3 metáforas e exercícios para enfrentar a ruminação e os sentimentos de angústia

Se você não para de pensar em um assunto ou geralmente se apega demais às suas preocupações, essas metáforas vão te ajudar a ver as coisas de outra maneira.
3 metáforas e exercícios para enfrentar a ruminação e os sentimentos de angústia

Última atualização: 06 junho, 2022

A ruminação e os sentimentos de angústia intensos se retroalimentam mutuamente. Além disso, a ruminação atua como um reforço negativo. Às vezes, ela nos faz evitar vivenciar sentimentos que classificamos como negativos por causa do valor social atribuído a eles. Com o nosso pensamento, acreditamos que estamos neutralizando-os. No entanto, não nos familiarizarmos e evitá-los a todo custo tem um custo vital muito alto.

Quanto piores as estratégias que usamos contra o desconforto que diferentes eventos internos podem gerar, mais tendemos a nos afastar de outros eventos vitais que podem ser novos, genuínos e criativos.

Algumas pessoas, em seu objetivo de evitar a ruminação e as sensações desagradáveis, utilizam comportamentos de fuga altamente incapacitantes a longo prazo: drogas, jogo, compras compulsivas, trabalho ou exercício em excesso, isolamento social, etc.

Como enfrentar a ruminação e os sentimentos de angústia

mulher preocupada

A seguir, vamos compartilhar algumas metáforas para nos relacionarmos com a nossa atividade mental de uma maneira diferente. Em várias ocasiões, os pensamentos persistentes levam a uma ruminação que parece nos dizer algo importante sobre a vida e sobre nós mesmos. Mas, na verdade, quase sempre se trata de um ruído mental.

Dar demasiada importância à ruminação nos leva a nos “apegarmos” com ela, de tal forma que parece que temos que parar as nossas vidas para ouvir o que ela nos diz. Então, o que fazer com a ruminação e os pensamentos automáticos recorrentes? Eliminá-los? A resposta é negativa. Infelizmente e felizmente para nós, os pensamentos não podem ser eliminados da mesma forma que eliminamos a poeira.

Faz séculos que eles nos alertam que algo poderia dar errado, por isso o seu conteúdo ou caráter ameaçador na maioria das ocasiões. Portanto, eliminá-los completamente não é algo que se faça apenas porque se quer, mas a sua intensidade e surgimento diminuem se nos relacionarmos com eles de uma maneira diferente.

Portanto, não podemos eliminar os pensamentos apenas porque queremos. Os pensamentos e eventos internos geralmente aparecem automaticamente e sem a nossa vontade. Conforme dissemos, para nos relacionarmos melhor com nossos eventos internos, podemos usar uma série de metáforas e exercícios experienciais.

1. O exercício das peças de um quebra-cabeça inacabado

Este é um exercício a ser feito preferencialmente sob a orientação de um profissional da saúde mental. Crie algumas peças de quebra-cabeça de tamanho médio. Faça-as de tal forma que você possa desenhar ou escrever nelas.

Reflita sobre todos os temas que habitam os seus pensamentos de forma obsessiva e incessante desde a infância. Por exemplo, rejeições interpessoais, suposições sobre fatos concretos, complexos físicos, etc.

Se, neste momento, você sentir um desconforto interior, não comece uma batalha contra ele. Depois disso, tente estar ciente da sua influência em determinados momentos. Lembre-se dos muitos momentos em que você evitou, fugiu ou não chegou a uma conclusão simplesmente porque se refugiou na ruminação e em seu mundo interno para tirar conclusões supostamente “verdadeiras” sobre os outros e sua situação de vida.

Então, tente combinar as peças do quebra-cabeça. Infelizmente, poucas peças poderão se encaixar. Pelo contrário, elas não parecerão construir nada de relevante ou com um formato. Essas peças refletem a quantidade de conteúdo em forma de ruminação que determinou sua vida, mas que nunca te levou a construir algo significativo.

Nas ocasiões em que você conseguiu agir apesar de terem aparecido, você experimentou experiências novas e únicas, que talvez confirmaram o pior da ruminação, a contrariaram ou simplesmente não tinham a ver com ela. O importante é que, em inúmeras ocasiões, afastar da mente a ideia de estar certo facilitou que você vivenciasse novas experiências que te afastaram do isolamento e da passividade.

Neste momento, você novamente tem mais peças na cabeça que não consegue encaixar? Você está ciente de que o desconforto que causam é temporário? Você deve estar ciente de que sempre haverá uma nova peça com um tema diferente tentando se encaixar na sua mente. Ainda que você não encontre o desejo de agir agora, apesar de ter esses eventos internos, isso é algo que você possa mudar no futuro? Você pode melhorar a sua qualidade de vida apesar de ter a ruminação e abrigar emoções desagradáveis?

