Os problemas específicos de linguagem na infância

setembro 15, 2019
Parece normal que as crianças não se expressem claramente em muitas ocasiões. Além da inconsistência normal da idade, existem problemas específicos de linguagem que podem se tornar questões muito maiores se não forem tratados a tempo.

Os problemas específicos de linguagem estão espalhados por toda a população. Eles variam dos mais complexos, que impedem a comunicação, aos mais simples, como confundir a letra “r” com o “l”.

A maioria desses problemas tem uma incidência especial na infância, momento em que o desenvolvimento e a aprendizagem têm o seu ponto mais alto.

O cérebro de uma criança se desenvolve rapidamente e, com ele, também as funções cognitivas mais complexas. É o caso da linguagem, protagonista da nossa evolução como espécie.

A capacidade de se comunicar através de diferentes canais expandiu a gama de atividades coordenadas ao alcance dos seres humanos.

No entanto, a linguagem também é uma habilidade extremamente complexa que precisa ser adquirida e aperfeiçoada durante a infância. Nesta fase, vemos a maioria dos problemas de linguagem que, se não forem tratados, terão um impacto na vida adulta.

Criança aprendendo as letras

O que é um problema específico de linguagem?

Um problema específico de linguagem ocorre em crianças quando elas têm uma dificuldade ou atraso no aprendizado. Como as habilidades cognitivas não são homogêneas em todas as pessoas, esse conceito é usado para casos em que há uma dificuldade específica.

Essa dificuldade, embora possa comprometer as outras habilidades, representa um déficit seletivo para uma determinada aprendizagem, e não um déficit global.

O exemplo mais conhecido é o da dislexia, uma dificuldade para aprender a ler e escrever, apesar de estar associada a uma inteligência dentro dos parâmetros normais.

Maturidade cerebral e desenvolvimento da linguagem

O desenvolvimento da linguagem é gradual e depende do correto desenvolvimento neuronal do cérebro.

Após os 2 anos, aparece o início da linguagem espontânea, um evento que coincide com grandes avanços no desenvolvimento motor; daí a hipótese de um desenvolvimento concomitante. Esse processo coincide com o aumento do grau de mielinização dos neurônios no sistema nervoso.

Aos 6 meses, por exemplo, graças ao desenvolvimento motor e à capacidade de interagir, já é possível esboçar sorrisos. Outro exemplo pode ser quando uma criança de 5 anos, com desenvolvimento motor quase completo, pode executar tarefas verbais mais complexas, como dizer a idade ou repetir 4 dígitos.

O que acontece se houver um dano cerebral precoce?

O dano cerebral precoce costuma ser resultado de um acidente. A primeira deficiência é aquela provocada pela própria lesão devido à alteração neural subjacente aos danos no sistema nervoso. Em seguida, aparecem as anormalidades de aprendizagem como resultado da reorganização cerebral.

A plasticidade cerebral em crianças permite a reestruturação funcional, mas isso não elimina a probabilidade de qualquer tipo de distúrbio do desenvolvimento, que será difuso ou focal dependendo do tipo de lesão.

A dislexia

A dislexia é comumente identificada como a alteração da leitura e da escrita devido à confusão na ordem das palavras, sílabas e letras.

É um dos problemas específicos de linguagem mais comuns. Pode ser o resultado de uma dificuldade fundamental no processamento de informações auditivas e, por sua vez, um problema de origem visuoperceptiva.

Também é interessante notar que essa alteração varia de acordo com o sistema de escrita.

Como identificar um caso de dislexia?

As crianças com dislexia, um distúrbio específico de aprendizagem, têm problemas para entender corretamente aspectos relacionados à linguagem, evidenciados em tarefas de escrita e leitura. Quatro expressões disso podem ser:

  • Falta de atenção: as tarefas podem exigir muitos recursos cognitivos e isso pode causar fadiga mental, que levará a um problema de concentração ou foco.
  • Problemas de lateralidade: incapacidade para identificar direita-esquerda e dificuldades espaciais gerais.
  • Dificuldade para reconhecer e nomear, por exemplo, os dedos da mão.
  • Sentimento de insegurança e teimosia.

Como diferenciar dislexia de discalculia?

A dislexia não representa um déficit específico para figuras numéricas, mas um problema para entender conceitos abstratos ligados à linguagem em geral.

Por outro lado, discalculia é a incapacidade de trabalhar mentalmente com conceitos numéricos. Os principais sinais para avaliar uma discalculia são:

  • Dificuldade em aprender e lembrar de operações básicas.
  • Problemas para identificar e usar corretamente os sinais.
  • Impossibilidade de contar mentalmente e recorrer a estratégias mais rudimentares, como os dedos.
  • Dificuldade em entender conceitos numéricos como “maior que”.
  • Problemas na representação abstrata e espacial de números, resultando em dificuldades para escrevê-los.

Diferenças entre problemas específicos de linguagem e deficiência mental

Os problemas específicos de linguagem são problemas de desenvolvimento que ocorrem apenas na área da linguagem e podem afetar outras áreas.

Por outro lado, a deficiência mental é uma alteração no funcionamento intelectual global, evidenciada nos estágios iniciais de desenvolvimento por meio de uma avaliação intelectual abaixo da média.

Problemas específicos de linguagem: avaliação e tratamento

Primeiramente, a avaliação costuma ser realizada por uma equipe multidisciplinar que pode incluir:

  • Fonoaudiólogo: é responsável por definir em qual área da linguagem o déficit está ocorrendo.
  • Neuropsicólogo: deve realizar uma avaliação das funções executivas quando há uma lesão cerebral. Além disso, poderá fazer um diagnóstico diferencial para descartar outras alterações.
  • Psicólogo: responsável pelo tratamento da parte emocional, uma vez que muitos problemas de aprendizagem costumam se manifestar a partir de uma crise familiar.
  • Professor: os professores são uma peça fundamental, pois são os que geralmente identificam o problema no campo educacional.
  • Outros especialistas: neurologistas, médicos e psiquiatras intervêm na avaliação quando há um dano ou causa orgânica.
Menino com fonoaudióloga

Problemas específicos de linguagem: tratamento

O tratamento de problemas específicos de linguagem também requer o trabalho de vários especialistas. Dessa forma, após identificar o problema, será desenvolvida uma estratégia para corrigi-lo e promover o aprendizado.

O fonoaudiólogo é um profissional que costuma estabelecer uma série de exercícios que ajudarão as crianças a melhorar a sua proficiência na linguagem.

Por exemplo, quando uma criança pronuncia incorretamente as palavras devido a um problema fonético, como trocar a letra “r” por “l”, uma série de exercícios de articulação motora e linguística será desenvolvida para corrigir a posição oral na evocação do som.

A intervenção depende do tipo de problema específico presente. Nesse estágio, é muito importante a participação dos professores em audição e linguagem, cuja função é a atenção particular aos problemas de compreensão e expressão da linguagem.

A participação de um psicólogo é importante para abordar os problemas emocionais e motivacionais que podem estar dificultando o processo.

Como conclusão, deve-se destacar que as crianças apresentam um maior grau de plasticidade cerebral, uma vez que muitas de suas conexões ainda estão sendo desenvolvidas. Por esse motivo, é essencial abordar os problemas específicos de linguagem o mais rápido possível.

Uma criança com dislexia, quando tratada precocemente, poderá desenvolver estratégias e habilidades para alcançar o aprendizado adequado. No entanto, isso será muito difícil para uma pessoa que tentar reverter o problema vinte ou trinta anos após a consolidação do aprendizado incorreto.