Síndrome do coração partido: muito comum nas mulheres

Síndrome do coração partido: muito comum nas mulheres

fevereiro 26, 2017 em Emoções 5787 Compartilhados
Síndrome do coração partido: muito comum nas mulheres

Perder um ente querido ou sofrer um dura decepção pode, literalmente, quebrar nosso coração. Estamos falando da cardiomiopatia de Takotsubo, ou síndrome do coração partido, um tipo de patologia que, mais do que quebrar esse órgão, o deforma. Uma marca dolorosa que tem pouco de poético e possui um gênero favorito: a mulher.

Atualmente a síndrome do coração partido ainda não é muito conhecida. Também não fica evidente por que quase 95% dos casos diagnosticados pertencem ao gênero feminino. Contudo, a prevalência existe e não podemos fechar os olhos para uma realidade evidente. O mundo emocional impacta, às vezes, como uma chicotada direto no coração. Sem piedade. Nos faz pensar que vamos perder a vida, embora, por sorte, isso não costume acontecer.

Estima-se que entre 1 e 2% das mulheres diagnosticadas com ataque cardíaco sofrem, na verdade, de síndrome do coração partido. É uma doença que pode ser perfeitamente visualizada nos exames de diagnóstico, porque o coração fica temporariamente deformado do seu lado esquerdo. É a marca evidente desse instante onde o estresse se torna prejudicial no organismo e molda em nossos próprios órgãos, como bom artesão, a marca da dor.

É importante conhecer os seus disparadores e se aprofundar um pouco mais na cardiomiopatia de Takotsubo. Convidamos você a descobrir mais sobre o assunto.

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A síndrome do coração partido, quando a metáfora se torna realidade

Se o som de corações partidos fosse audível, é provável que se transformasse em uma trilha sonora triste muito comum no nosso dia a dia. Mas, apesar da maioria já ter experimentado essa sensação alguma vez, o que provoca a cardiomiopatia de Takotsubo é uma coisa mais delicada, mais profunda e, ao mesmo tempo, complexa.

Quando falamos de problemas cardíacos, costumamos associá-los quase de forma automática aos homens. Se isto é assim, é por um motivo muito simples. Os hormônios protegem – até certo ponto – o coração das mulheres durante grande parte de suas vidas, tornando-as mais resistentes. Mas não invulneráveis. Contudo, a partir da menopausa esta pequena barreira defensiva cai e o coração começa a ser menos resistente ao estresse, à ansiedade

Muitos destes inimigos silenciosamente instaurados nas nossas mentes e corpos vão enfraquecendo o tecido emocional. Até que um dia, basta uma decepção ou uma má notícia para que esse tecido se rasgue completamente. De repente ocorre a liberação de grandes doses de catecolaminas, substâncias semelhantes à adrenalina. A frequência cardíaca dispara até provocar um pequeno dano no músculo cardíaco. Uma deformação.

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O coração não se quebrou, mas quase. A metáfora se torna realidade e temos a sensação de estar morrendo. Os sintomas são semelhantes aos do infarto do miocárdio, contudo, as pacientes costumam receber alta no fim de 3 a 4 dias. O coração encolhe, grita em silêncio, mas se recupera. O tratamento com betabloqueadores sempre é eficaz e não existem sequelas. Mas ninguém garante que não voltaremos a experimentar a síndrome do coração partido…

Cuidar do coração significa também cuidar das emoções

Assim como apontamos no inicio, a síndrome do coração partido ainda não dispõe de muita documentação científica. Foi descrita pela primeira vez nos anos 90 no Japão. Sabe-se também que é mais frequente no verão ou na primavera, em mulheres que já tenham atingido a menopausa.

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Sintomas da síndrome do coração partido

Os sintomas da síndrome do coração partido são:

  • A cardiomiopatia de Takotsubo não tem sintomas prévios. Aparece como um infarto, com a mesma intensidade e com a mesma dor.
  • Sempre aparece em um contexto de estresse intenso, ao receber uma má notícia ou quando a pessoa se sente, literalmente, sobrecarregada.
  • Aparecem arritmias, insuficiência cardíaca, tonturas e uma pressão severa e devastadora no peito.

Administrar as emoções para cuidar do coração

A mente feminina, em geral, costuma ter um pequeno defeito: prioriza as emoções alheias em vez das próprias. No seu afã de proteção e atenção, sempre colocará suas energias na família, nos seus filhos, no seu companheiro… Pouco a pouco suas preocupações e esse delicado mundo emocional se transformam em um buraco negro que, cedo ou tarde, implode.

Por isso, é necessário refletir sobre os seguintes aspectos:

  • Não deixe para amanhã o que preocupa hoje. Drene as suas emoções, dia a dia. Poucos exercícios são tão libertadores quanto liberar o que oprime você, como desabafar o que arde por dentro.
  • Não podemos nem devemos dar solução a tudo que está ao nosso redor. Manter todo mundo satisfeito é um foco de estresse muito destrutivo.
  • A síndrome do coração partido muitas vezes surge após um duro impacto emocional. Fica claro que ninguém pode estar preparado para enfrentar uma perda, uma separação, uma dura decepção.
  • Contudo, o que podemos fazer é estabelecer no nosso próprio interior boas “bases” para que esse impacto “não nos quebre”. Procurando encará-lo com a flexibilidade dos materiais que quando recebem o impacto logo são capazes de recuperar a sua forma original.

Tenha tempo para você, faça exercícios moderados, pratique ioga, e priorize a sua pessoa como você é: a pessoa mais importante dentro da sua vida. Faça do seu coração a sua melhor arma nestes tempos complexos. Nestes entornos onde apenas cabe uma coisa: juntar forças para conquistar a própria felicidade, a própria paz interior.

Imagem portada cortesia Paula Bonet

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