O que é a síndrome da carência afetiva?

03 Setembro, 2020
Uma das consequências do déficit de amor e carinho na infância é a síndrome da carência afetiva. Quer saber em que consiste e como ela pode ser identificada? Descubra a seguir.
 

A síndrome da carência afetiva engloba um conjunto de características relativamente estáveis ​​em algumas pessoas e surge da falta de afeto na infância. A infância é uma fase em que todo ser humano é profundamente vulnerável. O que acontece durante esses anos deixa marcas duradouras que geralmente se manifestam ao longo da vida.

A falta de estímulos afetivos na infância faz com que o desenvolvimento emocional sofra um bloqueio. O bebê precisa ser reconhecido por meio de carícias, palavras, carinho e também contenção. Quando isso não acontece, ocorre uma falha que impede que a evolução psicológica siga seu curso natural.

A síndrome da deficiência afetiva é caracterizada principalmente pela profunda convicção de que não se é amado. Também existe uma insatisfação essencial consigo mesmo e um medo profundo de ser abandonado. Essas características são mantidas ao longo da vida, mas se manifestam de forma diferente em cada idade.

“Você sabe o que faz a prisão desaparecer? Todo afeto genuíno e profundo. Ser amigo, irmão, amante, é o que nos liberta da prisão. Sem esses afetos, se está morto. Mas cada vez que esses afetos são revividos, a vida renasce”.
-Vincent van Gogh-

A síndrome da carência afetiva na infância
 

Os sinais da síndrome da carência afetiva

Existem alguns traços que estão presentes em pessoas com a síndrome da carência afetiva. Embora muitas possam não ter se sentido amadas, o que diferencia esse sentimento da própria síndrome é a estabilidade dos sintomas.

Os sinais mais comuns da presença da síndrome da carência afetiva são os seguintes:

  • Sentimentos de desvalorização. A pessoa não sente que vale o suficiente, duvida constantemente das suas habilidades e acredita que a maioria das circunstâncias irão exceder suas forças ou capacidades.
  • Percepção de fracasso. Muitas vezes sentem que falharam miseravelmente, mesmo que isso não tenha acontecido. Há uma autocrítica severa e também uma autocensura constante.
  • Falta de amor próprio. É difícil encontrarem virtudes em si mesmos e, quando o fazem, são rápidos em minimizá-las. Eles se desprezam.
  • Retração. É difícil para eles mostrar o que pensam ou sentem aos outros, pois têm um medo excessivo de serem rejeitados. Da mesma forma, quando são efetivamente rejeitados, eles se ressentem profundamente.
  • Instabilidade. Eles tendem a ser instáveis ​​em seus relacionamentos interpessoais. Alternam apego com abandono.

Manifestações de acordo com a idade

Como já destacamos, a síndrome da carência afetiva se manifesta de maneiras diferentes conforme a idade. Porém, os traços essenciais estão presentes em todas as idades, embora sua expressão varie de acordo com o grau de maturidade e com o ambiente.

 

Levando em consideração a idade, estas são as manifestações em cada caso específico:

  • Primeira infância. Corresponde a bebês que choram muito, sorriem pouco e contraem infecções com frequência. É comum que tenham problemas digestivos e que não cresçam o suficiente.
  • Idade pré-escolar. Mostram-se apreensivos no relacionamento com seus colegas e geralmente têm alguma dificuldade na linguagem.
  • Idade escolar. São comuns os transtornos de aprendizagem, a dificuldade de concentração e os sentimentos de diminuição. A criança duvida de si mesma, refere-se a si mesma em termos negativos e tem a sensação de incomodar os outros.
  • Pré-adolescência e adolescência. Os adolescentes tendem a ser impulsivos, ativos e preocupados com a sua aparência. Eles ficam excitados com muita facilidade e podem desenvolver sintomas de vícios.
  • Idade adulta. Há isolamento, confusão de metas e objetivos, bem como um sentimento frequente de fracasso ou conformismo. Não conseguem estabelecer relacionamentos amorosos saudáveis ​​e se limitam ao trabalho.
Mulher triste no campo

O que pode ser feito diante dessa síndrome?

A partir de uma perspectiva realista, a síndrome da carência afetiva nunca pode ser totalmente resolvida, o que não significa que seja impossível encontrar uma saída. É possível aprender a conviver com essa falta e até mesmo tirar proveito dela. O mais difícil de tudo é começar; uma vez dado esse passo, as coisas ficam cada vez mais claras.

 

Nestes casos, o mais aconselhável é iniciar uma terapia psicológica com um profissional experiente. As terapias psicodinâmicas e a psicanálise costumam funcionar muito bem nessas situações. Aqueles que apresentam a síndrome da carência afetiva tendem a idealizar seu terapeuta e ele ou ela deve saber como responder a essa expectativa excessiva.

Não é fácil superar esta situação sozinho, pois é uma realidade muito profunda e é comum que, sem apoio externo, a pessoa acabe boicotando as tentativas de curar aquela ferida que carrega dentro de si. A aproximação da arte, leitura, meditação e esportes são fatores que ajudam muito.

 

Alemán, G. C. (1998). Síndrome de carencia crónica afectiva (Doctoral dissertation, Universidad de Granada).