Quero ser mãe, mas tenho medo

março 27, 2019

Os tempos mudaram tanto que transformaram a concepção da maternidade, dando lugar a uma boa quantidade de mitos e transformando a gestação em um processo intimidador para algumas mulheres. Mesmo querendo ter um filho, existe um medo de ser mãe que faz algumas se absterem desse desejo devido à complexidade do desafio.

O lado positivo é que atualmente é você, e somente você, quem decide se quer ser mãe ou não. Falamos de uma grande conquista porque há relativamente pouco tempo havia muita pressão social em relação a esse tema.

O problema é que agora algumas mulheres foram para o extremo oposto. Para elas, ter um filho deixou de ser um fato natural e passou a se transformar em algo muito complexo, que é melhor evitar. E isso não é verdade. A única coisa que realmente importa em tudo isso é que cada mulher seja coerente com o seu desejo.

“Tomar a decisão de ter um bebê é muito importante: significa decidir que a partir desse momento seu coração também vai começar a caminhar fora do seu corpo”.
-Elizabeth Stone-

A dúvida de ser ou não ser mãe

O medo da maternidade

Sentir um certo medo em relação à maternidade é perfeitamente normal. Trata-se de uma situação que implica mudanças estruturais, tanto no corpo quanto no projeto de vida. Também é uma experiência que envolve a aceitação de uma parcela de dor física e psicológica.

No entanto, às vezes esse medo também nasce de outras fontes. É possível que você já tenha ouvido histórias que a tenham deixado muito impactada, principalmente de mulheres mais velhas. Há poucas décadas, os partos ocorriam em condições muito difíceis. Não havia uma preparação adequada por parte das mães ou elas não recebiam assistência e atenção completas por parte da equipe médica.

Algumas mulheres também tomam a decisão de não serem mães porque não acreditam que estão preparadas para isso. No entanto, na verdade ninguém está. Uma das realidades da vida é que nunca estamos suficientemente preparados para o que acontece conosco. Nem para crescer, nem para nos separar das pessoas que amamos, nem para envelhecer, etc.

Ao mesmo tempo, é possível que algumas abandonem a ideia de serem mães porque pensam que a vida é muito difícil, ou sentem que vão transmitir aos filhos suas ansiedades, depressões, etc. Talvez estejam enxergando a situação de uma forma muito inflexível e absolutista. Não há uma maneira de excluir da vida sofrimentos, privações ou erros. Mesmo assim, também existem caminhos maravilhosos que podem ser percorridos.

Mulher pensando em ser mãe

Não desistir de ter um filho pelo medo de ser mãe

Seja qual for a fonte do medo, o mais importante é que você não aja contra seus desejos mais genuínos. Se você quer de verdade ter um filho, o caminho a seguir não é deixar de ser mãe por medo, mas fazer uma introspecção para analisar a situação e determinar as possíveis resistências: materiais, sociais ou pessoais.

De onde vem o seu medo? Ele é racional ou não? Você quer realmente ser mãe ou o medo vem exatamente do fato de que você não deseja isso e apenas contempla a possibilidade porque se sente pressionada por algo ou alguém? A introspecção é somente uma das ações que você pode realizar. Você também pode, por exemplo, se informar sobre os serviços médicos aos quais pode ter acesso caso decida ter um filho.

É importante que você saiba qual é a sua cobertura médica, em quais tipos de hospitais poderá ser atendida e quais profissionais estão à sua disposição. Além disso, também verifique se seu serviço de saúde oferece cursos psicoprofiláticos e apoio psicossocial durante a gravidez.

Tonar o desejo mais claro

Além de tudo que já foi exposto acima, também é conveniente que você faça uma avaliação meticulosa da sua situação. Você conta com o apoio de um parceiro ou uma parceira? Conta com o apoio da sua família? Esses dois fatores devem ser considerados antes de tomar a decisão. Ser mãe para agradar aos outros ou deixar de ser mãe porque os outros não veem esse desejo com bons olhos são atitudes que não vão te fazer feliz.

Ao mesmo tempo, analise suas condições socioeconômicas. Você não precisa ser milionária para trazer um filho ao mundo, mas é necessário que possa oferecer uma certa estabilidade a essa criança. Além disso, também é preciso dispor de tempo suficiente para dedicar à criação.

Uma vez que tenha realizado essas ações básicas, provavelmente você se sentirá mais segura em relação ao que realmente quer fazer. O fato de um filho ser desejado ou não costuma ter consequências que vão muito além do momento presente. Esse desejo é o que em muitas ocasiões marca o mais profundo do seu ser. Se você quer ser mãe, lute para isso da melhor maneira que puder. Todo o resto virá como acréscimo.