Por que há pais que abandonam seus filhos?

12 Dezembro, 2020
O que está por trás do pai ou da mãe que abandona um filho? Sabemos que as feridas desse ato são profundas, mas também é preciso entender o que motiva essas situações. Vamos analisar com mais detalhes.

Existem pais e mães que abandonam seus filhos e que, em algum momento, desistem das suas responsabilidades e optam por ir embora. As narrativas que os casos de abandono de crianças traçam são múltiplas, tão variadas e particulares quanto as pessoas envolvidas nessas situações. Assim, embora saibamos muito bem que nada pode ser tão devastador para uma criança quanto essas experiências, existem situações que podem ser compreensíveis.

A pobreza e a escassez de recursos são, em muitos casos, o fator mais comum. Existem pais muito jovens, por exemplo, que optam por entregar seus filhos para adoção ou deixá-los nas mãos de parentes. Nessas situações, não poderíamos falar de “abandono”, mas é verdade que às vezes a própria sociedade as julga dessa forma.

Estamos diante de uma realidade tão dura quanto multifacetada em termos de desencadeadores, situações e realidades particulares. Existem experiências que criam verdadeiros traumas nas crianças. Não podemos ignorar que a ferida dessas experiências é profunda e, muitas vezes, permanente. Crescer sem pai, chegar à adolescência sem a figura da mãe, deixa marcas e carências.

Vamos nos aprofundar um pouco mais nesse tema.

Criança com balão de coração

Razões que explicam por que há pais que abandonam seus filhos

No nosso dia a dia, muitas vezes descobrimos histórias dramáticas que nunca deveriam acontecer. Apesar de sermos uma sociedade cada vez mais avançada, as crianças continuam sendo abandonadas.

Bebês recém-nascidos continuam aparecendo em lugares inesperados, e grande parte daqueles que conseguem sobreviver se escondem por trás de histórias tristes de mães no limite, onde os serviços sociais não chegaram.

Sabemos que existem muitos tipos de situações e que algumas são totalmente compreensíveis, mas outras nem tanto. Seja como for, há um fator que costuma estar presente: o abandono de um filho não é uma decisão momentânea, não é algo que se escolhe de um momento para o outro. Em geral, há um longo processo de meditação e reflexão em que, pelos motivos que forem, a via mais dramática é escolhida.

Vamos analisar os desencadeadores mais comuns.

Problemas financeiros em pais que abandonam seus filhos

A pobreza, a falta de recursos e a exclusão social costumam ser os fatores mais comuns para que um pai (ou ambos) escolha abandonar seus filhos. Nesse caso, é imprescindível que a própria sociedade saiba detectar e agir a tempo para não chegar a essas situações extremas.

Abuso de drogas, alcoolismo

O abuso de drogas e a exclusão social muitas vezes andam de mãos dadas. No entanto, também pode haver o caso de um casal em que um dos membros tenha se perdido no alcoolismo. Como se costuma dizer, filhos de pais alcoólatras tendem a viver dois tipos de abandono.

O primeiro ocorre no próprio lar, quando o descuido, o desleixo ou mesmo a violência podem servir de prólogo ao que pode acontecer mais tarde, que nada mais é do que o abandono definitivo do núcleo familiar.

Gravidez indesejada

Se nos perguntarmos por que existem pais que abandonam seus filhos, é importante falar sobre a gravidez indesejada. Nesse contexto, podem surgir situações muito diferentes. Os estupros são um fator, assim como a gravidez de menores de idade. São situações extremas, nas quais muitas jovens se sentem sozinhas sem saber como agir.

Por outro lado, outros tipos de situações podem ocorrer. Há casais que acabam tendo um filho sem ter planejado. Enquanto um dos progenitores assume com expectativa esse novo estágio, o outro não vivencia a situação da mesma maneira. Mais cedo ou mais tarde, a pessoa pode decidir sair de casa para sempre.

Fugir das amarras, os pais imaturos

Existem pais e mães imaturos carentes de instinto materno, progenitores de ambos os tipos que, a qualquer momento, podem optar por abandonar um filho. Nem todo mundo está preparado para essa responsabilidade e, mesmo que busque um filho de maneira voluntária, a realidade mostra que tudo o que isso acarreta está desesperadamente além dessas pessoas.

Em média, o abandono é mais comum durante o primeiro ano de vida, mas a mãe ou o pai imaturo pode tomar essa decisão a qualquer momento, independentemente dos filhos terem três, cinco ou dez anos. Chega um momento em que a decisão já está ponderada e a pessoa opta por fugir de qualquer compromisso.

Menina sentada em píer

Problemas com o parceiro: o abandono como uma forma de recomeçar

Para entender por que existem pais que abandonam os filhos, é preciso se aprofundar nos problemas de casal. Os desentendimentos, as separações, os divórcios complicados, a dificuldade de chegar a acordos sobre a pensão ou a guarda dos filhos levam muitos pais à opção mais radical de todas: o abandono definitivo.

  • Essas realidades são especialmente difíceis para as crianças. Além de serem testemunhas de todo o processo de distanciamento, brigas e do ambiente difícil entre os pais, em certos casos elas podem se sentir culpadas pelo abandono definitivo de um dos pais.
  • Por outro lado, algo comum tende a acontecer. O pai que abandona tende a reiniciar sua vida com novos parceiros, formando outras famílias. Nesses casos, um novo abandono pode ou não ocorrer. Porém, é sempre tão dramático quanto chocante o fato de que, em decorrência de desentendimentos com ex-parceiros, alguém opte por deixar de fazer parte da vida de um filho.

Para concluir, como bem podemos ver, as razões pelas quais alguém abandona uma criança são tão complexas quanto condenáveis ​​em muitos casos. É claro que existem situações que podem ser compreendidas; outras, em contrapartida, são claramente passíveis de punição. Seja como for, é necessário, na medida do possível, criarmos meios para que essas situações não ocorram.

A ausência de um pai ou de uma mãe é um abismo incurável na vida de uma criança. É, também, uma ferida indelével no adulto que teve que crescer com esse vazio. Vamos nos lembrar disso.