O medo do desconhecido, um dos medos mais comuns

16 Novembro, 2020
Todos nós, em maior ou menor grau, tememos o desconhecido. No entanto, esse medo pode nos paralisar e nos impedir de seguir em frente na vida. Hoje, vamos falar mais sobre esse medo e algumas orientações para escapar dele.

O medo é uma das emoções mais básicas e úteis que podemos experimentar. Ao longo da história, ele tem nos permitido enfrentar situações perigosas ou fugir delas, facilitando a nossa sobrevivência. As pessoas aprendem informações valiosas após enfrentar uma situação ameaçadora: guardamos na memória qual era o principal perigo e como o superamos. No entanto, existem medos que se baseiam, especificamente, na falta dessa informação, como é o caso do medo do desconhecido.

O medo do desconhecido é um sentimento universal e intrínseco. Segundo os especialistas, é um medo fundamental. A incerteza faz parte da vida, porque geralmente não sabemos o que vai acontecer, nem como. Existem pessoas que enfrentam melhor esse sentimento, abordando e considerando possíveis resoluções. Porém, outros têm mais dificuldade em passar por essa situação e ficam emocionalmente bloqueados.

“A emoção mais antiga e forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e forte tipo de medo é o medo do desconhecido”.
– Lovecraft –

Mulher sentindo medo

O medo do desconhecido

Entre os especialistas em psicologia, esse medo também é conhecido como intolerância à incerteza. É definido como a tendência de sentir medo diante de uma situação ou objeto sobre o qual falta informação, e por isso é percebido como um perigo. Ou seja, sentir medo diante de uma situação ou estímulo que não sabemos o que vai nos trazer, acompanhado da percepção de que não será algo agradável.

A origem desse medo, levando em consideração algumas diferenças individuais, é evolutiva. Nossos ancestrais se expuseram a uma infinidade de perigos e, embora tenham aprendido com muitos deles, o risco que corriam ao entrar em áreas desconhecidas podia ser muito grande. Na verdade, o cérebro parece estar preparado para temer o desconhecido.

Aparentemente, a incerteza está codificada no cérebro em seu próprio sistema neural. Além disso, quando nos deparamos com algo novo, um dos primeiros filtros pelos quais a informação passa é se esse objeto ou situação é ameaçador ou não. Para determinar se algo é ameaçador, as nossas redes neurais acessam uma espécie de depósito em busca de memórias de experiências passadas. Se não encontrar nenhuma informação prévia, a novidade é classificada como ameaçadora.

Consequências

Algumas pesquisas sobre o medo do desconhecido descobriram que ele aumenta a atividade da amígdala e do hipocampo, aumenta a negatividade relacionada a cometer erros e ativa o Sistema Inibitório de Comportamentos. Em outras palavras, a incerteza nos causa medo, negatividade e nos paralisa, levando-nos a fugir de novas situações.

Esse medo foi e é adaptativo na medida em que nos faz agir com cautela diante de perigos potenciais. No entanto, a intensidade do medo pode comprometer outras atividades, como procurar novas oportunidades ou conhecer novas pessoas.

Essa paralisia causada pelo medo do desconhecido e suas consequentes desvantagens fazem com que as pessoas aceitem mais as consequências negativas em vez de tolerar o medo e lidar com ele. Além disso, de acordo com um novo estudo, parece que esse medo está relacionado a outros transtornos psicológicos: ansiedade, fobia social, transtorno obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático, abuso de substâncias, depressão, etc.

Homem pensando no desconhecido

5 diretrizes para superar o medo do desconhecido

O medo intenso do desconhecido pode ser a origem e a consequência de outros transtornos psicológicos, impedindo uma vida normal nas áreas pessoal, profissional e social. Nesse caso, seria apropriado fazer uma terapia psicológica com um profissional. Nesse sentido, a terapia cognitivo-comportamental seria a melhor opção, pois ajuda a identificar e modificar os pensamentos que causam desconforto.

No entanto, se o medo não for muito elevado, uma série de diretrizes pode ser seguida para superá-lo e começar a explorar terrenos desconhecidos:

  • Aceitar e identificar o medo. O primeiro passo é entender que o medo é uma emoção natural e que todos nós o sentimos. Faz parte da vida e, geralmente, não se baseia em pensamentos racionais. Também é preciso identificar se o medo é generalizado ou se esconde um medo mais específico, como o medo de morrer.
  • Analisar se existe uma causa específica. O medo geralmente não é causado por uma experiência ruim. Porém, é útil analisar se o medo do desconhecido é produto do aprendizado ou da educação recebida.
  • Questionar os pensamentos. Tentar confrontar os pensamentos que nos levam ao medo é uma das ferramentas mais poderosas. Perguntas como: “Que provas eu tenho para apoiar o meu medo?”, “Que provas existem de que algo ruim vai acontecer?”, “Qual é a pior coisa que pode acontecer?” são importantes. Além disso, relembrar 3 exemplos em que você enfrentou a incerteza de forma satisfatória é muito útil para desmantelar o medo e reduzir a ansiedade que ele gera.
  • Aceitar a possibilidade de fracasso. Diante de uma situação em que não sabemos o que pode acontecer, o controle das expectativas é uma das variáveis ​​que mais ganha peso na gestão emocional. Cometer um erro não é uma coisa ruim e, na maioria dos casos, não tem consequências que não podemos corrigir. Por outro lado, as falhas realmente fazem sentido quando aprendemos com elas, e o novo pode se tornar realmente emocionante quando nos damos a oportunidade de experimentar.

Conclusão

O medo do desconhecido é uma emoção natural que pode nos salvar de alguns problemas. No entanto, também pode nos impedir de atingir determinados objetivos ou de sermos surpreendidos pela própria vida. Assim, uma gestão emocional inteligente nos permitirá tirar proveito desta emoção em prol dos nossos próprios interesses.

Barlow, D.H. (2002). Anxiety and its disorders: the nature and treatment of anxiety and panic (2nd ed.) New York, NY: Guildford Press.

Carleton, R. NORTE. (2012). los intolerancia de incertidumbre construir en el contexto deansiedad trastornos: teórico y práctico perspectivas. Experto revisión deNeuroterapéutica, 12, 937–947. http://dx.doi.org/10.1586/ERN.12.82