Sexalescentes: a vida aos sessenta anos

Os sexagenários de hoje nos mostraram que é possível continuar aproveitando a vida mesmo depois dos 60. A seguir, explicaremos o motivo.
Sexalescentes: a vida aos sessenta anos

Última atualização: 21 Janeiro, 2021

Há muito tempo, a terceira idade deixou de ser a última no ciclo evolutivo. Por este motivo, já não é válido se referir a pessoas com 60 anos ou mais como sexagenários. Não. Agora devemos chamá-los de sexalescentes.

Até 40 anos atrás, os idosos começavam sua reta final aos 60 anos, quando se preparavam para a aposentadoria, frequentavam as reuniões na praça do bairro, levavam os netos para passear e o casamento que durava muitos anos se tornava letárgico, com poucos passeios e cuidados. Atualmente, os idosos fazem parte de um palco composto por determinadas características.

Antes, os homens usavam cabelos brancos, as mulheres não usavam calças ou muita maquiagem. Na estética, eram priorizadas cores que se aproximavam da finitude: marrom, preto, cinza, azul escuro, cores que remetem à morte ou ao luto e, é claro, nada de design ou de moda, muito pelo contrário: a austeridade em primeiro lugar.

Se um senhor usasse jeans e tênis, “estava tentando ser um adolescente”. Se uma senhora usasse maquiagem, salto alto ou blusa colorida, ela estava “perdida” ou “queria competir com a filha”, sem falar em quem se atrevesse a usar leggings coloridas! Além disso, quando a imprensa se referia a alguém de 60 ou 65 anos envolvido em um evento, a manchete dizia: um sexagenário

Mas os tempos mudaram muito. Por isso, hoje assistimos a uma nova velhice, e aqueles avós entre 55 e 70 anos são uma espécie em extinção. Agora, as pessoas na casa dos 60 anos não são mais idosas e trocaram o termo ‘sexagenários’ pelo sexalescentes. 

Sexalescentes viajando

Sou sexalescente!

Os sexalescentes não se conformam em abandonar seu papel no ambiente de trabalho, na vida afetiva e social. Eles coletam suas próprias experiências de vida e as aplicam a novos empreendimentos. Estão motivados para a realização de projetos: podem começar a desenvolver uma empresa ou iniciar estudos universitários porque sentem que têm tempo.

Os novos “jovens” de 60 anos têm entre 20 e 25 anos de vida ativa e dinâmica, e quando as fronteiras da vida se ampliam dessa maneira, muda toda a perspectiva: projetos, amores, mudança de vida, sexualidade, empregos, prazer, forças mentais.

Esta geração se tornou consciente da importância da saúde física. É por isso que eles se exercitam e praticam esportes três ou quatro vezes por semana; eles correm ou pelo menos tentam caminhar 30 minutos por dia. Da mesma forma, nas academias há cada vez mais pessoas com mais de 60 anos malhando o abdômen e fortalecendo os glúteos. Por outro lado, dietas com baixo teor de colesterol e redução de lipídios têm cada vez mais adeptos.

Características dos sexalescentes

Os sexalescentes pertencem a uma geração que foi educada e desenvolvida com mensagens familiares e sociais muito diferentes das de hoje. Eles viviam em uma sociedade em que os papéis eram rigidamente pré-estabelecidos e acompanhados de uma série de preconceitos moralistas. Mesmo assim, tiveram a coragem de romper com essas estruturas e assumir um novo papel de acordo com as reais necessidades e expectativas.

São migrantes tecnológicos: tiveram que aprender a usar novas tecnologias, desde telefones celulares a computadores e notebooks. Isso tem um duplo mérito, pois não sendo nativos da tecnologia, fizeram um esforço cognitivo maior para se adaptar.

Somam-se a tudo isso os avanços da ciência médica que, conscientemente usados ​​em benefício da saúde, melhoram e prolongam o bem viver. A longevidade mostra os avanços tecnológico-médicos com ressonâncias e tomografias, e uma farmacologia avançada que permite prevenir doenças e agir sobre elas.

