergar que o entendemos.
  • Intuir emoções alheias é aplicar a empatia a nossas conversas, é oferecer proximidade e compreensão.
  • Saber intuir é ter a capacidade de dizer tudo o que precisamos na hora certa, para depois não ficarmos com o “eu deveria ter dito, eu deveria ter dito que sim, que não, que tentássemos de novo…”

Seja receptivo a outros pontos de vista, permita-se sentir e aprender

Falamos demais e não ouvimos como deveríamos a aqueles que nos rodeiam, quando na verdade as suas opiniões e experiências poderiam nos interessar e enriquecer.

  • Vivemos em uma sociedade onde interessa mais ver o que os nossos amigos publicam nas redes sociais do que lhes dar atenção pessoalmente para ouvir o que querem nos contar.
  • Seja receptivo a tudo que rodeia você, abra a sua mente e permita-se ser mais livre, mais curioso. Às vezes, uma simples conversa pode propiciar toda uma revelação, toda uma mudança pessoal. Atreva-se a experimentá-lo.
Saber ouvir é sentir a outra pessoa como parte de nós, sem barreiras, abraçando a sua existência de forma empática, livre e sincera…
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