Neuroarquitetura: o poder do meio sobre o cérebro

· março 9, 2019
A neuroarquitetura é uma área que se interessa por como o meio modifica o cérebro e, portanto, o comportamento. Neste artigo, contaremos quais são os elementos arquitetônicos mais importantes que influenciam o nosso estado mental.

Embora a neuroarquitetura pareça ser uma disciplina nova, a verdade é que ela está perto de completar setenta anos de vida; décadas nas quais seu objetivo mais importante não teve variação.  Sua função é criar espaços para a felicidade, o bem-estar, a produtividade e a qualidade de vida. Ou seja, edifícios que reduzam o estresse e a ansiedade.

É um ramo no qual os arquitetos e neurocientistas trabalham juntos para cumprir o objetivo de projetar espaços e edifícios centrados no funcionamento do cérebro daqueles que os ocupam. A posição das janelas, os ângulos das paredes e da mobília, as cores, as texturas, os espaços abertos e os sons, entre outros, são os componentes nos quais esta ciência “compartilhada” se baseia.

O que é a neuroarquitetura?

Vista a partir do enfoque da criação de edifícios que afetam o funcionamento do cérebro, pode-se dizer que é uma disciplina que se remete aos primeiros edifícios góticos, embora como ciência seja bem mais jovem.

Na realidade, pode-se dizer que a neuroarquitetura, como a conhecemos agora, nasceu há cerca de 25 anos. Ela se inspirou na neuroplasticidade do cérebro. A neuroarquitetura é uma disciplina que se interessa por como o meio modifica a química cerebral e, portanto, as emoções, os pensamentos e os comportamentos.

O Dr. Fred Gage, neurocientista do Salk Institute, se interessou pelos efeitos no cérebro causados pelas mudanças no ambiente. Seu interesse é centrado em entender como o cérebro interpreta, analisa e reconstrói o espaço que o cerca. Dessa forma, a neurociência traz pistas valiosas para os arquitetos a respeito de como distribuir os espaços.

A criação de determinados ambientes faz com que o cérebro coloque em prática mecanismos que produzam os hormônios necessários para o desenvolvimento de emoções e determinadas sensações.

“As mudanças no entorno mudam o cérebro e, portanto, modificam o nosso comportamento”.
-Fred Gage-

Ponte ensolarada

A influência psicossocial da arquitetura

Calcula-se que os seres humanos passam mais de 90% do seu tempo dentro de edifícios. Sabendo como o ambiente tem poder sobre o cérebro, esse dado por si só já nos dá muita informação, e uma ideia bastante clara da importância da criação de edifícios mais humanos, saudáveis e que gerem bem-estar. A neuroarquitetura foca tanto em espaços estéticos quanto em aspectos simbólicos.

A neurociência pode mapear o cérebro e entender o que o estimula e que tipo de coisas o ativam. Um edifício cuja arquitetura inspira calma não tem nada a ver com outro que inspira ansiedade, por exemplo.

Neste sentido, a neuroarquitetura trabalha conceitos como a quantidade e projeção da luz ou a altura dos tetos. Sabe como influenciar a criatividade e a produtividade. Considera que os elementos arquitetônicos produzem no cérebro um efeito colaborativo ou uma necessidade de privacidade.

Os elementos

Conhecemos vários elementos arquitetônicos que influenciam o nosso estado mental. Por exemplo, sabemos que os projetos arquitetônicos com ângulos visíveis ou pontudos favorecem o surgimento do estresse. Os espaços retangulares exercem uma sensação menor de espaço fechado do que os projetos de plantas quadradas.

A iluminação é outro elemento importante. A luz artificial deficiente obriga o cérebro a se esforçar mais na tarefa, o que influencia a produtividade, por exemplo.

Os tetos elevados são apropriados para atividades criativas e artísticas. Por outro lado, os tetos baixos favorecem a concentração e o trabalho rotineiro.

As cores condicionam o humor e, portanto, as decisões e as atitudes. As cores verdes reduzem o ritmo cardíaco e aliviam o estresse. Os tons vermelhos estimulam processos cognitivos e de atenção, por isso são de grande ajuda em tarefas que requerem grande concentração mental.

Neuroarquitetura

Em simbiose com o exterior

Nos últimos anos, a neuroarquitetura está compreendendo a importância dos espaços exteriores e da natureza para o correto funcionamento do cérebro. Afinal, isso é tão fundamental quanto recarregar a bateria dos dispositivos eletrônicos. A natureza dá ao cérebro a possibilidade de se desconectar e de se recarregar.

Outro elemento importante na hora de se desconectar é oferecido pelo córtex auditivo. Esta área do cérebro é a que se ocupa de interpretar as vibrações do som. Sabe-se que quando uma pessoa ativa esta área com músicas de seu agrado, gera quantidades extras de dopamina, um hormônio que melhora a concentração no trabalho.