Não quero que valha a pena, quero que valha o tempo, os risos e os sonhos

Não quero que valha a pena, quero que valha o tempo, os risos e os sonhos

fevereiro 13, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
Não quero que valha a pena, quero que valha o tempo, os risos e os sonhos

Eu gosto das pessoas que valem algo mais do que a pena. Estou me referindo a aquelas pessoas com as quais vale a pena compartilhar a alegria, o tempo, o eco dos risos e inclusive as tristezas. São pessoas que inspiram, que sussurram suavemente que a vida é um bom lugar apesar de tudo, porque enquanto existir alguém com quem desfrutá-la, haverá esperança.

A verdade é que focar o nosso dia a dia na positividade é de grande ajuda. Vivemos tempos difíceis que nos arrastam para uma profunda mudança de consciência. Isto é algo que muitos de nós intuímos: parece que os valores como a igualdade social e a sensibilidade pelos nossos semelhantes são abstrações vazias e obsoletas diante do poder do dinheiro e de uma superestrutura que move os seus fios implacavelmente.

“Qualquer coisa que valha a pena merece os nossos esforços e a nossa atenção”.
–  Ray Kroc –

Nestes tempos de mudança, é preciso valorizar os códigos antigos: recuperar a conexão entre as pessoas, o amor pelas coisas mais simples, mais puras, como o amor e a amizade. Através das pequenas coisas são geradas as grandes mudanças, aquelas que se iniciam com uma pequena crise e provocam muitas alterações.

Atualmente, não devemos perder tempo com o que causa sofrimento, com o que apaga o nosso sorriso ou as nossas esperanças. Queremos pessoas que nos iluminem, queremos janelas abertas e caminhos sem barreiras. Queremos acreditar que é possível criar um mundo melhor se houver uma vontade conjunta.

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As sociedades entristecidas e a busca pela felicidade

A felicidade como um direito constitucional é um aspecto que aparece em várias constituições. Na Declaração de Independência dos Estados Unidos, por exemplo, Thomas Jefferson, John Adams e Benjamin Franklin, escreveram no prefácio que toda pessoa tem o direito de buscar e construir a sua felicidade. O Japão, a Coreia do Sul e, mais recentemente, o Brasil também incluíram este aspecto que, mais do que um sonho, é o respeito mais digno que um homem pode desejar.

“A felicidade não é alcançada através de grandes golpes de sorte, mas com as pequenas coisas que acontecem todos os dias”.
 – Benjamin Franklin –

Sócrates também dizia aos seus alunos que o objetivo de toda pessoa é ser feliz. Segundo esse sábio de Atenas, é preciso investir nas nossas qualidades para darmos exemplos uns aos outros. O Budismo, por sua vez, fala sobre o equilíbrio mental e o desprendimento dos bens materiais. Todos esses pilares, por mais irônico que pareça, estão muito longe das nossas sociedades ocidentais, sempre preocupadas em aumentar as taxas do PIB, negligenciando totalmente uma população que não sabe ser feliz. E se conhecem a receita, não conseguem transformá-la em realidade.

Nós vivemos em um mundo sem alegria. Na verdade, o Informe Mundial da Felicidade, que é elaborado a cada ano, traz evidências de que algo não está bem e nos convida a refletir: os países com tecnologia mais avançada e com PIB mais elevado não são os mais felizes. Pelo contrário, as culturas mais focadas nas relações familiares ou de amizades possuem um nível de bem-estar emocional mais digno, mais pleno e satisfatório.

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Criar um mundo que valha a esperança, não a pena

Criar um mundo que valha a esperança, e não a pena, não é tarefa para um dia. É uma tarefa árdua que requer, acima de tudo, uma mudança de consciência de todas as pessoas, a começar por nós mesmos. Nós sabemos que os governos não veem a felicidade como um objetivo primordial, que as emoções e o bem-estar dos indivíduos foram trocados pelo “bem-estar dos números”, e são eles que orientam nossos ciclos de crescimento e de crise.

“Quando compartilhamos, expandimos a nossa capacidade de sermos felizes”.
– Provérbio Tibetano –

Portanto, é essencial abrir essas janelas internas que a ferrugem de um ambiente pouco facilitador desgastou ao longo do tempo. Chegou a hora de ouvir o nosso mundo interior para conseguir que este mundo valha a alegria, os risos, a esperança, a vida…

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As chaves para a mudança

Pode parecer óbvio, mas algo tão simples como dar importância para a felicidade e o equilíbrio interior pode ser a melhor chave para a mudança. Aplicar isso no nosso dia a dia pode nos ajudar muito.

– Cerque-se de pessoas que lhe proporcionem bem-estar, que o incentivem e que permitam que você seja você mesmo em todas as situações. Afaste-se das pessoas que só lhe trazem preocupações e tempestades de todo tipo.

– A felicidade é, acima de tudo, a ausência do medo. Talvez seja o momento de racionalizar os nossos medos: enfrentar esses medos paralisantes que nos trancam na nossa zona de conforto e transformá-los em algo positivo.

– É preciso entender o significado real da palavra “crise”. Para os gregos, crise significa evolução. É um momento de incerteza, mas é também um período de valiosas oportunidades de crescimento, onde o ser humano dará o “seu melhor” através da resiliência e da criatividade; são momentos vitais onde não há espaço para a desistência.

De acordo com Sonja Lyubomirsky, mais conhecida como a cientista das emoções positivas, cerca de 50% da nossa felicidade está sob o nosso controle. Os outros 50% dependem dos acontecimentos que nos cercam e até mesmo de fatores biológicos. Esta é uma probabilidade aceitável. É um excelente ponto de partida para fazer com que o nosso dia a dia valha a alegria, valha os nossos sonhos, os risos e o nosso bem-estar.

Imagens cortesia de Rafal Olbinski.

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