O que é o pensamento computacional?

31 Janeiro, 2021
Pensar de um jeito computacional significa saber solucionar problemas de forma mais inovadora, colocando as novas tecnologias a nosso favor na hora responder às necessidades humanas num futuro cada vez mais complexo.

O pensamento computacional é uma habilidade que pode abrir várias portas no futuro. Saber formular problemas, organizar logicamente a informação e pensar de maneira abstrata são processos que formam as bases de uma abordagem cognitiva de alto valor. Num mundo cada vez mais complexo, precisamos saber lidar com os desafios que surgem à nossa volta.

Isso significa aprender a pensar como as máquinas? Na verdade, não. Esse tipo de abordagem também integra muitas daquelas áreas que a inteligência artificial não alcança ou controla no momento. Isso porque, no raciocínio computacional, também entra o pensamento lateral, a habilidade de gerir emoções variadas e, acima de tudo, de compreender o comportamento humano.

Sendo assim, essa abordagem busca algo além do que costumamos associar ao termo “computacional”, ou seja: algoritmos, chips ou sub-rotinas sofisticadas de computadores, por exemplo. O intuito é fazer frente às problemáticas que poderão surgir nos próximos anos, unindo a tecnologia à humanidade, as necessidades às respostas e os desafios às inovações.

Vamos analisar um pouco mais esse assunto.

Pensamento computacional

Pensamento computacional: definição, características e finalidade

O pensamento computacional é um termo que foi criado nas teorias de Seymour Papert, um pioneiro na área da inteligência artificial e inventor da linguagem de programação Logo, em 1968. Foi ele quem propôs em 1995 a necessidade de reformular a educação para que o currículo escolar contemplasse a chegada dos computadores e de suas linguagens, no intuito de que o mundo tivesse mais pessoas formadas na área da computação.

O doutor Papert estabeleceu as bases dessa abordagem ao longo dos anos 90; depois que ele faleceu, foi a vez da doutora Jeannette Wing desenvolver ainda mais essas ideias. Através de trabalhos de pesquisa como Computational thinking and thinking about computing, a engenheira de computação e ex-vice-presidenta da Microsoft explica que o pensamento computacional pode influenciar todas as áreas de atuação.

Ela também insiste em uma ideia: a de que esta nova habilidade deve ser integrada à formação escolar. É mais uma habilidade essencial que dará suporte a qualquer área no futuro: seja na engenharia, nas ciências humanas ou exatas… Vejamos, portanto, o que é o pensamento computacional. 

Definição

O pensamento computacional é um processo cognitivo de alto nível que nos permite pensar de maneira científica quando resolvemos problemas. Por exemplo, já sabemos que os computadores e as novas tecnologias facilitam nossas vidas na hora de solucionar incontáveis desafios. Porém, é preciso ir além disso.

Adicionalmente, a Dra. Wing ressalta que devemos compreender como “pensam” as máquinas para melhorarmos seu funcionamento futuro. Isso é uma questão de saber combinar processos naturais e artificiais, intuição e pensamento lateral, somados aos processos cognitivos extraídos da computação.

Características do pensamento computacional

Essa perspectiva consiste em desenvolver uma série de funções executivas que, na verdade, nós já utilizamos em nosso dia a dia. Apenas não estamos conscientes delas, nem atingimos o potencial que elas têm. De toda forma, nada é mais gratificante que “aprender a pensar melhor”. Graças a essa habilidade, poderíamos resolver de modo mais inovador os nossos desafios cotidianos.

O pensamento computacional se sustenta sobre esses quatro eixos básicos:

  • Decompor: todo problema é formado por pequenas partes que podem ser divididas para uma melhor compreensão;
  • Reconhecer padrões: todo fenômeno, experiência, estímulo, problema ou circunstância geralmente segue um funcionamento interno padronizado que podemos identificar;
  • Pensamento abstrato: este tipo de raciocínio é exclusivo do ser humano. Graças a ele, podemos criar ideias originais ou mais interessantes, prever situações ou cenários para saber como poderíamos agir diante de tais circunstâncias;
  • Algoritmos: um algoritmo é um plano, um conjunto de etapas ou esquemas que nos permitem chegar a uma solução, passo a passo. Graças aos algoritmos, conseguimos elaborar séries de instruções claras e simples para enfrentarmos qualquer encruzilhada. Há aspectos invariáveis que os definem, como o fato de sempre terem um número finito de passos orientados para fins específicos (não-ambíguos), por exemplo.

Etapas do pensamento computacional

Na hora de usar o pensamento computacional, além de conhecer as bases que já analisamos, precisamos compreender outro de seus aspectos. É importante sabermos qual é a sequência que devemos seguir, ou seja:

  • Análise. Ao resolvermos problemas, todo ponto de partida começa por uma análise prévia;
  • Abstração. Saber formular o problema é o segundo passo. O que está havendo? Existe um padrão? Qual estratégia posso empregar? Essa situação me remete a experiências passadas ou relacionadas? Nesse aspecto, o que me vem à mente?
  • Expressar soluções ou propostas. Depois que desenhamos uma estratégia, é hora de aplicá-la, colocando à prova.
  • Avaliação. Depois da execução, vem a avaliação: o resultado desejado foi obtido ou ainda pode ser melhorado?
  • Generalização e transferência. Depois de avaliar o sucesso obtido, podemos usar o que desenvolvemos para aplicar em outras áreas.
Menino estudando

A importância de aprender a pensar

Daniel Kahneman, psicólogo ganhador do Prêmio Nobel e um dos pensadores mais importantes do mundo, observa que, atualmente, vemos muitas pessoas que tomam decisões sem raciocinar (ou seja, por impulso). Mais ainda: até mesmo votam sem saber em quem estão votando. Nada pode ser tão decisivo quanto ensinar as novas gerações a pensar, a ter perspectivas críticas das coisas ou a observar a realidade de maneira mais analítica e reflexiva.

O pensamento computacional é um impulso para o futuro. Ele não apenas nos permite resolver problemas de um jeito mais inteligente, mas também permite que nos coloquemos à frente da inteligência artificial, fazendo com que o mundo tecnológico esteja sempre a serviço da humanidade. Que tal adotar essa prática?

  • Berrocoso, Jesús Valverde; Sánchez, María Rosa Fernández; Arroyo, María del Carmen Garrido (23 de octubre de 2015). «El pensamiento computacional y las nuevas ecologías del aprendizaje». Revista de Educación a Distancia 0 (46).
  • Wing, J. M. (2008). “Computational thinking and thinking about computing”. Philosophical Transactions of the Royal Society A: Mathematical, Physical and Engineering Sciences. 366 (1881): 3717–3725. Bibcode:2008RSPTA.366.3717W. doi:10.1098/rsta.2008.0118.
  •  Wing, Jeannette (2014). “Computational Thinking Benefits Society”. 40th Anniversary Blog of Social Issues in Computing.
  •  Wing, Jeannette M. (March 2011). “Research Notebook: Computational Thinking—What and Why?”. The LINK. The Magazine of Carnegie Mellon University’s School of Computer Science. Carnegie Mellon University, School of Computer Science.