Robert Hare, biografia de um psicólogo criminalista

Robert Hare é um psicólogo que dedicou toda a sua carreira ao estudo dos psicopatas. Graças a ele, hoje temos uma boa compreensão desse tipo de pessoa.
Robert Hare, biografia de um psicólogo criminalista

Última atualização: 11 março, 2022

Robert Hare é uma das grandes autoridades em psicologia criminal. Em particular, ele estudou a psicopatia em profundidade, por mais de 30 anos. Sua obra é uma das mais completas em relação ao assunto e por isso é um dos intelectuais mais consultados sobre o assunto, inclusive por entidades como o FBI.

Uma das grandes contribuições de Robert Hare é a famosa escala PCL. Isso se tornou um instrumento usado em todo o mundo para detectar traços psicopáticos e, em particular, a possibilidade de que estes possam levar a atos violentos.

Robert Hare recebeu um grande número de prêmios em todo o mundo. Ele também trabalhou em centros de investigação criminal e foi conselheiro de presos no Reino Unido. Lá ele projetou programas para o atendimento de criminosos psicopatas.

Se eu não tivesse estudado psicopatas na prisão, teria feito isso no mercado de ações.”

-Robert Hare-

Homem falando ao telefone
Os psicopatas não têm empatia emocional, mas têm empatia intelectual ou cognitiva.

Quem é Robert Hare?

Robert Hare nasceu em Calagary (Canadá), no ano de 1934. Não se sabe muito sobre sua vida pessoal, mas sim de seu trabalho. Ele estudou psicologia na Universidade de Alberta e completou um mestrado na mesma instituição. Ele obteve um doutorado em psicologia experimental da Universidade de Western Ontario em 1963.

Em seguida, ingressou como professor na University of British Columbia (Vancouver, Canadá). Lá ele começou uma carreira brilhante, focada em psicopatologia e psicofisiologia. Anos depois, ele se tornaria o diretor do Laboratório Hare, na mesma universidade.

Robert Hare fez uma extensa pesquisa sobre psicopatia. Isso permitiu que ele fornecesse uma grande quantidade de evidências empíricas associadas a esse tópico. Ele começou com os estudos realizados por Hervey Cleckley, pioneiro na investigação de psicopatas. Hare expandiu e refinou os conceitos de seu antecessor.

A psicopatia

Robert Hare lançou uma nova luz sobre os traços que definem um psicopata. Ele disse que nem todos os que se enquadram nessa categoria são necessariamente criminosos. Muitos deles vivem em sociedade, sem nenhum transtorno: casam-se, têm filhos e são bem-sucedidos em suas profissões. Apenas alguns acabam cometendo crimes.

Uma das afirmações mais controversas de Hare é que os psicopatas “nascem assim”. Não importa em que tipo de ambiente se desenvolvam, desde muito cedo mostram traços de indiferença e crueldade para com os outros. Não haveria nem um determinante genético para isso, simplesmente acontece. Portanto, é uma condição que não tem cura.

Hare também disse que cerca de 1% da população é psicopata, estritamente falando. Outros 3% dos humanos teriam alguns traços de psicopatia, mas não se enquadram nessa categoria, embora sejam muito próximos. A maioria deles não são detectados por outros. Eles são até geralmente pessoas muito apreciadas e poderosas.

Características gerais dos psicopatas

De acordo com Robert Hare, o traço essencial dos psicopatas é a falta de empatia emocional. Na maioria das vezes tem empatia intelectual, ou seja, consegue se colocar no lugar do outro e detectar o que sente. No entanto, isso não lhes causa nenhum sentimento ou emoção.

Hare às vezes se refere aos psicopatas como “idiotas emocionais”, o que implica que eles não têm inteligência emocional. Eles também não sabem distinguir o certo do errado, não sofrem de ansiedade, não sentem medo e são capazes de passar por cima dos outros sem sentir nenhum remorso.

No entanto, essas pessoas mostram outra face à sociedade. Eles tendem a ser extrovertidos e não é incomum que eles sejam encantadores para os outros. Eles se preocupam muito com sua aparência e sabem como seduzir os outros com sua personalidade. São loquazes, impulsivos e mostram muita raiva quando não conseguem o que querem.

Uma autoridade no assunto

Em 1980, Robert Hare lançou seu famoso PCL (Psychopathy CheckList ) ou checklist de psicopatia. Lá ele sintetizou os traços que definem um psicopata. Pouco mais de uma década depois, ele publicou o Psychopathy CheckList-Revised (PCL-R). Isso especificou e complementou o primeiro instrumento.

Essas ferramentas o tornaram famoso em todo o mundo e o tornaram uma autoridade no assunto. Seu livro Sem Consciência – O Mundo Perturbador Dos Psicopatas Que Vivem Entre Nós, publicado em 2003, foi traduzido para vários idiomas. É considerado um clássico sobre o assunto, apesar das revelações perturbadoras que faz.

Hare diz que quase todo mundo conhece um psicopata, mas não sabemos identificar eles. Ele ressalta que eles sempre brincam de gato e rato, mas nunca perdem o papel do primeiro. De qualquer forma, se alguém conseguir localizá-los, é melhor ficar longe deles. Eles são manipuladores hábeis, a ponto de o próprio Robert Hare confessar ter caído em suas armadilhas.

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  • Hare, R. D. (2003). Sin conciencia. Paidós.
  • Hare, R. D. (2010). PCL-R: escala de evaluación de psicopatía HARE revisada. Tea.
  • Harpur, T. J., Hakstian, A. R., & Hare, R. D. (1988). Factor structure of the Psychopathy Checklist. Journal of consulting and clinical psychology56(5), 741.
  • Hemphill, J. F., Hare, R. D., & Wong, S. (1998). Psychopathy and recidivism: A review. Legal and criminological Psychology3(1), 139-170.