Síndrome neuroléptica maligna: o que é e por que ocorre?

A síndrome neuroléptica maligna é uma complicação séria do tratamento com antipsicóticos. Se não for tratada rapidamente, pode até levar à morte. Vamos ver o que é e por que ocorre.
Síndrome neuroléptica maligna: o que é e por que ocorre?

Última atualização: 19 Junho, 2021

O uso de antipsicóticos está se tornando cada vez mais difundido. Eles não são usados ​​apenas em transtornos psicóticos, mas também foram estendidos ao tratamento de transtornos do humor ou de personalidade. Um dos efeitos adversos que podem causar é a síndrome neuroléptica maligna.

Embora não seja uma complicação comum, é muito grave e pode levar à morte em até 11,6% dos casos. Trata-se de um conjunto de manifestações orgânicas que podem aparecer de forma abrupta ou progressiva e precisam de tratamento imediato.

O que é a síndrome neuroléptica maligna?

A síndrome neuroléptica maligna é uma complicação séria do tratamento com antipsicóticos.  É uma alteração ao nível do sistema nervoso central que pode até levar à morte.

O primeiro caso foi descrito em 1960 devido ao uso de haloperidol. Foi inicialmente chamada de síndrome hipertônica acinética, porque esses são os sintomas mais marcantes.

Está relacionada a agentes que alteram a neurotransmissão do sistema dopaminérgico. Geralmente está associada a neurolépticos ou antipsicóticos, mas também pode ocorrer com outros medicamentos, e às vezes até mesmo com a suspensão deles.

Dopamina

Costuma ser mais comum com antipsicóticos típicos, como as butirofenonas e as fenotiazinas. Os antipsicóticos mais novos, chamados atípicos, estão associados a uma probabilidade menor de provocar essa síndrome. A síndrome neuroléptica maligna pode ocorrer em diferentes situações:

  • Início do tratamento com antipsicóticos. É o mais comum.
  • Associação de vários antipsicóticos.
  • Aumento da dose dos antipsicóticos.
  • Suspensão abrupta de agentes dopaminérgicos como a levodopa.

Em todo caso, é caracterizada por uma ampla variabilidade clínica. Frequentemente, isso dificulta o diagnóstico. No entanto, a rapidez em sua detecção é fundamental para evitar complicações graves.

Por que ocorre?

Existem duas teorias que tentam explicar a causa da síndrome neuroléptica maligna:

  • Alteração na neurorregulação central da dopamina. Isso seria provocado pela ação de antipsicóticos e outros fármacos que têm ação sobre a dopamina.
  • Reação anormal de um músculo esquelético predisposto. Os neurolépticos induziriam uma alteração na disponibilidade normal de cálcio nas células musculares de indivíduos suscetíveis.

A primeira hipótese é a mais conhecida. A dopamina é um neurotransmissor essencial e tem uma grande importância nas patologias do sistema nervoso central. Ela exerce uma função principal na regulação da temperatura e no controle do tônus ​​muscular.

A segunda hipótese estaria relacionada à hipertermia maligna, devido às suas semelhanças com essa síndrome. No entanto, a hipertermia maligna costuma ocorrer após a anestesia, e não com o uso de neurolépticos.

Sintomas da síndrome neuroléptica maligna

A principal característica da síndrome neuroléptica maligna é a hipertermia. Isso se deve à importância da dopamina na regulação central da temperatura.  Geralmente, é acompanhada por outros sintomas, como:

Algumas complicações comuns que podem ocorrer são:

  • Broncoaspiração.
  • Edema pulmonar.
  • Falência renal.
  • Processos infecciosos.
  • Escaras.
  • Alterações neuropsiquiátricas.
Mulher preocupada

Tratamento

Para que o tratamento da síndrome neuroléptica maligna seja eficaz, ela deve ser detectada precocemente. Diante de qualquer suspeita clínica, o primeiro passo deve ser a suspensão imediata dos antipsicóticos. No entanto, quando a causa é a suspensão abrupta de agentes dopaminérgicos, eles devem ser reiniciados o mais rápido possível.

Depois, o tratamento deve ser escolhido de forma individualizada, de acordo com a gravidade de cada caso:

  • Em casos leves: suporte hídrico e metabólico.
  • Em casos graves: agentes farmacológicos, eletroconvulsoterapia e acompanhamento em terapia intensiva.

A hidratação é uma das bases mais importantes no tratamento da síndrome neuroléptica maligna, assim como o suporte hemodinâmico e o equilíbrio do estado ácido-básico e hipoxemia. Também é necessário monitorar o possível aparecimento de complicações graves.

Em alguns casos, é necessária a administração de tratamento farmacológico. Os medicamentos mais usados ​​são:

  • Agonistas de dopamina. Por exemplo: bromocriptina, amantadina, apomorfina, lisurida e levodopa-carbidopa.
  • Relaxantes musculares, como dantrolene (também útil na hipertermia maligna).

A primeira escolha geralmente é a bromocriptina. O tratamento deve continuar por pelo menos 10 dias após a resolução do episódio, pois é necessário eliminar completamente o neuroléptico. Posteriormente, o tratamento deve ser interrompido gradativamente.

Em casos graves, é recomendada a aplicação de eletroconvulsoterapia. Ela facilita a atividade dopaminérgica e, portanto, melhora alguns dos sintomas. Costuma ser usada quando o tratamento não está funcionando.

Os riscos e benefícios das opções terapêuticas devem sempre ser avaliados. Assim, podemos selecionar o que melhor se adapta a cada paciente e a cada situação.  Uma vez passado o episódio, é necessário evitar a exposição ao fármaco causador.

Pode interessar a você...
Psicofármacos ou terapia psicológica? Descubra qual é melhor!
A mente é maravilhosaLeia em A mente é maravilhosa
Psicofármacos ou terapia psicológica? Descubra qual é melhor!

Afinal, o que é mais eficaz quando não nos sentimos bem emocionalmente? Psicofármacos ou terapia psicológica? Saiba tudo neste artigo.



  • Vargas, A., & Gómez-Restrepo, C. (2007). Síndrome neuroléptico maligno. Revista Colombiana de Psiquiatría, XXXVI ( 1), 101-125.
  • Cuesta Lozano, D., Enríquez Calatrava, V., Rodríguez Sánchez, J., García Cánovas, S., Mera Pérez, R., & De Benito Lopesino, N. (2010). SÍNDROME NEUROLÉPTICO MALIGNO. PAUTAS DE DETECCIÓN Y ACTUACIÓN. CODEM.
  • Córdoba, F. E., Polanía-Dussán, I. G., & Toro-Herrera, S. M. (2011). Tratamiento del síndrome neuroléptico maligno. Salud Uninorte.