Por que eu sinto que não sou bom o suficiente para o meu parceiro?

Você costuma pensar que não está à altura do seu parceiro? Essa percepção é mais frequente do que você pensa, embora tenha consequências importantes. Analisamos as causas que motivam esta ideia.
Por que eu sinto que não sou bom o suficiente para o meu parceiro?

Última atualização: 17 julho, 2022

Sinto que não sou bom o suficiente para o meu parceiro, que não estou à altura. A verdade é que temo que, em algum momento, ele me deixe.” São muitas as pessoas que navegam em suas relações afetivas com essa sensação desconfortável e desgastante. E convenhamos, poucas situações são tão prejudiciais ao próprio bem-estar psicológico de uma pessoa quanto abrigar tal ideia.

Além disso, outro fato geralmente ocorre. Quem se vê em desvantagem diante de seu parceiro costuma ter essa mesma visão em qualquer esfera da vida. Trabalho, amizades, aspirações pessoais… Aqueles que acreditam viver sob a pele de um patinho feio, sem um pingo de carisma, talento ou virtude, tornam-se esses atores secundários da vida. Em espectadores sem protagonismo.

Não é bom, legal ou saudável viver condicionado por esse tipo de narrativa interna. Ideias que, na realidade, costumam ter causas muito específicas que valem a pena analisar e compreender.

Às vezes, muitas das mensagens que nossos pais nos disseram na infância tecem essa constante percepção de inferioridade.

Menino triste pensando que eu sinto que não sou bom o suficiente para o meu parceiro
Quando a baixa autoestima está presente em um vínculo afetivo, é comum qu exista uma percepção de inferioridade em relação ao parceiro.

Eu sinto que não sou bom o suficiente para o meu parceiro

Na infância, aprendemos a amar e também a desconfiar dos outros. Nesta fase, podemos aprender a não nos sentir mais do que ninguém, mas também não menos. Avançar pela viagem da vida confiando em nós mesmos e sentindo-se valioso é o melhor nutriente para a satisfação e a autoestima saudável.

No entanto, muitas pessoas sentem que não são boas o suficiente para seus parceiros. Isso dá lugar a vínculos envenenados. São aqueles em que há um medo constante de abandono, ciúmes, pensamentos distorcidos e mil e uma inseguranças associadas ao próprio relacionamento.

Poderíamos dizer que a origem está na baixa autoestima. No entanto, como bem sabemos, essa construção psicológica é amplamente nutrida por nossa interação com o entorno. As figuras que fizeram (e fazem) parte do nosso cotidiano também podem condicionar a visão que temos de nós mesmos.

Vejamos que dimensões costumam estar por trás dessa visão de inferioridade em relação à pessoa amada.

Pais narcisistas, filhos com sentimento de inferioridade

Uma investigação da Universidade de Amsterdã fala dos graves efeitos gerados pelo narcisismo paterno ou materno na autoestima das crianças. Esse tipo de situação estimula as crianças a terem que agradar seus pais e satisfazer as necessidades dos outros, desvalorizando as suas próprias. Tudo isso tem consequências prejudiciais no desenvolvimento psicossocial da pessoa.

Mães e pais narcisistas não fornecem segurança, afeto saudável ou validação. Isso significa crescer com necessidades emocionais significativas e um sentimento de ser inútil e constantemente em desvantagem em relação aos outros.

Uma extensa história de decepções e fracassos no amor

Quando “sinto que não sou bom o suficiente” para meu parceiro, devemos explorar nossa história afetiva. É comum arrastar uma mochila emocional cheia de desencantos, histórias frustradas, decepções e pedaços quebrados de um coração que nunca foi reparado. Tudo isso pode nos fazer pensar que “há algo errado” conosco.

Os fracassos reiterados em questões afetivas também podem afetar a autoimagem, até mesmo fazendo com que a pessoa venha a se ver como “defeituosa”. Estamos falando de um conglomerado de idéias que moldam uma visão claramente prejudicial.

Falta de segurança e confiança em seu relacionamento

Quando o vínculo com a pessoa amada é repleto de dúvidas e medos, sempre há um motivo. E você tem que saber por quê. O problema pode estar em nós (baixa autoestima, traumas de infância, relacionamentos passados não resolvidos…). No entanto, em outros casos o foco problemático não está em nós, mas em um parceiro que não cuida da relação como deveria.

