Sugestão: qual o poder que ela exerce sobre nós?

Sugestão: qual é o seu poder sobre nós?

dezembro 5, 2016 em Psicologia 0 Compartilhados
Sugestão: qual é o seu poder sobre nós?

Depois de ler um livro, assistir um filme, ouvir as notícias ou falar sobre um acontecimento trágico é muito provável que tenhamos medo de que isso aconteça conosco. Por exemplo, se pensarmos em uma pessoa que foi assaltada ao chegar em casa, geralmente acreditamos que isto pode nos acontecer também.

Se formos ver um filme de terror onde o personagem principal é seguido por um carro vermelho (dirigido por um assassino), como você acha que reagiremos ao perceber que atrás de nós na estrada há um veículo da mesma cor? Não se trata de imaginação, de ser pessimista ou exagerar, mas é algo chamado de “sugestão”. Neste artigo falaremos mais sobre ela.

O que é sugestão?

Se mantivermos apenas a definição do dicionário, poderíamos dizer que a sugestão é um processo psicológico pelo qual as pessoas são manipuladas através de uma cena, uma imagem, uma palavra ou uma situação. Mas, vamos aprofundar um pouco mais este conceito.

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A palavra “sugestão” foi citada pela primeira vez no século XIX, quando pesquisadores como William James disseram que a sugestão era usada em um sentido muito restrito. Isto significa que o uso desta “técnica” consistia em falar sobre uma ideia para sugerir outra. E isto era usado pelos grandes oradores!

Alguns anos mais tarde, graças aos mestres da hipnose (incluindo Clark Leonard Hull), ampliaram-se os conhecimentos nessa área. A teoria diz que uma pessoa segue um padrão ou uma instrução de acordo com o que ouve ou vê. Portanto, quando ouvimos uma notícia trágica é provável que fiquemos pensando sobre isso por um tempo e na possibilidade de que o mesmo aconteça conosco.

Qual é o poder da sugestão?

A técnica da sugestão não serve apenas para nos provocar medo ou para nos sentirmos ameaçados. Ela também pode ser utilizada para “sugerir” que a pessoa faça ou diga algo em particular. A mente é extraordinária, tanto para o positivo quanto para o negativo, e em muitos casos não nos permite agir como queremos. A teoria do livre arbítrio defendida pelos religiosos não condiz com a hipótese do poder da sugestão. Nestes exemplos lhes explicamos o porquê:

1. Ela nos faz acreditar que somos mais inteligentes

Na Universidade de Washington os pesquisadores deram uma pílula para um grupo de pessoas, sugerindo que ela servia para aumentar a sua inteligência. Na verdade, era uma pílula “placebo” e não mudava a capacidade cognitiva. No entanto, os pacientes aumentaram o seu estado de alerta e atenção, obtendo melhores resultados nas tarefas que os pesquisadores propuseram.

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2. Podemos adoecer

Se, por exemplo, colocarmos uma pessoa em um quarto cheio de fumaça e lhe dissermos que é um gás tóxico, provavelmente ela sentirá falta de ar, acreditará que vai morrer e sentirá todos os sintomas de uma intoxicação.

Podemos citar outro caso: quando ouvimos falar sobre o vírus da Zika ficamos assustados e quando vemos um mosquito corremos apavorados. Independentemente dele nos picar ou não, podemos ter febre e dor nas articulações, como se ele realmente fosse um inseto infectado.

3. Trabalhamos com mais eficiência

O “Efeito Hawthorne” é um dos mais conhecidos no campo da sugestão. Ele se baseia na ideia de que, quando somos observados, agimos de uma maneira diferente. Por isso, os funcionários trabalham mais e de forma mais eficaz quando acreditam que o patrão está observando.

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Os funcionários foram testados com câmeras de segurança que não estavam funcionando (mas o “observado” não sabia disso) e os pesquisadores chegaram a esta conclusão: se acreditarmos que alguém está nos observando, faremos o nosso melhor!

4. Muda a nossa rotina

O poder da sugestão é tão grande que pode mudar os nossos hábitos. Por exemplo, depois de ver uma notícia sobre um grupo de ladrões que assaltam pessoas que chegam em casa depois das 22 horas da noite, provavelmente começaremos a chegar às 21:30 horas.

5. Condena um inocente

Se antes de entrar na sala de reconhecimento de um suspeito ouvirmos alguém dizer “tenho certeza de que o ladrão tinha barba”, é bem provável que apontemos alguém com barba, embora nunca o tenhamos visto antes e até alguns minutos atrás tivéssemos certeza de que era alguém bem barbeado. A sugestão muda nossas memórias de tal forma que esquecemos o que já vivemos.

Não queremos dizer com isso que não somos responsáveis pelas nossas decisões ou que existe um plano superior mudando as nossas opiniões. No entanto, precisamos entender qual é o papel que a sugestão exerce em nossas vidas diárias e como podemos lidar com ela. Muito do que nós acreditamos pode ser apenas fruto da nossa imaginação!

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