Sintomas da depressão psicótica, uma realidade clínica recorrente

04 Fevereiro, 2021
Existe um tipo de depressão em que podem ocorrer episódios psicóticos temporários. São situações graves nas quais a pessoa pode chegar a se autolesionar. Conhecer os sintomas pode nos ajudar a detectar esse transtorno nos seus estágios iniciais.

A depressão maior é uma das realidades clínicas mais sérias, mas os sintomas da depressão psicótica também são debilitantes e assustadores. Ela ocorre com mais frequência do que imaginamos, principalmente em pacientes geriátricos. Alucinações, delírios, tristeza, sentimentos de culpa e até comportamentos autolesivos. Estamos diante de um quadro psicológico que merece mais atenção.

Ressaltamos a relevância de fazer diagnósticos precoces desse tipo de depressão por um fato específico. Boa parte das pessoas que recorrem ao suicídio o fazem quando entram na fase aguda deste transtorno. Isso acontece especialmente nas pessoas que estão passando por uma depressão maior não diagnosticada há algum tempo, ou quando abandonam o tratamento.

Essa alteração mental grave tem um bom prognóstico quando a intervenção começa nos estágios iniciais. O decisivo, em todos os casos, é que a avaliação e a intervenção comecem o mais rápido possível. Outra das variáveis que tem um peso importante no prognóstico é a qualidade do apoio social com o qual a pessoa conta.

Vamos entender como este tipo de depressão se manifesta.

Mulher com a mão no rosto

Quais são os sintomas da depressão psicótica?

A literatura científica reúne uma grande quantidade de informações sobre a esquizofrenia, o transtorno bipolar e a depressão não psicótica. No entanto, a depressão psicótica recebeu pouca atenção até o momento. Estudos como os realizados na Universidade de Cambridge, por exemplo, destacam isso e a necessidade de compreender um pouco mais a etiologia desta realidade clínica.

Sabe-se que é mais comum em idosos, principalmente quando estes apresentam histórico familiar de psicose ou transtorno bipolar. Da mesma forma, existem dados que mostram que uma em cada quatro pessoas internadas em hospitais devido à depressão maior apresenta depressão psicótica. Estamos, portanto, diante de uma condição mental mais comum do que pensamos, e com consequências muitas vezes problemáticas.

Vamos descobrir quais são seus sintomas com base no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), no qual ela é descrita como uma forma de depressão maior.

Mudanças no humor

A pessoa com depressão psicótica apresenta um humor triste e com um grande abatimento. Porém, algo que também aparece frequentemente é o mau humor, assim como os ataques de raiva e a cólera sem motivo aparente.

Baixa autoestima acompanhada de delírios

Um dos sintomas psicóticos mais recorrentes é o sentimento constante de culpa, desamparo e falta de amor próprio. Entretanto, isso pode chegar a situações extremas devido à percepção de que estão sendo relegados pela família e socialmente.

Os delírios que sofrem de vez em quando sempre evidenciam a ideia de não serem amados, de que são um zero à esquerda para todo mundo. Isso costuma causar uma grande confusão entre as figuras próximas da pessoa com depressão psicótica.

Alterações nos hábitos de sono

Um fato comum entre os sintomas da depressão psicótica é dormir durante o dia e permanecer acordado durante a noite. As mudanças nos hábitos de sono são uma constante nesses tipos de pacientes.

Sofrem alucinações que não costumam compartilhar

Um fato comum (e ao mesmo tempo problemático) dessa condição psicológica é que as pessoas sofrem alucinações, um sintoma que nem sempre é compartilhado com os demais. As alucinações mais comuns são as auditivas, ou seja, escutam vozes que dizem, por exemplo, que um determinado familiar não as ama e deseja envenená-las.

As pessoas com este tipo de depressão são conscientes de que isso não é normal. Por isso, na maioria das vezes optam por se calar e guardar esse sintoma em silêncio, o que acaba dificultando o diagnóstico.

Sintomas da depressão psicótica: despreocupação com o asseio pessoal

Outro dos sintomas da depressão psicótica é a despreocupação absoluta com os hábitos de higiene e asseio pessoal. Essas pessoas não tomam banho, não trocam de roupa, não ligam para o cuidado da casa, etc.

Deixam de se relacionar e de se comunicar com as pessoas ao seu redor

Nos casos mais severos, a família pode ver como a pessoa com esse tipo de depressão vai se desconectando pouco a pouco. Ela deixa de interagir, de se preocupar com os demais, de dedicar tempo aos seus hobbies. Seu cotidiano se transforma.

Da mesma forma, também é comum que sua mobilidade seja reduzida ao ponto de ficarem em silêncio deitados em sua cama ou, muitas vezes, no sofá – do qual raramente se levantam.

Senhor sofrendo de depressão

Como é o tratamento da depressão psicótica?

Uma das razões pelas quais a depressão psicótica não é diagnosticada com facilidade é porque os sintomas psicóticos costumam ficar camuflados. As pessoas têm consciência de que as vozes e os pensamentos delirantes não são normais, por isso os guardam para si mesmas. No entanto, o sofrimento é tão devastador que, em determinados casos, elas recorrem à autolesão ou até ao suicídio.

É decisivo que a família tenha consciência da realidade pessoal que a pessoa com depressão psicótica vive. Um diagnóstico precoce de depressão maior, por exemplo, muitas vezes evita derivar em situações tão extremas. Como dissemos no início do artigo, esta condição possui um bom prognóstico.

O tratamento com base em antidepressivos e antipsicóticos favorece a regulação do humor. Da mesma forma, a terapia cognitivo-comportamental também dá bons resultados em grande parte dos casos. Por último, e não menos importante, é essencial estabelecer um acompanhamento médico e psicológico contínuo do paciente.

  • Jääskeläinen, E., Juola, T., Korpela, H., Lehtiniemi, H., Nietola, M., Korkeila, J. y Miettunen, J. (2018, 1 de abril). Epidemiología de la depresión psicótica – Revisión sistemática y metaanálisis. Medicina psicológica . Prensa de la Universidad de Cambridge. https://doi.org/10.1017/S0033291717002501
  • Nietola, M., Huovinen, H., Heiskala, A., Nordström, T., Miettunen, J., Korkeila, J., & Jääskeläinen, E. (2020). Early childhood and adolescent risk factors for psychotic depression in a general population birth cohort sample. Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology55(9), 1179–1186. https://doi.org/10.1007/s00127-020-01835-7