  • Ele pode não estar lhe dando apoio emocional adequado.
  • É possível que ele esteja traçando um tipo de relação unidirecional, onde somente ele decide qual direção aquele vínculo toma.
  • Ele te faz sentir inseguro, te critica, te julga excessivamente…

Às vezes, colocamos o problema em nós mesmos acreditando que não somos “suficientes” para o nosso parceiro, mas na realidade são eles que não são bons o suficiente para nós.

Você se compara com seu parceiro ou com o ambiente dele e se sente em desvantagem

Seu parceiro pode ser muito atraente ou ter um bom emprego. É possível que sua família, seus amigos e seu ambiente imediato sejam definidos por uma série de características que te deslumbram. Ao observar e analisar todas essas características que limitam a vida do parceiro, você se percebe em desvantagem.

Não é algo excepcional. Há muitas pessoas que se sentem prejudicadas pela beleza do outro, por suas conquistas profissionais ou por terem uma família mais idílica e harmoniosa que a nossa. A base desse desconforto é a baixa autoestima e a crença de que os traços positivos do outro são uma desvantagem para você. Essa é claramente uma abordagem problemática.

Mulher olhando triste pensando que eu sinto que não sou bom o suficiente para o meu parceiro
Às vezes, fatores como o desemprego podem fazer com que desenvolvamos uma visão negativa de nós mesmos e nos sintamos em desvantagem em relação ao nosso parceiro.

Você experimentou mudanças em sua vida ou em sua aparência física

O desemprego pode ser um dos fatores, fertilizantes ou precipitantes que favorecem a sensação de não ser bom o suficiente para o parceiro.  A perda do trabalho geralmente acaba produzindo uma erosão significativa da identidade da pessoa, a ponto de desenvolver sentimentos e percepções muito negativos em relação a si mesmo.

Isso pode chegar ao extremo de não se sentir válido ou digno do carinho e admiração da pessoa amada. Por outro lado, fatores como ganhar peso ou sofrer qualquer outra alteração física também podem ter um grande impacto. Perde-se a confiança em si mesmo, a ponto de acreditar que a outra pessoa deixará de nos desejar ou de nos amar.

Encontrar a raiz do problema

Ninguém pode encontrar a felicidade em  um parceiro(ou sem ele) quando a autoestima não está presente, quando a autocrítica é constante e nos sentimos inferiores em qualquer aspecto da vida. É preciso encontrar a raiz do problema dessa desvalorização em relação a si mesmo. Para isso, não hesite em solicitar ajuda especializada.

Abordagens como a terapia cognitivo-comportamental podem nos ajudar a aumentar a autoestima, permitindo que desenvolvamos uma abordagem mental mais saudável. Por outro lado, a terapia focada na compaixão é muito válida para gerar sentimentos de segurança, autoaceitação e autoeficácia.

Pode interessar a você...
Quando temos maior cumplicidade com uma amizade do que com o casal
A mente é maravilhosa
Leia em A mente é maravilhosa
Quando temos maior cumplicidade com uma amizade do que com o casal

Às vezes desenvolvemos uma cumplicidade maior com uma amizade do que com um parceiro. Que consequências isso tem? Descubra!

 



  • Jabeen F, Gerritsen C, Treur J. Healing the next generation: an adaptive agent model for the effects of parental narcissism. Brain Inform. 2021 Mar 2;8(1):4. doi: 10.1186/s40708-020-00115-z. PMID: 33655460; PMCID: PMC7925789.
  • Martinsen KD, Rasmussen LP, Wentzel-Larsen T, Holen S, Sund AM, Pedersen ML, Løvaas MES, Patras J, Adolfsen F, Neumer SP. Change in quality of life and self-esteem in a randomized controlled CBT study for anxious and sad children: can targeting anxious and depressive symptoms improve functional domains in schoolchildren? BMC Psychol. 2021 Jan 21;9(1):8. doi: 10.1186/s40359-021-00511-y. PMID: 33478593; PMCID: PMC7818924.