Por outro lado, o efeito cirúrgico proporciona abdômens lisos, seios proeminentes, enquanto a técnica do botox preenche as rugas e mostra uma tez mais jovem.

Existem tinturas e cremes antienvelhecimento (e seu uso é comum) para mulheres e homens, suas roupas não são mais necessariamente escuras e austeras, ao contrário de 40 anos atrás. Também não é raro ver um sexalescente exibindo uma tatuagem. Então, em geral, a estética dessa geração é diferente.

Além de ter uma estética diferente, podemos constatar que os solteiros, os separados e os viúvos entraram no mercado da sedução e no jogo do amor. Eles se olham no espelho e tentam ser sedutores, e não economizam na sedução quando o assunto é se relacionar.

Amigas idosas curtindo

Sexualidade e vida ativa na sexalescência

O viagra (Sildenafil) renovou a sexualidade e tornou possível o amor após o amor, formando novos casais. Os longevos entendem que têm mais tempo para manter uma relação, mas também mais riscos, e o até que a morte nos separe foi substituído por um até que a vida nos separe.

Pessoas sexalescentes nem pensam em se aposentar. Inclusive, elas repudiam essa ideia. Elas não encontram nenhuma satisfação em como seria entrar na classe passiva. Muitos deles usam o estudo para se manterem ativos. Fazem cursos, se especializam, mas muitos também decidem começar a estudar uma carreira – aquela dívida pendente – e assim se sentem ativos, úteis, com aspirações, motivados e com vontade de continuar vivendo.

Sexalescentes: cheio de vida, mas muitas vezes cercados de preconceitos

Apesar de tudo isso, muitas pessoas enraizadas em certos conceitos preconceituosos têm se dedicado a interpretar os comportamentos dos sexalescentes como uma forma de negação da passagem do tempo. Assim, pensam que uma mãe que se veste de maneira moderna o faz para rivalizar com sua filha, e o homem que usa calças skinny é acusado de ser um “bobo”. Este tipo de rótulo denuncia o classicismo, de acordo com padrões sociais rígidos. Mas nada poderia estar mais longe da realidade sexalescente.

Por trás da sua aparência jovial está uma vida mais inteligente, já que aplica a experiência dos anos vividos em um corpo que já tem bastante tempo. No entanto, nem todos são sexalescentes. Alguns estudiosos apontam que é mais fácil encontrá-los em áreas urbanas com maior densidade demográfica, onde existem diferentes motivadores. Os estímulos e a comunicação são variados, o que gera mais oportunidades de desenvolvimento.

Os sexalescentes estão construindo uma geração que entende que é possível ser otimista e ter uma atitude positiva, energética e dinâmica, mesmo estando ciente das limitações físicas. Portanto, eles argumentam que tudo é questão de atitude, ou seja, pegar o touro pelos chifres e construir a vida que desejam. Eles se perguntam: como eu quero viver os próximos 20 anos da minha vida?

Homem idoso no celular

Qualidade de vida, o “tesouro divino” das pessoas

O otimismo e uma visão positiva da vida geram neurotransmissores benéficos como a serotonina e as endorfinas. Uma vida ao ar livre e esportiva produz BDNF, o fator neurotrófico que protege a produção de neurônios. O estudo e a atividade produzem e aumentam a neuroplasticidade.

A longevidade não apenas modificou e criou um último ciclo evolutivo, a quarta idade, mas esse fenômeno levou a uma modificação total do resto dos ciclos evolutivos. Compreender ou se conscientizar de que a vida não termina aos 60-70 anos tem variado o ciclo da vida adulta: a idade de início de uma relação formal, a de ter filhos, e o início e o fim da adolescência. Portanto, tudo sofreu modificações ao longo dos anos.

Para falar a verdade, não se trata apenas da sobrevivência em termos de número de anos, mas da qualidade com que esses anos são vividos, pois de que adiantaria viver uma velhice decrépita por muito tempo? Parece que esta geração sexalescente já estabeleceu uma cultura e filosofia próprias e prevê para as próximas gerações, que hoje têm 30, 40 e 50 anos, um futuro com mais entusiasmo, uma perspectiva positiva e, acima de tudo, uma melhor qualidade de vida.

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