Pessoas que causam incômodo desde o primeiro instante

março 30, 2019
Há pessoas que causam incômodo desde o primeiro momento. No entanto, se nos guiarmos por esta primeira avaliação, podemos cair em preconceitos infundados. Devemos analisar com atenção e objetividade o que faz com que sintamos esta rejeição.

Há pessoas que causam incômodo quase desde o momento zero. Às vezes é pela sua atitude, pela forma como nos observam, a maneira como se dirigem aos outros, como invadem espaços, ou até pelo seu modo de falar. É como se em nosso interior se acendesse um sofisticado e, ao mesmo tempo, primitivo sistema de alarme, capaz de nos mostrar de quem devemos nos afastar ou quem devemos tratar com cautela.

Todos já sentimos esta sensação, principalmente quando ainda não conhecemos alguém e nosso cérebro fica atento a uma infinidade de estímulos, pistas e gestos com os quais fazer uma atribuição rápida e decidir se podemos ou não confiar em quem está diante de nós. Cabe destacar, no entanto, que às vezes erramos e estas primeiras avaliações precipitadas podem ser equivocadas.

Por isso, antes de cair nesta atribuição precipitada na qual pesam mais os preconceitos do que qualquer outra coisa, é necessário entender a que se deve este incômodo que sentimos. Especialistas no tema, como Mark Schaller, professor de psicologia na Universidade de British Columbia, indicam que nosso cérebro faz uso de certas respostas cognitivas e comportamentais que têm como objetivo nos “proteger” ou manter a nossa integridade.

Em algumas ocasiões estas reações correspondem mais ao instinto do que a um senso objetivo e realista. Assim, recomendamos estimar ou avaliar a influência de um possível preconceito antes de tomar qualquer decisão. Neste sentido, o melhor é aliar a lógica à intuição.

“Confiar em todos é insensato, mas não confiar em ninguém é uma tolice neurótica”.
-Juvenal-

Casal incomodado um com o outro

Devo ouvir meu instinto diante de pessoas que causam incômodo?

Todos nós fazemos uso, em maior ou menor medida, do que se conhece como “preconceito protetor”. Ou seja, antecipamos ideias e julgamentos sobre pessoas quase de maneira automática. Fazer isso responde, na realidade, a um instinto herdado de autoconservação. Tentamos ser cautelosos diante dos estranhos para nos protegermos.

Um estudo realizado na Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, mostrou que este processo está integrado em nosso cérebro como uma resposta adaptativa para nos defendermos do perigo. No entanto, como já sabemos, isso pode nos levar a atribuições com conotação negativa e até estereotipada. Portanto, diante da dúvida de ouvirmos ou não nosso instinto, a resposta é: nem sempre.

Desta forma, diante de pessoas que causam incômodo em nós, devemos avaliar os seguintes aspectos:

A forma como nos olham

O mal-estar interpessoal diante dos olhares existe. Há pessoas que colocam seus olhos sobre nós com o peso do julgamento e até com o desprezo. Há estudos, como o realizado na Universidade de Tel Aviv em 2018, que mostram que muitas mulheres sentem um claro incômodo diante da forma como são observadas por certos homens.

Isso faz com que um mal-estar psicológico apareça desde o princípio. Neste trabalho foi possível analisar como esta realidade é vivida com frequência em muitos ambientes de trabalho. Nestes olhares existia, por exemplo, uma conotação sexual, de escárnio ou até de desprezo ao marcar uma posição de poder.

Os olhos são a janela da alma

A intuição e os casos em que devemos ouvi-la

A intuição não é um mero palpite. Também não é um processo que corresponda à pré-cognição ou a algum outro mecanismo sobrenatural ou pouco científico. A intuição é o que nos permite agir de maneira rápida diante dos desafios cotidianos, partindo da nossa experiência prévia e personalidade.

Digamos que é como um baú onde vamos guardando tudo que vivemos e experimentamos, no qual também habita nossa essência emocional e estilo de personalidade. Assim, quando precisamos responder a algo de forma automática, a intuição emerge para nos guiar.

Portanto, quando surgem pessoas que causam incômodo em nós, quase sempre há uma razão por trás disso. A intuição nos diz que, talvez, essa pessoa, pelo seu modo de se comportar, seja parecida com alguém que você já conheceu e com quem não teve uma experiência positiva. Essa voz interna avisa a respeito da necessidade de sermos prudentes e, como tal, é positivo ouvi-la.

No entanto, também é importante buscar mais pistas e não tomar uma decisão de forma automática.

O incômodo causado por personalidades opostas

Às vezes basta observar alguém para sermos conscientes de que há uma probabilidade alta de que sejamos incompatíveis com esta pessoa. Isso é muito comum, por exemplo, no caso do perfil introvertido. Estar com alguém que faz uso de uma extroversão exagerada, alguém que invade espaços, que fala em excesso e que ironiza a nossa personalidade reservada é algo que causa muito mal-estar.

Fica claro que nem sempre é bom ficar nas primeiras impressões. No entanto, em algumas ocasiões bastam alguns minutos para sentir aquele incômodo que nos convida a dar as costas.

Tampar os ouvidos diante de pessoas que causam incômodo

Para concluir, assim como há pessoas que causam incômodo, o curioso é que também surgem aquelas com quem, sem sabermos como, nos damos bem instantaneamente. Pessoas que têm magia e com quem tudo se encaixa e se ilumina. No fim das contas, a vida tem um equilíbrio interessante. No entanto, sempre é importante revisar nossas primeiras impressões, seja em um sentido ou em outro.

Às vezes vale a pena aprofundar um pouco mais, já que em alguns casos podemos ter grandes surpresas. Por outro lado, caso o incômodo e o mal-estar sejam evidentes e constantes, vale a pena dar atenção ao instinto e à intuição para estabelecer uma distância adequada de quem provoca estes sentimentos em nós.

  • Bareket, O., Shnabel, N., Abeles, D., Gervais, S., y Yuval-Greenberg, S. (2018). Evidencia de una asociación entre la conducta de observación objetiva espontánea de los hombres y su respaldo a actitudes objetivas hacia las mujeres. Los roles sexuales: un diario de investigación . doi: 10.1007 / s11199-018-0983-8.
  • McCoy, S. K., & Major, B. (2003). Group identification moderates emotional responses to perceived prejudice. Personality and Social Psychology Bulletin29(8), 1005–1017. https://doi.org/10.1177/0146167203253466