Praticar a amabilidade não custa nada, mas vale muito

· julho 4, 2016

Praticar a amabilidade não custa nada, mas muda muito as coisas. É o idioma que o cego pode ver e que o surdo ouve. Porque agir com respeito, presentear cortesia, falar com proximidade e olhar com empatia são gestos que definem a magia das conexões humanas, desses vínculos únicos que nos permitem crescer como pessoas.

Para a psicologia positiva, a bondade e amabilidade fazem parte desse “colchão” emocional que garante boa parte do nosso bem-estar interior. A razão disso está no fato de que são qualidades que projetamos em nosso entorno mais próximo mas que, por sua vez, revertem também em nós mesmos.

Faça com que as suas palavras tenham o tom da amabilidade, que os seus gestos sejam próximos, humildes… Porque mesmo que a bondade não custe nada, vale muito, e não há melhor forma de enriquecer do que praticando o respeito e a autenticidade.

É muito provável que no nosso dia a dia não vejamos muitos gestos amáveis. As rotinas e estas sociedades automatizadas nas quais nos movemos fazem com que muitas vezes percamos essa espontaneidade de ceder um lugar, atender como se deve, retornar uma ligação ou iniciar uma grata conversa com alguém que parece precisar de companhia. Trata-se apenas de ser mais receptivo, de iniciar pequenas mudanças nas quais todos poderíamos ganhar.

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A amabilidade deixa marcas no cérebro

O cérebro é a fonte de todo o nosso mundo afetivo, de nossos processos cognitivos e desses fios que guiam nossas decisões e os gestos mais ou menos altruístas. Um fato que vale a pena considerar é que grande parte desses comportamentos baseados na emotividade tem a sua origem nos conhecidos “neurônios-espelho“.

  • Todos nós possuímos neurônios espelho ou neurônios especulares. Agora, existe a ideia popular de que o cérebro feminino é o que tem um maior número destas células nervosas, mas na verdade ambos os sexos dispõem delas em igual quantidade.
  • Estas afinadíssimas estruturas que configuram o que se conhece como “sistema espelho” permitem, acima de tudo, entender e tornar nossas todas estas ações, sensações e emoções que vemos nos outros.
  • Os neurônios-espelho nos transformam em seres mais sociais e, portanto, guiados de forma natural pelas emoções. Não nos limitamos a imitar, somos capazes de entender que nossas ações causam conseqüências nos outros. Interpretamos emoções alheias para agir de acordo com elas.

Estamos frente a uma engrenagem cerebral maravilhosa, guiada por conexões nervosas que, por sua vez, nos permitem nos conectar entre nós. Mas, o que nos faz ser amáveis? Que tipo de impacto tem, por exemplo, o altruísmo no cérebro humano? Vejamos.

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Segundo a neurociência, a bondade cria mudanças no cérebro

Segundo diversos especialistas em neurociência, aprendizagem emocional e em psicologia positiva, o fato de ensinar as crianças a praticar a bondade desde pequenas gera mudanças notáveis na química do seu cérebro.

  • Um interessante artigo publicado na revista “Edutopia” explica que os gestos baseados no altruísmo e na amabilidade oferecem um ganho de endorfinas muito poderoso ao cérebro. Esta sensação de bem-estar é a forma como o cérebro nos gratifica por alguma coisa que “é correta”, alguma coisa que “está certa”.
  • Esta avalanche de endorfinas cria uma sensação duradoura de orgulho nas crianças, além de bem-estar e um sentido de pertencimento ao grupo. Pequenos gestos de bondade cotidianos se traduzem no mundo emocional da criança como fontes de energia, segurança e autoestima. “Elas se sentem bem fazendo o bem”, e isso é uma marca emocional que deve perdurar para sempre em seu interior.

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Os maravilhosos componentes que estruturam a amabilidade

Se desejamos criar um mundo mais amável de verdade, deveríamos começar tornando-o mais sensível. Porque quem é amável é, acima de tudo, receptivo frente as necessidades alheias e, além disso, dispõe de um sentido do que é agir com respeito, com essa bondade que não exige nada em troca.

Se nos perguntarmos agora o motivo pelo qual não vemos gestos mais amáveis no dia a dia poderíamos dizer que talvez muitos pensem que ser amável é perder tempo. Que oferecer a mão é se arriscar a perdê-la, que investir tempo em alguém é acabar decepcionado a curto prazo. Não devemos pensar assim.

  • A psicologia positiva destaca a importância de atender ao tipo de respostas que damos em nosso entorno. Se oferecemos amargura e frustração, certamente receberemos o mesmo. Agora, se aprendermos a agir com amabilidade, respeito e abertura emocional, investiremos em nosso bem-estar.
  • Algo tão simples quanto mostrar gratidão e ser mais empáticos com nós mesmos e com os outros reduz a carga de estresse e as tensões cotidianas. Pequenas coisas, acredite se quiser, geram grandes mudanças.
  • Dimensões como o altruísmo, o respeito e a reciprocidade são três das raízes mais poderosas sobre as quais se sustenta todo gesto amável.

Praticá-los não vai nos custar nada, e em troca, pode nos trazer uma satisfação inesperada…

Viva com simplicidade, ame com generosidade, desligue o ruído mental e permita-se ser mais livre para se aproximar com maior nobreza e integridade dos que o rodeiam.