O que é uma insurgência?

agosto 17, 2019
A insurgência é um termo complexo. Neste artigo, tentamos defini-lo e identificamos os fatores que possibilitam o seu sucesso.

Falar sobre insurgência é algo confuso. Por exemplo, o Estado Islâmico é uma insurgência ou um grupo terrorista? A resposta é complicada devido às mudanças que este grupo tem sofrido. Entretanto, qualificá-lo como uma insurgência dependerá de como se define a insurgência.

Embora a definição de insurgência seja apresentada abaixo, podemos falar sobre alguns grupos que foram considerados insurgências. Entre eles, os mais conhecidos são o Estado Islâmico, a Al Qaeda, o Boko Haram, as FARC, o Taleban, o Hezbollah, o Hamas, o ETA e o IRA.

Embora alguns deles já tenham desaparecido, em alguns momentos de sua história foram considerados grupos insurgentes.

Feridos na guerra

Definição de insurgência

Encontrar uma definição precisa e de baixa complexidade de insurgência é uma tarefa difícil. No entanto, é possível destacar alguns pontos comuns apresentados pelas diferentes definições de insurgência.

Dessa forma, uma insurgência pode ser entendida como as ações realizadas por um grupo minoritário dentro de um estado para forçar uma mudança política. Portanto, o seu objetivo é político.

Além disso, a insurgência faz uso da propaganda e pressão militar para persuadir ou intimidar a população. O objetivo é obter apoio popular. Assim, o reconhecimento e a aceitação pela população serão fundamentais e determinarão, em grande parte, o seu sucesso ou fracasso.

Finalmente, a insurgência é caracterizada pela desigualdade entre as forças. Como o estado geralmente tem muito mais poder, as insurgências optam por confrontos assimétricos e prolongados, nos quais a guerra psicológica se torna a principal ferramenta.

“A verdade é tão poderosa quanto um animal selvagem e, assim como ele, não pode permanecer enjaulada”.
– Veronica Roth –

Como se inicia e se consolida uma insurgência

Para que uma insurgência seja criada, os seguintes fatores devem ser observados:

  • Criar uma identidade política relevante: os insurgentes devem garantir que a identidade que propõem se torne mais importante do que outras identidades, a ponto de estarem dispostos a defendê-la combatendo.
  • Sinalizar uma causa atraente: deve haver algum tipo de queixa que a população compartilhe.
  • Atrair o apoio popular: se os seguintes fatores forem atendidos, isso se tornará mais provável.
  • Ter uma liderança sólida: a liderança dá coerência, coordenação e credibilidade ao grupo.
  • Prevalecer sobre grupos rivais: ser mais forte que outros grupos ou até mesmo colaborar com eles para assegurar a sobrevivência da insurgência.
  • Ter um refúgio: os santuários ou abrigos podem garantir a sobrevivência da insurgência.
  • Buscar apoio externo: o apoio de outros estados pode ser decisivo.
  • Esperar o comportamento errôneo das autoridades políticas: um mau desempenho do estado poderá trazer o apoio da população à insurgência.

“Como filho do povo, eu nunca poderia esquecer que o meu único objetivo deve ser sempre a sua maior prosperidade”.
– Autor desconhecido –

Classificação das insurgências

Geralmente, as insurgências são divididas em nacionais e de libertação. Nas nacionais, a insurgência se opõe a um determinado governo por causas ideológicas, étnicas, econômicas, etc.

Nas de libertação, os insurgentes enfrentam um regime sustentado ou controlado por estrangeiros.

No entanto, existem outras classificações possíveis, como a baseada nos objetivos perseguidos pelos insurgentes. Esta classificação dá origem a três tipologias:

  • Poder e projeto político: esses grupos tentam assumir o controle do estado para implementar um novo regime.
  • Poder político e territorial: neste caso, os grupos buscam acabar com uma ocupação estrangeira ou, em outras palavras, com a independência nacional.
  • Autonomia política local ou tribal, gerando ou mantendo uma situação que está além do controle do Estado. Esses grupos tentam minar a autoridade do governo em um estado parcial ou totalmente falido para, posteriormente, tomar o governo.
Soldados em guerra

Os cinco pilares da atividade insurgente

Os insurgentes podem usar cinco instrumentos estratégicos para atingir os seus objetivos. São os seguintes: luta armada, propaganda, assistência social, ativismo social e político juntamente com relações exteriores.

  • Luta armada: o uso da violência é comum nas insurgências, as técnicas que costumam usar são de guerrilhas e, como apoio, o terrorismo.
  • Propaganda: através da propaganda buscam conquistar as mentes e os corações da população, tanto nacional quanto internacionalmente.
  • Assistência social: para obter apoio e mobilizar a população, as atividades e assistência social são muitas vezes outras das estratégias utilizadas pelos grupos insurgentes.
  • Ativismo social e político: a criação e infiltração em associações cívicas, sindicatos e até partidos políticos é outro dos pilares das insurgências.
  • Relações externas: o apoio internacional é uma grande vantagem, por isso as insurgências procuram alcançá-lo.

Diante disso, podemos deduzir que as insurgências se assemelham a outros grupos violentos que fazem uso do terrorismo e das guerrilhas. Diferenciá-las não é fácil. Entretanto, os fatores que tornam possível o seu surgimento e sucesso já são conhecidos.

  • Guindo, M. G. (2013). Insurgencia y contrainsurgencia. In J. Jordán (Ed.), Manual de Estudios Estratégicos y Seguridad Internacional (pp. 15–43). Madrid: Plaza y Valdés.