Por que é difícil adquirir hábitos saudáveis?

Todos nós queremos ter hábitos saudáveis. No entanto, os dados nos dizem que na maioria dos casos esse desejo se reduz depois de algumas tentativas.
Por que é difícil adquirir hábitos saudáveis?

Última atualização: 31 maio, 2022

Por que não comemos frutas e vegetais todos os dias se sabemos que eles são saudáveis? Por que não fazemos atividade física com frequência se os benefícios são conhecidos? Por que achamos difícil beber no mínimo dois litros de água por dia? É que adquirir um novo hábito saudável não é uma tarefa fácil e requer tempo, dedicação e esforço.

A verdade é que a mente humana não gosta de mudanças porque implicam um grande gasto de energia. Ela prefere ficar no conhecido, no previsível. Busca que tudo permaneça estável, que não haja imprevistos ou mudanças.

Imagine – ou lembre-se da vez que aconteceu com você – que você chega ao aeroporto para pegar seu voo e ouve pelos alto-falantes que ele foi cancelado por tempo indeterminado. Como você se sentiria? Provavelmente estressado, porque essa nova informação exigiria que seu cérebro fizesse um trabalho extra que você não esperava fazer. Assim, as pessoas tendem a fugir das mudanças.

Vamos ver por que adquirir e manter um hábito não é fácil e o que fazer para alcançá-lo.

O que é um hábito?

Um hábito é um comportamento que se repete de forma sistemática. Muitas das ações que realizamos no final do dia são reforçadas, a tal ponto que são internalizadas e assumidas como um modo de vida.

Uma vez que a ação se torna um hábito, a mente não precisa mais se esforçar. Sempre funcionará para automatizar tudo o que parece uma recompensa, como obter prazer, por exemplo.

Por que quase sempre acabamos abandonando um hábito saudável?

São vários os motivos pelos quais não conseguimos consolidar e integrar alguns hábitos saudáveis à nossa rotina. Os mais comuns são os seguintes.

Mulher pensando olhando para cima
As mudanças envolvem sair da zona de conforto.

1. Porque focamos em resultados

Na maioria dos objetivos que propomos, focamos nos seus resultados, ou seja, nas metas: perder peso, ganhar massa muscular, obter uma tez perfeita, etc.

Iniciar o processo de incorporação de um hábito saudável enfatizando o que queremos alcançar geralmente gera o efeito contrário, pois embora seja possível alcançá-lo por meio de diferentes estratégias que tendem a ser restritivas -como dietas de descida rápida- ou excessivas, -como o esforço excessivo da atividade física – é realmente complexo sustentá-lo a longo prazo.

Quando focamos em resultados, é mais provável que geremos um efeito rebote, retornando ao sedentarismo e recuperando os quilos perdidos.

Em seu livro Atomic Habits, James Clear afirma o seguinte:

“A alternativa adequada é construir hábitos baseados em mudanças de identidade. Com essa abordagem, começamos focando em quem queremos nos tornar.”

2. Porque nossas crenças nos dizem que não podemos fazer isso

Todos nós carregamos dentro de nós um sistema de crenças que supomos ser verdade na maioria de nossos processos cognitivos. São aquelas suposições que orientam nosso comportamento, podem nos capacitar para atingir objetivos ou podem nos limitar e funcionar como obstáculos. O que fazemos reflete quem pensamos que somos.

“O ser humano age, sente e se desenvolve sempre de acordo com o que imagina ser verdade sobre si mesmo e sobre o ambiente que o cerca. Agimos e sentimos não de acordo com a realidade, mas com a imagem que formamos dela. Os hábitos, sejam positivos ou negativos, são formados da mesma maneira”

Maxwell Maltz

Se uma pessoa pensou toda a sua vida que é boa no esporte, será muito mais fácil pra ela praticá-lo do que alguém que pensa que o esporte não é para ele. Em ambos os casos, a ação de correr é egossintônica com quem eles pensam que são: há harmonia entre seu comportamento e sua identidade, mas enquanto beneficia um, limita o outro.

Fazer um trabalho interior profundo para questionar nossas crenças e reconstruir o diálogo interno é um caminho valioso para incorporar novos comportamentos saudáveis e deixar para trás os prejudiciais.

hábito
Se acreditarmos que não somos capazes de fazer algo, teremos maior resistência a isso.

3. Porque perdemos a motivação

Nossa mente a mente gosta do simples; mede muito a relação custo-benefício. Nesse sentido, não alcançar resultados imediatos, mesmo com grande esforço, muitas vezes é significativamente desmotivador e uma das principais desculpas que encontramos para desistir. O que motiva as pessoas é atingir metas com o mínimo de esforço possível.

Para automatizar um comportamento, precisamos de repetição e tempo. Que melhor do que torná-lo fácil e atraente? Quando desenhamos um plano de ação simples, especificando como, quando e onde, é menos provável que percamos a motivação diante de uma situação adversa.

É mais provável consumir frutas se tivermos algumas delas em uma cesta na mesa, ou beber mais líquido se sempre que saímos levarmos uma garrafa de água na mochila. Ao construir um novo hábito saudável, vamos facilitar as coisas para torná-las mais toleráveis.

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  • Cenarruzabeitia, J. J. V., Hernández, J. A. M., & Martínez-González, M. Á. (2003). Beneficios de la actividad física y riesgos del sedentarismo. Medicina clínica121(17), 665-672.