Quais são as causas da perda de apetite?

05 Dezembro, 2020
A perda de apetite é um sintoma de algumas doenças, mas também pode surgir devido a fases complicadas ou estressantes da vida. Descubra algumas das suas causas mais comuns.

Sentir uma perda repentina (ou gradual) de apetite. Com quem isso nunca aconteceu? Este é um sintoma que pode ser considerado normal se acontecer em momentos específicos da vida. Porém, quando se torna recorrente ou intenso, devemos ir ao médico para não colocar a nossa saúde em risco.

Reunimos aqui algumas das possíveis causas que explicariam a perda de apetite. Como veremos, essas são causas médicas e psicológicas (às vezes há até uma combinação das duas).

Perda de apetite: por que acontece?

Antes de nos aprofundarmos nas possíveis causas que podem explicar a perda de apetite, vamos explicar no que ela consiste. Ocorre quando a vontade de comer diminui ou desaparece. A perda anormal de apetite, segundo a RAE (Real Academia Española de la Lengua), é chamada de anorexia (que não devemos confundir com o TCA – transtorno de conduta alimentar – que recebe o mesmo nome).

Embora a perda de apetite possa acontecer em momentos diferentes de nossas vidas (e não precisa ser preocupante) – por exemplo, porque estamos passando por um momento específico de estresse-, se ocorrer de forma repetida ou intensa, a situação pode nos levar a ficar doentes. Assim, quando isso acontecer, recomenda-se consultar um médico para avaliar o caso.

Por que a perda de apetite aparece? Listaremos algumas das suas possíveis causas, embora, insistimos, cada caso em particular deva ser avaliado.

Mulher sem apetite

Doenças infecciosas

Existem certas doenças infecciosas que podem explicar a perda de apetite, principalmente aquelas que afetam o trato digestivo, inibindo o apetite por comida.

Algumas são derivadas de intoxicações alimentaresAlém disso, certas intolerâncias alimentares, como lactose ou glúten, também podem diminuir o apetite quando surge um episódio.

Estresse emocional intenso

Quando vivenciamos situações (ou momentos) de intenso estresse emocional, também pode ocorrer perda de apetite. O estresse emocional pode surgir de várias causas: processo migratório, troca ou perda de emprego, mudança, perda ou morte de um ente querido, separação, paixão, nascimento de um filho, etc. Ou seja, tanto as situações positivas quanto as negativas podem gerar esse estresse emocional.

Efeitos colaterais de medicamentos

A perda de apetite também pode ocorrer devido aos efeitos colaterais de certos medicamentos, como aqueles destinados à perda de peso ou psicoestimulantes (para tratar distúrbios como o TDAH). Por outro lado, a quimioterapia também pode causar esse sintoma.

Outras doenças

Existem certas doenças que também podem causar a perda de apetite ou a sua diminuição. insuficiência renal ou cardíaca e as hepatites fazem parte de algumas dessas doenças, além do HIV, como sugere um estudo de Dominguez, Nold, Llorente e Ramirez (2011) realizado pelo Instituto Superior de Ciências Médicas de Santiago.

Outra doença que explicaria a redução do apetite é o câncer. Às vezes, a perda de apetite ocorre em estágios avançados da doença (como insuficiência cardíaca ou renal). Outras vezes, no início.

Transtornos mentais

Alguns transtornos mentais também podem explicar a origem da perda de apetite. Os mais frequentes são depressão, distimia, anorexia, transtornos de ansiedade, esquizofrenia…

O humor

O humor deprimido também pode explicar uma perda repentina de apetite. Isso foi revelado por um estudo de Baena, Sandoval, Urbina, Juárez e Villaseñor (2005). Assim, quando estamos “para baixo” ou mais tristes, tendemos a sentir menos fome (embora existam pessoas que vivenciam exatamente o contrário, e acabam comendo mais).

“O corpo e a mente são universos paralelos; tudo o que acontece em um, deixa a sua marca no outro.”
-Deepak Chopra-

A velhice e a perda de apetite

A velhice é uma fase da vida em que a perda de apetite aparece com frequência (Bofill, 2005). Nesses casos, é chamada de hiporexia (também inclui a perda de apetite em crianças).

Algumas das causas que explicariam a hiporexia em pessoas mais velhas são, por um lado, que os idosos tendem a perceber menos os cheiros e sabores. Também pode ocorrer devido a certas circunstâncias, sociais e pessoais (perda de entes queridos, sentimento de solidão e/ou abandono, efeitos colaterais de alguns medicamentos, etc.).

Senhora idosa sem apetite

A época do ano (verão)

No verão, a falta de vontade de comer ocorre com mais frequência. Isso acontece porque, nessa época, o corpo não precisa de tanta comida para se aquecer (o que não acontece no inverno, por exemplo). Além disso, o metabolismo pode ficar mais lento e, portanto, perderíamos a vontade de comer.

E o que acontece no inverno? Ficamos com mais fome porque nosso corpo precisa de mais comida para conservar o calor e mais energia para queimar e manter a temperatura corporal.

Perda de apetite: escutando o nosso corpo

Como podemos ver, as causas que explicariam por que sentimos uma perda de apetite súbita ou gradual, transitória ou prolongada, são muito variadas: desde estados emocionais intensos ou negativos a situações estressantes, passando por doenças médicas ou transtornos mentais.

O que importa aqui, para não colocar em risco a nossa saúde, é ficar atento ao nosso corpo e observar os nossos sintomas, bem como nossas situações de vida, humor, etc. Essa vigilância fará com que seja mais fácil pedirmos ajuda quando precisarmos.

“A saúde não é tudo, mas sem ela, todo o resto não é nada.”
-Schopenhauer-

  • Austin, J., & Marks, D. (2009). Hormonal Regulators of Appetite. International Journal of Pediatric Endocrinology. https://doi.org/10.1155/2009/141753.
  • Baena, A., Sandoval, M.A., Urbina, C., Juárez, N.H. y Villaseñor, S. (2005). Los trastornos del estado de ánimo. Revista Digital Universitaria, 6(11): 2-14.
  • Bofill, S. (2005). Cuerpos inapetentes. La pérdida de apetito y la desgana en el proceso de envejecimiento de Cataluña. Trabajo social y salud, 51: 47-74.
  • Domínguez, R., Nold, R., Llorente, Y.B. y Ramírez, M.C. (2011). Estado de los conocimientos sobre alimentación y nutrición de las personas que viven con VIH/SIDA. Influencia en la prevención del síndrome de desgaste. Rev Cubana Aliment Nutr, 21(2): 263-274.