O que é o princípio do prazer?

O princípio do prazer pode estar relacionado ao ato sexual, mas vai além dele. É um princípio que intervém nas nossas necessidades e desejos.
O que é o princípio do prazer?

Última atualização: 09 Julho, 2021

Há momentos em que nos sentimos felizes. Sentimos que a felicidade transborda. Acima de tudo, são aqueles momentos em que sentimos que alcançamos o que tanto desejamos. Tudo isso pode estar associado ao princípio do prazer.

Falar do princípio do prazer é se referir a um dos conceitos essenciais da teoria psicanalítica. Sigmund Freud foi o pai dessa corrente e quem nos deixou uma das mais ricas reflexões sobre esse conceito.

Convidamos você a se juntar a nós para conhecê-lo um pouco melhor. Mostraremos do que se trata, porque ele vai muito além do sexual. Falaremos também sobre quais são as objeções ao princípio do prazer que Freud encontrou ao longo da sua exploração clínica.

No que consiste o princípio do prazer?

O princípio do prazer é um conceito que faz parte do modelo econômico da psicanálise, que é aquele que evidencia um fato: contamos com forças que nos impulsionam a buscar um fim, que são chamadas de pulsões.

Sigmund Freud enfatiza esse conceito no seu livro Além do princípio do prazer. É a busca que fazemos para satisfazer nossas necessidades. Em outras palavras, evitar o que não nos dá prazer. Além disso, por meio desse princípio, o equilíbrio seria buscado para manter a excitação ao mínimo.

Então, a partir do princípio do prazer liberaríamos as tensões, pois há uma descarga para podermos voltar ao equilíbrio. O prazer seria aquele que faz com que essa tensão seja reduzida. O princípio do prazer está intimamente relacionado ao “id”, ou seja, nossa parte instintiva. Também está relacionado ao “ego” e ao “superego”, mas o “id” é aquele que tenta descarregar para voltar ao equilíbrio.

Mulher feliz

O princípio do prazer vai além do sexual

Poderíamos pensar que o princípio do prazer está intimamente relacionado à sexualidadePode estar presente porque algumas situações relacionadas à sexualidade envolvem a liberação de tensões. No entanto, nem sempre é assim: a busca pelo prazer nem sempre envolve a sexualidade. Evita-se a dor para que não afete o equilíbrio. Por exemplo, a fome e a sede perturbariam o equilíbrio. Portanto, o princípio de realidade age.

Este princípio impulsiona a satisfação de todas as nossas necessidades. Além disso, ele não age sozinho: anda de mãos dadas com o princípio de realidade e os processos primários.

O princípio de realidade é aquele que regula nossos apetites, ou seja, torna mais fácil adiarmos nossas necessidades e desejos em prol da nossa sobrevivência. Já os processos primários são aquelas questões inconscientes que nos permitem alcançar a satisfação dos nossos desejos. Um exemplo disso seriam os sonhos.

Principais objeções

O princípio do prazer também tem a ver com o da constância, isto é, aquele que ajuda nosso aparelho psíquico a manter a quantidade de excitação em um nível baixo ou o mais constante possível.

Durante sua prática clínica, Sigmund Freud fez algumas objeções ao princípio do prazer. Vamos ver algumas delas:

  • Princípio de realidade. À medida que amadurecemos psiquicamente, entendemos que nem todos os prazeres podem ser alcançados e, portanto, às vezes eles têm que ser adiados, transformados ou não realizados.
  • As neuroses de guerra e pesadelos. Freud percebeu que não se tratava da realização de um desejo, mas sim de uma forma que a pessoa que não vivenciou a angústia pudesse fazê-lo, por exemplo, por meio de sonhos.
  • Compulsão da repetição. Ou seja, reviver o que não é agradável em vez de evitá-lo. Isso seria feito pela pessoa por meio do sintoma psíquico.
  • Jogo “for da”. É um jogo a partir do qual a criança consegue elaborar as ausências maternas repentinas, acontecimento que antes vivia passivamente.

Objeções ao princípio do prazer

Pois bem, Freud percebeu e expressou em Além do princípio do prazer que deve haver algo além do princípio do prazer. Em seguida, sugeriu as pulsões de vida, que são aquelas que andam de mãos dadas com a autopreservação. O que está além dessas pulsões está associado à destruição, o que ele chamou de pulsão de morte.

O princípio do prazer é necessário para a nossa sobrevivência, pois está em sintonia com ele, mas não seríamos nada sem os outros mecanismos associados. Por isso, embora busque a satisfação de nossas necessidades e desejos, existem outros princípios, como a realidade, que ajudam a evitar que isso sempre aconteça.

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  • Freud, S. (1976/1920). Más allá del principio del placer. Obras completasBuenos Aires: Amorrortu.
  • Spilka, J. I. (1997). Reflexiones en torno a: Más allá del principio de placer. Revista de psicoanálisis, 26, 83-106.