O que são os sentimentos contraditórios?

Os sentimentos contraditórios têm a ver com a ambivalência emocional e afetiva que sentimos em relação a certas situações ou pessoas. Podemos realmente sentir amor e ódio ao mesmo tempo? Como sair dessa situação? O que a ciência diz?
O que são os sentimentos contraditórios?

Última atualização: 24 Fevereiro, 2021

Como disse o advogado inglês George Carman, sentimentos contraditórios, assim como bebidas misturadas, são uma confusão para a alma.” A ambivalência e a contradição estão dentro da faixa emocional da normalidade. Quem nunca sentiu isso? Sentir emoções opostas em relação a alguém ou ficar imerso em dúvidas entre o que você quer e o que não quer?

Não é necessário estar em uma época particularmente difícil para sentir amor e ódio ou atração e rejeição por alguém… Esses tipos de situações ocorrem na vida de muitas pessoas e fazem parte da natureza da nossa psique.

A mente não é uma “engenhoca” perfeita, mas não é por isso que devemos nos contentar em sentir essa contradição. Como sair dessa situação? O que realmente são os sentimentos contraditórios? Vamos analisar a seguir.

A mente não é uma "engenhoca" perfeita

O que são os sentimentos contraditórios?

Os sentimentos contraditórios, também chamados de sentimentos conflitantes, são aqueles que aparecem em cada um de nós em diferentes momentos da vida. Ou seja, são sentimentos opostos dirigidos ao mesmo objeto ou situação. Um exemplo simples: sentir amor e ódio por alguém ao mesmo tempo.

É um paradoxo da coexistência emocional que pode causar um forte desconforto, bem como sentimentos conflitantes dentro de si. Nas palavras do próprio Freud (1926), quem é prisioneiro de sentimentos contraditórios “vive um amor bem fundado e um ódio justificado pela mesma pessoa”.

No entanto, os sentimentos contraditórios não incluem apenas amor e ódio (embora geralmente seja o caso), mas também incluem sentimentos de atração, repulsa, afeto, respeito, nojo, raiva, indiferença, etc. Como sabemos, o âmbito emocional é muito amplo e as próprias emoções, individualmente, estão repletas de nuances.

“A dúvida pode provocar emoções contraditórias em nós.”
-Elissa Washuta-

A ambivalência das emoções

O termo ambivalência no espectro emocional foi usado pela primeira vez pelo psiquiatra Eugen Bleuler (1910) para se referir “àquelas situações da vida psíquica em que coexistem sentimentos opostos e de igual força sem poder fazer uma escolha entre um e outro”.

Assim, a ambivalência é usada para designar não apenas situações patológicas, mas também diferentes aspectos da vida psicológica não patológica (isto é, “normal”).

Como lidar com os sentimentos contraditórios?

Aceitar e administrar uma situação na qual existem sentimentos contraditórios dentro de si não é fácil, principalmente se alguns deles são de baixa desejabilidade – como a sensação de libertação que podemos sentir quando uma pessoa de quem cuidamos há muito tempo morre.

O próprio confronto entre sentimentos simultâneos pode gerar frustração, raiva, tristeza, incerteza, indecisão… e pode nos fazer sentir que não estamos avançando (e que não sabemos como avançar). O que podemos fazer? Vamos deixar algumas ideias:

  • Em primeiro lugar, aceite que você está sentindo essas dúvidas e que é exatamente isso que o torna humano. Não se julgue, não é ruim se sentir assim; todos duvidamos, temos medo e cometemos erros.
  • Tente parar e analisar o que você sente por dentro. Dê a si mesmo tempo para pensar, para fluir, e não se pressione a decidir qualquer coisa. Tente recuperar a sua serenidade.
  • Para administrar a ambivalência, é fundamental observá-la de fora, conhecê-la de dentro e entendê-la. Experimente olhar para si mesmo de fora: o que você diria a essa pessoa se não fosse você?

O que a ciência diz?

Vários estudos revelam que sentimentos conflitantes e contraditórios não são necessariamente sinônimos de indecisão, mas sim da complexidade emocional dos seres humanos.

As pessoas têm um mundo emocional tão rico que lhes permite vivenciar esses tipos de emoções aparentemente contraditórias.

Capacidade de diferenciar estados emocionais

Um estudo de 2016 realizado por pesquisadores da Universidade de Waterloo, especificamente por Grossmann, Huynh e Ellsworth, que teve uma amostra de 1.396 pessoas de 16 culturas diferentes, mergulhou nesses tipos de sentimentos com resultados chocantes.

Os participantes deveriam indicar quais emoções experimentaram em determinadas situações da vida (por exemplo, quando tiveram problemas com um membro da família, quando ficaram doentes ou quando estavam sobrecarregados de trabalho).

O que o estudo revelou? Que na cultura ocidental, tendemos a pensar que os sentimentos contraditórios são negativos ou indesejáveis ​​e os relacionamos diretamente com a indecisão. Porém, de acordo com o estudo, pessoas com esse tipo de sentimento contraditório sabem diferenciar melhor seus estados emocionais e também conseguem encontrar um melhor equilíbrio em suas vidas. Curioso, não?

Mulher de cabeça baixa

Reflexões finais

E você? Já se sentiu assim? Como você reagiu nesses casos? Vimos algumas ideias sobre o assunto, embora a realidade seja que não existe uma fórmula mágica para sair desse emaranhado emocional em que podemos nos encontrar imersos.

No entanto, pode nos ajudar ter ciência de que somos seres complexos, que cada um de nós às vezes sente dúvida, e que muitas vezes teremos que conviver com essa ambivalência emocional que nos torna, ao mesmo tempo, seres únicos.

Claro, se você sentir que a situação o oprime, peça ajuda. Você pode sair desse emaranhado, e todas as emoções têm a sua razão de ser: vamos aprender com elas e nos permitir sentir.

Pode interessar a você...
Ambivalência afetiva: quando o amor e o ódio coexistem em nós
A mente é maravilhosaLeia em A mente é maravilhosa
Ambivalência afetiva: quando o amor e o ódio coexistem em nós

A ambivalência afetiva é uma emoção complexa; nela habitam a contradição e a tensão. Um exemplo disso é quando amamos e odiamos alguém ao mesmo tem...



  • Delle Luche, R. & Bertacca, S. (2007). L’ambivalenza e l’ambiguità nelle rotture affettive. Milán: Franco Angeli.
  • Grossmann, I., Huynh, A. C., & Ellsworth, P. C. (2016). Emotional complexity: Clarifying definitions and cultural correlates. Journal of Personality and Social Psychology, 111(6), 895–916.
  • Morgado, I. (2007). Emociones e inteligencia social: las claves para una alianza entre los sentimientos y la razón. Barcelona: Editorial Ariel.