Não vou mudar por você, vou crescer com você

Não vou mudar por você, vou crescer com você

abril 18, 2016 em Psicologia 1790 Compartilhados
Vou crescer com você
“Não vou mudar por você, vou crescer com você”
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É possível que esta frase surpreenda algumas pessoas. São muitos os que concebem e aceitam que construir e manter um relacionamento exige por parte de algum dos dois ter que renunciar a determinadas coisas da sua vida. E ainda mais, “para nos adaptarmos” ao temperamento do nosso parceiro, temos que mudar certos aspectos pessoais.

Não vamos negar que ser um casal e manter um relacionamento estável e duradouro exige, muitas vezes, ter que renunciar a algumas coisas. Não obstante, tudo tem um limite. Desde o momento em que nos vemos obrigados a mudar, estamos perdendo algo do nosso ser, um vazio se está abrindo.

Se mudo os meus valores, os meus gostos ou o meu temperamento por você, estou deixando de ser eu mesmo/a. A pessoa que você diz amar será então uma falsa miragem sua, sem fundo e sem forma.
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Se há um princípio claro e indiscutível na hora de manter um relacionamento é que nunca devemos permitir que os nossos direitos, os nossos valores sejam vulnerados. Aquilo que nos define. E ainda mais, você também não deve exigir que a pessoa que você ama “mude” por você, que se ajuste às suas necessidades.

Algo assim seria, na realidade, uma chantagem emocional injustificada. Vejamos com mais detalhes.

Crescimento individual e crescimento do casal

Devemos começar esclarecendo algo essencial: os relacionamentos não são entidades fixas e imutáveis. Ninguém é alheio a tudo o que nos rodeia, às relações sociais paralelas, ao contexto laboral, à família, às necessidades pessoais…

O casal como tal está inscrito em um processo de mudança contínuo, onde é necessário atualizar os vínculos de acordo com as novas situações e com os anos. Existe, portanto, um “nós”, enfrentando às vezes um “eu”.
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Um dos problemas mais comuns que temos que enfrentar é a necessidade de harmonizar o crescimento pessoal com o crescimento do casal. Em um relacionamento saudável e feliz, ambas as esferas estão unidas e interconectadas. De que forma? Cada um dos membros respeita, compreende e favorece que a pessoa possa dispor dos seus próprios espaços pessoais para cultivar-se, para crescer e ser ela mesma.

Poderíamos dizer que este processo é na verdade um curioso paradoxo, visto que ao mesmo tempo em que trabalhamos dia a dia para ser uma unidade em harmonia, compromisso e intimidade, na verdade nos permitimos também seguir sendo duas entidades independentes, capazes de enriquecer-se em sua individualidade para, por sua vez, aportar essa sabedoria e essa felicidade interior ao casal.

Trata-se de fomentar o crescimento individual de cada um dos membros do casal, sabendo que com isso propiciamos o equilíbrio interno, a autoestima e a satisfação pessoal para que tudo isso se reverta no próprio “arco familiar” do casal.

De nada serve obrigar que a pessoa que amamos mude. Se eu, por exemplo, peço-lhe que seja menos extrovertido/a, que se envolva menos em matérias sociais tentando que com isso passe mais tempo em casa do que fora, o que estarei fazendo na verdade é alimentar a sua frustração e vulnerar os seus interesses.

De que me serve então causar a sua infelicidade mediante o meu egoísmo? Ninguém pode mudar à “força” para se encaixar nos seus vazios ou nas suas lascas. Trata-se de construir, de crescer e avançar. Nunca vetar.
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Encontro a mim mesmo ao crescer com você

O amor maduro é a base dos relacionamentos saudáveis. É um amor consciente capaz de respeitar e amar o outro como ele é, sem ter em nenhum momento vontade de obrigá-lo a mudar. Talvez devêssemos conscientizar-nos também da necessidade de desenvolver relacionamentos onde essa maturidade nos ensine que os medos e inseguranças pessoais geram quase sempre a necessidade de controlar o outro.

“Espero que a outra pessoa mude este aspecto do seu temperamento, porque assim me asseguro de que não me deixará, de que seguirá combinando comigo.”  Mas não somos quebra-cabeças, não somos peças soltas com a obrigação de encaixar com perfeição umas nas outras. As suas arestas não têm motivo para enquadrar-se com as minhas, e os seus vazios para se encherem obrigatoriamente com as minhas virtudes.

Seria melhor que começássemos a conscientizar-nos de que todos nós somos, na verdade, criaturas imperfeitas que procuram seres imperfeitos para avançar de mãos dadas e crescer diariamente. Este maravilhoso processo durará sem dúvida a vida toda, mas por enquanto, iremos crescendo individualmente. Nós nos tornaremos mais sábios pessoalmente, ao mesmo tempo em que cresceremos em casal.

O amor é, na verdade, uma preocupação constante por toda a vida, uma busca contínua na qual cultivamos a nós mesmos e, ao mesmo tempo, nos preocupamos com o crescimento daqueles que amamos. Tudo isso se projetará também em nós.
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