Por que mentimos?

· novembro 7, 2018

Certamente você já se perguntou por que mentimos. Em geral, mentimos pelo medo das consequências de que algo se espalhe: algo que fizemos, que não fizemos, que ouvimos, que vimos, que falamos ou que soubemos.

Segundo o Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, mentir é “dizer ou manifestar o contrário do que se sabe, se acredita ou se pensa”. Assim, a mentira é a expressão ou a manifestação contrária do que se sabe, se acredita ou se pensa.

Por outro lado, enganar é dar à mentira a aparência de verdade ou induzir alguém a tomar como certo o que não é, valendo-se de palavras e construções aparentes ou fingidas.

Como vemos, a mentira se refere ao fato de o conteúdo de uma mensagem refletir adequadamente ou não a realidade. A ação de enganar inclui o conceito-chave de intencionalidade ou voluntariedade.

Por que mentimos?

Como dizíamos, mentimos devido ao medo das consequências. Mentimos para culpar outra pessoa, por não querer assumir responsabilidades, para fazer mal ao outro ou para não enfrentar problemas próprios ou alheios.

Mentimos para esconder alguma coisa. Mentimos para evitar a vergonha que sentimos pelo que fizemos e por suas consequências.

Entretanto, quando se descobre uma mentira, pode haver consequências negativas para o mentiroso. E mais, às vezes essas consequências são ainda piores do que as acarretadas pelo fato ou pela informação que a pessoa tentou esconder.

Mentimos também para obter vantagens sobre outra pessoa ou para obter um benefício que, dizendo a verdade, achamos que não podemos conseguir. Mentir e enganar são instrumentos para conquistar objetivos. A mentira é, muitas vezes, uma tentativa de controlar e manipular o comportamento alheio.

“Somente as mulheres e os médicos apreciam como a mentira pode ser necessária e benfeitora”.
-Anatole France-

Pinóquio

Também mentimos por outras razões, variadas e complexas. Às vezes a mentira tem um objetivo “positivo”: ajudar alguém, como é o caso das “mentiras altruístas”. Também mentimos para elogiar, alegrar ou tentar deixar os outros mais felizes.

Outra das causas pelas quais mentimos é para não fazer mal aos outros, a fim de evitar conflitos pessoais ou familiares ou para não frustrar planos ou projetos próprios ou alheios. É comum não querer que os amigos ou a família saibam de algo negativo sobre nós ou de algo que pode prejudicá-los.

Em muitos casos, existe um medo real e fundamentado de que familiares, amigos e pessoas próximas sofram por algo que aconteceu. Por não querer fazer mal a essas pessoas, tentamos não dizer a verdade.

Por outro lado, a mentira também pode ser uma forma simples e direta de proteger sua intimidade.

A mentira quase sempre esconde um medo

O mentiroso quase sempre abriga em si o medo, fundamentado ou não, de que a verdade seja divulgada. Além disso, essa sensação envolve o medo de:

  • Ser menos do que os outros.
  • Não conquistar um objetivo profissional.
  • Ser menos atraente.
  • Não sermos amados ou apreciados.
  • Não sermos respeitados.
  • Perder ou deixar de ganhar algo.

Na maior parte das vezes esse medo pode obedecer a motivos justificados a curto prazo, mas não a longo prazo. Com o tempo, dificilmente uma mentira vai resistir ao contraste com os fatos ou servir para cumprir os objetivos pretendidos com ela. E mais, muitas vezes, para manter uma mentira, nos vemos obrigados a continuar mentindo.

Outro medo tão importante ou mais importante do que o anterior é o medo do provável castigo complementar se a mentira que pretende encobrir a responsabilidade ou a culpabilidade própria ou alheia for descoberta. Às vezes, o que leva uma pessoa a continuar com sua mentira é não querer que descubram que ela está mentindo.

“É mais fácil pegar um mentiroso do que um aleijado”.
-Anônimo-

Jurar em falso

Todos temos, em maior ou menor medida, a preocupação de causar nos outros uma boa impressão. Quando queremos salvar nossa pele a qualquer custo, podemos chegar a mentir para apresentar ou manter uma boa imagem de nós mesmos.

Como pudemos observar, mentimos por inúmeros motivos. No entanto, por trás de qualquer mentira existe medo das consequências que não desejamos que se tornem realidade.