Parto humanizado e sua importância psicológica

Durante o parto humanizado, a mulher se sente livre e acompanhada e se torna dona de sua experiência. Descubra quais os benefícios psicológicos que esse tipo de parto traz.
Parto humanizado e sua importância psicológica

Última atualização: 08 junho, 2022

O parto é um momento relevante na vida da mulher, em que ela se encontra muito vulnerável emocionalmente. É também um processo para o qual o corpo está preparado, mas no qual muitas vezes não lhe é permitido atuar. Ele é acelerado, medicalizado, se intervém excessivamente, se anulam as decisões da mulher, e isto tem sérias conseqüências psicológicas. É precisamente por isso que é essencial estar consciente da importância de um parto humanizado.

Só dois anos atrás é que a violência obstétrica generalizada começou a se tornar visível. Milhões de mulheres vivenciaram partos traumáticos e emocionalmente dolorosos por negligência médica, partos que hoje lembram como extremamente negativos. Mas mesmo naqueles que se dão bem sem nenhum abuso ou negligência aparente, a intervenção pode ter sido excessiva ou inadequada.

O parto humanizado deve ser um direito em todas as ocasiões, pois as consequências são graves e ocorrem tanto a curto quanto a longo prazo. Mas o que exatamente está acontecendo e como podemos evitar isso?

Mulher olhando para seu bebê
Em relação ao parto humanizado, podemos falar de quatro tipos de respeito: a fisiologia do parto, os desejos e necessidades das mulheres, os direitos das mulheres como usuárias do sistema de saúde e os direitos do bebê.

Parto traumático e suas consequências

Um parto não humanizado é aquele em que o desenvolvimento do processo não é permitido e a mulher é privada de sua capacidade de conhecer, decidir e ser acompanhada emocionalmente. Quando isso acontece, a mãe pode vivenciar o parto com muito medo, angústia e sofrimento.

Além do desconforto vivenciado, uma série de consequências psicológicas importantes pode ser desencadeada. O risco de depressão pós-parto aumenta consideravelmente, dando origem a uma série de dificuldades no vínculo com o bebê. A mulher pode evitar engravidar novamente ou até desenvolver tocofobia, e o transtorno de estresse pós-traumático pode aparecer nos casos mais graves.

Além disso, é provável que a mãe não receba apoio durante o puerpério e que todo o ambiente minimize o negativo de sua experiência. Muitas delas tentam abraçar a ideia de que já estão com o filho nos braços para esquecer tudo o que aconteceu durante o parto. No entanto, uma mudança de abordagem evitaria essas consequências desagradáveis.

O que é parto humanizado?

Felizmente, cada vez mais mulheres, associações e profissionais estão lutando e defendendo a importância do parto humanizado. Em linhas gerais, é aquele em que o próprio corpo da mulher se permite orientar o processo e que se dá em um ambiente acolhedor e afetuoso. Sob esse prisma, o trabalho dos profissionais de saúde não é intervir, mas acompanhar, observar e supervisionar.

O parto é da mulher e seu bebê. Para garantir isso, é aconselhável realizar uma série de medidas:

  • Respeitar a fisiologia do parto, seus tempos e exigências. Assim, sempre que possível, deve-se evitar intervir, aplicar hormônios sintéticos, realizar cesarianas ou episiotomias desnecessárias ou obrigar a mulher a permanecer em posições que não sejam as mais adequadas (por exemplo, deitada na cama).
  • Oferecer informações claras e confiáveis à mãe em todos os momentos. Ela precisa saber o que está acontecendo, se ocorrer alguma complicação, quais opções ela tem e quais são os prós e contras de cada uma. Da mesma forma, será seu direito decidir sem ser infantilizada pelos profissionais e sem que eles façam escolhas sem o seu consentimento.
  • Acolher e acompanhar as emoções das mulheres. Permitir a expressão de medo, angústia, cansaço ou dor, validando o sentimento delas. Infelizmente, muitas vezes as mulheres grávidas são julgadas, criticadas ou reprimidas a esse respeito.
  • Permitir que a mulher coma ou beba se desejar, mude de posição quando necessário e seja acompanhada por quem ela decidir.
  • Respeitar o direito de mãe e filho de estarem juntos após o parto, de praticar o contato pele a pele e de estabelecer e desfrutar da amamentação sem interferência.
Mulher com seu filho nos braços após o parto
O parto humanizado baseia-se no tratamento empático com a gestante e o bebê.

Uma experiência de parto livre, própria e positiva

Se os critérios acima forem atendidos, é mais provável que a mulher vivencie o parto com menos ansiedade, em decorrência da maior confiança em seu corpo e nos profissionais que a acompanham. Elas se sentirão respeitadas, ouvidas, acompanhadas e acolhidas em um processo que tem um impacto psicológico potencialmente enorme.

Assim, a experiência do parto será muito mais prazerosa e o puerpério mais positivo. A mulher se sentirá mais ligada ao seu bebé e mais capaz de lidar com a amamentação ou a maternidade. Além disso, os distúrbios psicológicos terão muito menos probabilidade de serem desencadeados por esse evento.

Em suma, o parto humanizado é um direito que, embora cada vez mais presente, precisa que continuemos caminhando nessa direção.

Pode interessar a você...
Depressão pós-parto: tenho um filho e não posso estar triste
A mente é maravilhosa
Leia em A mente é maravilhosa
Depressão pós-parto: tenho um filho e não posso estar triste

Esta frase, que não é uma das mais associadas à gravidez, se repete na cabeça de um grande número de mulheres que sofrem de depressão pós-parto.



  • Creedy, D. K., Shochet, I. M., & Horsfall, J. (2000). Childbirth and the development of acute trauma symptoms: incidence and contributing factors. Birth27(2), 104-111.
  • Martinez-Vázquez, S., Hernández-Martínez, A., Rodríguez-Almagro, J., Delgado-Rodríguez, M., & Martínez-Galiano, J. M. (2022). Relationship between perceived obstetric violence and the risk of postpartum depression: an observational study. Midwifery108, 103297.