2. A metáfora da esteira

Você já usou uma esteira na academia? É algo bastante relaxante, mas imagine que a sua jornada de caminhada ou corrida é atormentada por uma ruminação constante. Seu objetivo é conseguir andar em um ritmo constante; no entanto, as preocupações cotidianas começam a te atrapalhar.

Você começa a pensar que tem muitas obrigações que deixou inacabadas e a sentir ansiedade enquanto está na esteira. Você se lembra de que precisa comprar alguma coisa, ligar para alguém ou terminar o trâmite administrativo que tanto te incomoda.

No entanto, o seu objetivo diário é se exercitar durante pelo menos uma hora por dia. Sempre que faz isso, você se sente melhor. Você libera endorfinas, o seu corpo se ativa e relaxa ao mesmo tempo. Você sente que libera toxinas e se sente melhor durante resto do dia.

Porém, não há como deter os pensamentos que te tomam, assim como a culpa que te atrapalha ao mesmo tempo que há um sentimento de não estar onde deveria. Seus pensamentos são como uma força antigravitacional que te afasta e obstrui a sua meta diária.

Você pode começar a imaginar os seus pensamentos como algo que te acompanha em vez de algo que fica à sua frente para te impedir de andar. Deixe que eles escutem a música com você. Convide-os para ver a tela da máquina; talvez você esteja assistindo televisão ou alguma plataforma de séries.

Reflita com eles sobre a quantidade de tempo material que você gasta no seu dia a dia sem fazer nada, de tal forma que manter o foco em caminhar ou correr naquela esteira faz você otimizar o seu tempo, não desperdiçá-lo.

Afinal, a nossa passagem pela vida é como andar nessa esteira. Nossa ruminação nos oprime enquanto fazemos algo e nos envia para um lugar ou situação que não queremos. Pensamos em contas, brigas ou lembranças ruins para fugir de uma realidade da qual podemos ou não gostar.

Às vezes, esses pensamentos podem nos acompanhar enquanto fazemos o que planejamos. No entanto, em outras ocasiões, prestamos atenção a eles. Tanto nossos pensamentos quanto nossas emoções podem ser vivenciados como algo tão aversivo que evitamos até mesmo a vida e algumas situações para ignorá-los e neutralizá-los. Mas, você está ciente de tudo o que implica sair da esteira e da vida a longo prazo?

Mulher pensando

3. A Metáfora do Mr. Potato

Você se lembra do boneco Mr. Potato? Ele entreteve muitas crianças durante anos e continua a fazê-lo. A brincadeira consiste em formar o rosto de um boneco, com traços muito marcantes, mas que não deixam de imitar um rosto humano.

Agora pense: quantas vezes você tentou moldar as pessoas no seu pensamento como se fossem o Mr. Potato? Em vez de atributos físicos, você pressupôs para eles características de personalidade que se adaptam ao que você espera das pessoas.

Durante alguns momentos, as pessoas precisam ser divertidas, disponíveis ou ter abertura para novos cenários sociais. Enquanto isso, em outros momentos, as pessoas devem te dar a razão, compartilhar valores com você e se comportar de forma ética. Dependendo da época, você vai querer formar um Mr. Potato humano de acordo com a sua preferência, mas o que você cria na sua mente sempre acaba te consumindo, pois você não dá a opção de que te surpreendam na realidade.

Suposições e exigências demais sobre um ser humano com defeitos e virtudes, assim como você. O Mr. Potato nunca parece estar perfeitamente formado, fazendo com que você pare de brincar com qualquer um que decidir. No entanto, parar de brincar significa parar de se divertir e evitar o contato com outras pessoas. Exatamente o que já aconteceu com você tantas vezes.

Pense e reflita: é esse o laço social que você quer? Pode ser que algumas de suas exigências e expectativas estejam te afastando de experiências autênticas com os outros, muito além do que você tenta construir sobre eles.

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  • Guacanéz, M. A. A., & Forero, I. A. U. (2021). Terapia de Aceptación y Compromiso y uso de metáforas para promover flexibilidad psicológica. Indagare (9).
  • Pérez, M. L. V., Sánchez, B. S., Lahera, B. H., & Bebber, M. (2018). Aplicación de la terapia de aceptación y compromiso (ACT) en un adulto con rumia. In Avances en psicología clínica 2018: Libro de capítulos del XI Congreso Internacional y XVI Nacional de Psicología Clínica (pp. 261-273). Asociación Española de Psicología Conductual AEPC.