O que é o pessimismo defensivo?

O que é o pessimismo defensivo? Qual é a sua relação com a autoestima? Do que ele realmente nos protege? Descubra a seguir!
O que é o pessimismo defensivo?

Última atualização: 25 abril, 2022

Você é pessimista ou otimista? Que tipo de otimismo ou pessimismo você pratica? Neste artigo, vamos falar sobre o pessimismo defensivo, um mecanismo que nos faz esperar o pior, contendo as nossas expectativas para reduzir as chances de sofrimento.

Será que o pessimismo defensivo é realmente eficaz? Como ele se relaciona com a autoestima? As pessoas com autoestima elevada são mais autoconfiantes e, portanto, tendem a adotar um estilo mais otimista? Como sempre acontece quando há muitas perguntas, não há uma resposta única e certeira, e diferentes autores oferecem respostas muito diferentes. Não perca as suas respostas!

Pessimismo defensivo: O que é?

O pessimismo defensivo é um conceito da psicologia que alude à ação de nos protegermos diante de uma determinada situação, colocando-nos previamente no pior cenário. Assim, se algo der errado, sentimos como se tivéssemos nos “protegido” das consequências negativas, embora, na verdade, as experimentamos da mesma forma (ruim).

As pessoas que adotam o pessimismo defensivo esperam o pior (antecipando-se a ele) para evitar a desilusão ou decepção em caso de fracasso; para elas, parece eficaz pensar que as coisas não vão dar certo (elas não colocam a sua esperança no melhor), porque isso as leva a investir menos energia.

Além disso, elas também se sentem mais preparados para enfrentar as dificuldades ou problemas (mas também sentem menos entusiasmo). Por outro lado, as pessoas otimistas sempre esperam o melhor e, portanto, é mais fácil a realidade ficar abaixo das suas expectativas.

Mas será que o pessimismo defensivo é realmente útil ou ele nos faz viver pela metade? Será que ele realmente nos protege? De que? Vamos explorar essas questões ao longo do artigo.

“O pessimismo é a desculpa dos fracos para abandonar a luta pelo que desejam.”

-Anônimo-

mulher pessimista

Relação com a autoestima

Como o pessimismo defensivo está ligado à autoestima? Qual é a relação entre os dois conceitos? Em primeiro lugar, diremos que, em linhas gerais, a autoestima é a consideração (ou apreço) que temos por nós mesmos (me sinto satisfeito comigo mesmo?). Tem a ver com a forma como nos tratamos, o que nos dizemos, como cuidamos de nós mesmos, etc. Por sua vez, a autoestima está ligada ao autoconceito, que seria a avaliação global de si mesmo (como me descrevo?).

Alguns especialistas como, por exemplo, a psicóloga Natalia García, acreditam que o pessimismo defensivo é um mecanismo que geralmente é utilizado, em maior medida, por pessoas com baixa autoestima. No entanto, a realidade é que todos nós, independentemente de termos uma maior ou menor autoestima, já usamos o pessimismo defensivo em algum momento.

Baixa autoestima?

O que acontece quando as pessoas com baixa autoestima usam o pessimismo defensivo? Essas pessoas podem chegar a abandonar as situações que elas acreditam que levarão ao fracasso, a fim de “proteger” o seu autoconceito (ou autoestima). Assim, temendo que algo ruim aconteça, elas evitam que toda e qualquer coisa ocorra.

Um exemplo de alguém com baixa autoestima que usa o pessimismo defensivo seria uma pessoa que, por medo de reprovar, não vai à aula, não faz as provas, não faz os trabalhos, etc. Assim, a sua maior motivação seria não falhar e, por isso, quando essa possibilidade existe, a pessoa simplesmente evita a situação.

Com frequência, essas pessoas inventam desculpas para si mesmas a fim de justificar as suas ações e seus fracassos. Elas não se perguntam o seguinte: será que o fracasso é não ter tentado?

“Viver não é só existir, mas existir e criar, saber gozar e sofrer e não dormir sem sonhar. Descansar é começar a morrer.”

-Gregorio Maranon-

Do que o pessimismo defensivo nos protege?

Do que o pessimismo defensivo realmente nos protege? Aqueles que usam esse mecanismo, assim como os seus defensores, argumentam que ele protege contra os maus momentos, possíveis fracassos e, acima de tudo, decepções.

É como se jogássemos uma partida de futebol e nunca chutássemos para o gol; nunca “falharíamos”, mas também não marcaríamos nenhum gol. Essa metáfora fala justamente disso, de que a vida está cheia de situações que exigem passar para a ação. Se não fizermos nada, talvez possamos ter a sensação de que sofremos menos, mas, ao mesmo tempo, perdemos a oportunidade de aproveitar a vida de verdade.

Assim, em relação à pergunta: do que o pessimismo defensivo nos protege? Talvez, a priori, pareça que ele nos protege das decepções, mas, na verdade, ele está nos limitando. De qualquer forma, usar o pessimismo defensivo diante das diferentes situações da vida é tão válido quanto usar o otimismo ou outros mecanismos; cada pessoa deve encontrar a própria maneira de sentir e agir, aquela que estiver em harmonia com os seus valores e com a forma como entende a vida.

Quem disse que temos que viver apenas de uma forma? O importante é não deixar de aprender e ser flexível para mudar, se a situação exigir ou se assim quisermos.

“Para cada decepção vem o seu esquecimento”.

-Anônimo-

Bonecos de massa de modelar, um otimista e um pessimista

Pessimismo defensivo: pode ser útil?

No entanto, nem todos os autores acreditam que o pessimismo defensivo seja uma coisa “ruim”. As psicólogas Julie Norem e Nancy Cantor (Wellesley College, Massachusetts, EUA) defendem esse conceito em seu livro O Poder Positivo do Pensamento Negativo. Outros autores também abordam o conceito, como Fernando Rojas em seu livro A força do otimismo. Por sua vez, Norem e Cantor acreditam que o pessimismo defensivo é eficaz e útil diante das dificuldades.

De acordo com as autoras, quem adota o pessimismo defensivo está mais bem preparado para um fracasso, pois, no  seu pensamento, esse fracasso era quase certo (ou seja, “já existia”). Pode parecer contraditório, mas, pensar de forma negativa pode ajudar essas pessoas a investir menos esforço e energia para alcançar um objetivo.

“Quando você se prepara para o pior é fácil ter surpresas agradáveis, e se o pior acontecer, você já está preparado para isso; desta forma, controla-se melhor a ansiedade porque as expectativas são baixas.”

-Julie Norem e Nancy Cantor-

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