Sintomas de estresse pós-traumático

Pesadelos, hipervigilância, imagens mentais cheias de sofrimento, angústia permanente... O estresse pós-traumático não tratado leva a pessoa a uma existência de alta exaustão. Vamos conhecer os sintomas associados a este distúrbio.
Sintomas de estresse pós-traumático

Última atualização: 30 julho, 2022

Os sintomas de estresse pós-traumático são muitas vezes simbolicamente definidos como “feridas” no cérebro. Isso é devido a um fato óbvio: o trauma sofrido após uma experiência de alta intensidade emocional, molda pequenas alterações neuronais das quais é muito difícil nos recuperarmos. O impacto dessas situações é imenso.

Acidentes de trânsito, sofrer violência psicológica ou sexual, perder alguém inesperadamente, vivenciar um desastre natural ou estar em um contexto de guerra… Todas essas são situações para as quais não estamos preparados. Além disso, são experiências pelas quais ninguém deveria passar e ainda assim acontecem todos os dias no mundo. O fato de não receber ajuda, de permitir que essas emoções e esse estresse nos atinjam dia após dia, deixa sérias consequências.

Atualmente, as abordagens terapêuticas para essas condições psicológicas continuam sendo aprimoradas. Estima-se, de fato, que boa parte da população experimentará estresse pós-traumático em algum momento.

Ter técnicas adequadas, suporte profissional e maior conscientização sobre saúde mental é essencial nesses casos.

Mulher com tristeza pela manhã evidenciando sintomas de estresse pós-traumático

Sintomas de estresse pós-traumático: categorias

A pesquisa em torno dos sintomas de estresse pós-traumático aumentou nas últimas décadas. Assim, ataques terroristas como os de 11 de setembro (e posteriores) e as várias guerras no Afeganistão e no Iraque permitiram-nos compreender muito mais esta desordem psicológica. Estudos como os realizados na Universidade de Manitoba (Canadá) fornecem vários dados importantes nesse sentido.

Quando uma pessoa experimenta um evento traumático, ela experimenta o que é conhecido como estresse agudo. Se você não receber assistência psicológica dentro de um mês, gradualmente levará ao transtorno de estresse pós-traumático. Da mesma forma, sabe-se que com o passar do tempo essa condição acaba sendo comórbida com outros transtornos mentais, ou seja, depressão, vícios, fobias…

A deterioração da qualidade de vida é imensa, afetando o nível social, relacional, laboral… É importante abordar os eventos traumáticos o quanto antes, assim como os sintomas de estresse pós-traumático. Para isso, contamos com os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais ( DSM-V ).

1. Sintomas de intrusão

Os sintomas de intrusão definem aquela experiência na qual memórias, sensações e imagens específicas reaparecem na mente da pessoa sem poder controlá-la. É o que comumente conhecemos como flashes, cenas repentinas sobre o evento traumático que nos fazem vivenciar o que aconteceu. Da mesma forma, essas imagens intrusivas também aparecem nos sonhos como pesadelos.

Outro aspecto também deve ser observado. Muitas pessoas experimentam reações ao relacionar estímulos específicos a memórias. Por exemplo, o som de uma porta batendo pode lembrar do carro batendo em um acidente. O fato de uma pessoa tocá-los acidentalmente pode fazer com que eles se lembrem do momento em que alguém os atacou… Todas essas experiências são vividas com grande angústia.

2. Efeitos negativos no pensamento e no humor

Dentre os sintomas do estresse pós-traumático, destaca-se sobretudo a incapacidade de sentir emoções positivas. Como resultado do que aconteceu, a pessoa afetada deixa de se sentir motivada e de gostar do que antes era apaixonada. Assim, também é comum que comecem a apresentar traços depressivos.

  • Por outro lado, a amnésia dissociativa também pode aparecer ocasionalmente. Ou seja, a incapacidade de lembrar partes do evento traumático.
  • Surgem sentimentos de culpa.
  • Algumas pessoas até se sentem mal por terem sobrevivido a esse evento doloroso.
  • O sentimento de medo, horror e até vergonha são sentimentos vivenciados continuamente.

3. Sensação de alerta e hipervigilância

Na mente de alguém que passou por uma experiência traumática não há momentos de calma. A pessoa sempre tem a sensação de que “algo vai acontecer”. É viver esperando que a situação dolorosa do passado se repita. Os pensamentos se tornam catastróficos, a atenção se concentra apenas em antecipar situações perigosas, em criar os cenários mais aterrorizantes…

Da mesma forma, outro dos sintomas do estresse pós-traumático é a raiva: transformar o sentimento de medo, insegurança e sofrimento em raiva.

4. Sintomas difusos

Quando estudamos essa condição psicológica, tomamos como certo que os sintomas do estresse pós-traumático podem ser muito variados e particulares para cada pessoa. Assim, para o seu diagnóstico, presta-se atenção sobretudo às características supracitadas. No entanto, é comum que muitas das seguintes realidades apareçam:

  • Aparecimento de comportamentos obsessivos e fóbicos : obsessão por lavar-se em caso de agressão sexual, medo de sair de casa…
  • Muitas pessoas acabam caindo no uso de drogas ou álcool.
  • Insônia.
  • Dores de cabeça, sistema imunológico enfraquecido, distúrbios digestivos, dores no peito, tonturas…
Criança com medo devido a sintomas de estresse pós-traumático

Sintomas de estresse pós-traumático em crianças

Boa parte da incidência de transtorno de estresse pós-traumático aparece em crianças. Não podemos ignorar o impacto de realidades tão duras quanto o abuso infantil. Destaca-se também a situação de muitas crianças que hoje vivem em contextos de guerra, em situações de privação ou abandono. É importante, portanto, entender que os sintomas nelas podem ser um pouco diferentes:

  • Comportamento deprimido.
  • São crianças que não brincam, que não prestam atenção aos estímulos do seu ambiente, que não interagem ou são curiosas.
  • Comportamentos violentos e defensivos podem aparecer.
  • Insônia.
  • Enurese noturna.
  • Alguns recriam o evento traumático por meio de desenhos.
  • Aparecem problemas de saúde, como sofrer mais infecções, dores de cabeça, vômitos, etc.

Para concluir, é necessário apenas enfatizar mais uma vez a importância de abordar precocemente esses tipos de realidades. Ninguém merece viver em um estado crônico de sofrimento contínuo, onde possa reviver o evento traumático, onde se esteja separado do mundo para viver exclusivamente naquele espaço de dor perpétua.

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