A relação entre o hipocampo e a autoestima

· abril 11, 2019
A relação entre o hipocampo e a autoestima é tão direta que foi possível observar inclusive que as pessoas com uma visão negativa de si mesmas apresentam um tamanho mais reduzido dessa estrutura cerebral.

A relação entre o hipocampo e a autoestima não poderia ser mais interessante. Essa estrutura cerebral tem um vínculo direto com o senso de identidade, com nossas memórias e com a narrativa interna que criamos baseada em como nos vemos e falamos com nós mesmos. Caso nossa autoestima seja fraca e tenhamos lembranças traumáticas, o hipocampo terá, inclusive, um tamanho menor.

Poderíamos dizer sem nos equivocarmos que, em questão de neurologia, o tamanho importa, especialmente se nos referirmos a uma estrutura bem específica: o hipocampo. Giulio Cesare Aranzio, anatomista do século XVI, chamou desta forma essa pequena região por perceber uma certa semelhança com o cavalo-marinho.

No entanto, por quase quatro séculos ninguém foi capaz de intuir a relevância que tal estrutura tinha em nossa vida. A princípio a relacionavam com o sentido do olfato, e somente no início do século XX Vladimir Béjterev descobriu sua íntima relação com a memória e, acima de tudo, com nosso mundo emocional.

Por outro lado, ao longo do século XXI, pesquisadores como Tim Keller, da Universidade de Psicologia de Carnegie Mellon, em Pittsburgh, descobriram que algumas pessoas apresentam um hipocampo muito maior do que outras. Os taxistas, especialistas em memória espacial, são um exemplo.

As pessoas que praticam algum esporte e que, além disso, fazem uso de uma abordagem otimista, além de contarem com uma autoestima firme, são outro grupo populacional com essa característica neurológica. Um dado interessante no qual nos aprofundaremos a seguir.

“A baixa autoestima é como dirigir um carro com as duas mãos quebradas”.
-Maxwell Maltz-

Relação entre o hipocampo e a autoestima

Como explicar a relação entre o hipocampo e a autoestima?

A relação entre o hipocampo e a autoestima é explicada, sobretudo, por seu vínculo com uma segunda estrutura: a amígdala. Esta pequena região do sistema límbico é conhecida especialmente por despertar a sensação de medo, de alarme e de ameaça. Desta forma, se a amídala não é ativada de maneira constante e funciona corretamente, o hipocampo realiza suas tarefas normalmente.

Muitas vezes, quando tentamos definir a felicidade de maneira simples, sempre recorremos à mesma frase: “felicidade é a ausência de medo”. Não podemos deixar de lado o quanto essa emoção pode ser devastadora para as nossas vidas e também para o cérebro. A angústia, a sensação de ameaça constante e a experiência de nos sentirmos indefesos criam uma neuroquímica muito prejudicial que afeta, em maior grau, o próprio hipocampo.

Hipocampo, emoções, identidade e saúde

No final de 2018, a Universidade de Renming, na China, realizou um interessante estudo para entender a relação entre o hipocampo e a autoestima. Embora já houvesse trabalhos a respeito deste vínculo, os pesquisadores queriam obter mais dados. Para isso, realizaram testes de ressonância magnética em uma ampla amostra da população:

  • Todas as pessoas no estudo receberam, em primeiro lugar, a escala da autoestima de Rosenberg.
  • Mais tarde, o volume do hipocampo foi medido através de ressonância magnética.
  • Desta forma, foi possível ver esta associação de maneira efetiva. As pessoas com autoestima alta apresentavam um hipocampo com maior conectividade e tamanho.
  • Esse dado era ainda mais evidente quando, além disso, um terceiro fator era acrescentado: o fato da pessoa ter uma vida ativa e fazer exercício físico.
Fazer atividade física melhora a autoestima

Baixa autoestima, memórias traumáticas e hipocampo

A relação entre o hipocampo e a autoestima é, portanto, evidente. Há um circuito neural que apresenta maior conectividade sempre e quando a pessoa exercita algumas dimensões básicas no dia a dia:

  • Otimismo.
  • Gratidão.
  • Alegria.
  • Relaxamento.
  • Autoimagem positiva.
  • Autoconfiança.
  • Relaxamento.
  • Exercício físico.

Mas, o que acontece quando apresentamos uma baixa autoestima? Bom, deve-se dizer que essa dimensão costuma variar bastante ao longo do tempo. Há momentos em que nos sentimos mais seguros, confiantes, dias em que nos apreciamos muito mais. Outras vezes, dependendo dos fatores que nos cercam, essa visão positiva pode ser enfraquecida.

Tudo isso não afetará nosso hipocampo. Na realidade, essa estrutura só é danificada quando uma pessoa sofre de estresse pós-traumático e apresenta uma baixa autoestima crônica. Este fato é muito comum, por exemplo, em pessoas que sofreram abuso na infância.

Em tais situações, essas lembranças evocadas que são integradas no hipocampo sempre têm um aspecto negativo e doloroso. Essa sensação de insegurança e de autoimagem negativa ativa nossa amígdala. Aparece novamente o medo. Surge a sensação de alerta, de perigo constante. Aos poucos surge o cortisol no sangue, o que pode acabar prejudicando o hipocampo, reduzindo seu tamanho.

É, sem dúvida, um fato muito chamativo que deve nos fazer refletir.

Como fortalecer a relação entre o hipocampo e a autoestima?

Chegados a este ponto, podemos nos fazer essa mesma pergunta. Como podemos fortalecer a relação entre o hipocampo e a autoestima? Como cuidar dessa área neurológica e dessa construção psicológica?

Há um fato que devemos considerar. Não basta atender à nossa identidade, ao nosso autoconceito ou à nossa autoimagem. A autoestima também se relaciona com a nossa narrativa interna, ou seja, com a maneira como falamos com nós mesmos. Fazer isso com compaixão, afeto e respeito nos fará fortalecer muito mais esse músculo da nossa personalidade.

Mulher feliz

Por outro lado, há alguns aspectos que devem ser levados em conta. A boa saúde do hipocampo, assim como da memória e das nossas emoções, também depende da nossa saúde. Desta forma, tentar manter o estresse sob controle nos ajudará diretamente.

Estabelecer tempos de descanso físico e, sobretudo, mental, são estratégias sensacionais para a prática diária. Comecemos a gerar mudanças para ganhar em bem-estar.