Rotinas que asfixiam, medos que encarceram

Rotinas que asfixiam, medos que encarceram

agosto 8, 2016 em Psicologia 0 Compartilhados
Rotinas que asfixiam, medos que encarceram

As rotinas nos protegem, tanto que, às vezes, podem se tornar uma verdadeira prisão. Estabelecê-las evita que tomemos algumas decisões diárias que deveríamos adotar se não existissem aquelas costumeiramente fixas. Também nos coloca uma forma de agir que se traduz em um esquema de pensamentos e sentimentos que não mudam.

O preço das rotinas pode ser muito alto. Sim, elas são necessárias; são uma maneira prática de administrar a vida cotidiana. Ao mesmo tempo, porém, e de forma imperceptível, se transformam em uma forma de viver na qual você se refugia e começa a ter medo das mudanças.

“Não são os males violentos que nos marcam, mas os males surdos, insistentes, toleráveis – aqueles que fazem parte de nossa rotina e nos minam meticulosamente, como o tempo.”
-Emil Cioran-

É comum encontrar com pessoas que vivem submersas em uma rotina, mas que a negam o tempo todo. Suspiram, tomam a frente e dizem que estão entediados porque tudo sempre é igual. No entanto, não sentem que têm a força para dizer “basta”.

Assim, para vencer a ditadura das rotinas é necessária uma boa dose de valor. Além disso, é imprescindível uma motivação importante e a confiança suficiente em si mesmo para ser capaz de romper o esquema e adentrar o caminho da incerteza.

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O efeito ensurdecedor das rotinas

O pior de estabelecer rotinas e mantê-las é que você vai se tornando insensível sem perceber. Não é que você deixa de sentir, mas isso acaba restringindo o que sente. Você começa a ter a percepção de que tudo aquilo que não é familiar é perigoso. O novo, o diferente, se transforma em uma espécie de ameaça.

A rotina é um andaime composto por muitas peças. Compreende desde a forma como você administra seus horários habituais e chega a abordar toda a sua concepção sobre o mundo. Você acaba acreditando que deve sentir, pensar e agir de um único modo. Que já compreende toda a realidade e que perguntas não são mais necessárias.

A rotina acaba com a sua curiosidade, diminui sua capacidade de se surpreender. Sobretudo, o deixa surdo e cego a respeito de seu próprio potencial. Você acaba acreditando que só faz o que pode fazer e que seria impossível agir ou viver de outra forma.

O resultado é um certo estado de torpor. Com a rotina, você vive em função de “cumprir”, e não de evoluir ou ser feliz. E o pior: começa a ver a rotina como sua grande realização e sente medo de tudo que pode alterá-la.

O medo de mudar e a resistência à mudança

Viver com paixão é um verdadeiro dom que muitos não podem, ou não querem, experimentar. Significa sentir um interesse genuíno pelo trabalho que desenvolve, um amor autêntico pelas pessoas com quem se relaciona, um verdadeiro entusiasmo diante dos planos para o futuro e de tudo o que há para fazer.

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Por que, então, tantas pessoas veem a vida passar diante de seus olhos e tratam, mais ainda, de “perder tempo” ao invés de viver intensamente? A resposta só pode ser uma: é o medo que as prende em rotinas que funcionam como um escudo. Faz com que elas evitem experimentar o novo, o desconhecido, o desafiador.

A mudança é isso: um desafio. Os convencionalismos, os costumes, a segurança que existe em fazer a mesma coisa sempre para não ter que pensar demais. Mesmo quando a rotina está repleta de situações desagradáveis, muitos a toleram porque o medo de mudar é maior. Isso significaria sair de sua zona de conforto e ter que aguçar sua capacidade de encarar as situações desconhecidas.

Como vencer o medo de sair da rotina?

Cada pessoa deveria estar fazendo o que quer, do modo que quer, com quem quer e onde quer. Ninguém teria razão para se conformar em trabalhar ou viver como não quer simplesmente por medo de mudar.

Com certeza ninguém pode mudar completamente de um dia para o outro. Na verdade, pode sim, mas muitos precisam de um processo mais pausado para conseguir isso. É certo que nem sempre convém romper com tudo, mas basta recuperar algum espaço para ser você mesmo. Como começar? O que fazer para sair dessas rotinas que nos encarceram?

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  • Tire um tempo para você. Por mais exigente ou importante que seja o seu trabalho, ele nunca pode ser mais importante do que você mesmo. Uma parte do seu tempo deve ser dedicada a si mesmo. É nessas partes que você deve focar somente o que verdadeiramente quer: dormir, comer, dançar, seja o que for. O importante é que você sinta que está fazendo única e exclusivamente o que quer fazer.
  • Você precisa brincar. A brincadeira nunca deve ser eliminada. A brincadeira tida como diversão é um espaço de liberdade por excelência. Durante a brincadeira você se reinventa, volta a construir novos significados para o que você é. Jogue cartas, jogue bola, brinque com o que quiser, mas brinque. Atenção: não olhe os outros jogarem. Estamos falando de você ser o jogador.

Não perca contato com a natureza. A natureza exerce um efeito extremamente positivo sobre as emoções e o pensamento. Assim, é muito importante que você procure uma forma de estar em contato com o verde das plantas e com a maneira particular que os animais têm de interagir. A natureza nos ajuda a nos conectarmos com nós mesmos, e isso, por sua vez, nos permite identificar as mudanças que precisamos implementar.

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