Talvez um dia encontremos o que estamos procurando… ou não

· fevereiro 26, 2017

Assim como disse Saadi de Shiraz, um poeta persa do século XII, “todo ser está neste mundo com um propósito determinado”. Descobrir este propósito pode levar anos, contudo, cedo ou tarde encontraremos aquilo que estamos procurando… ou talvez não: talvez possamos encontrar uma coisa muito melhor.

É preciso admitir: não é preciso ser religioso ou ter algum tipo de crença espiritual para que com frequência nos façamos a clássica pergunta “por que estou aqui?”. A nossa consciência nos estimula a esperar alguma coisa a mais da nossa própria existência, alguma coisa especial que nos dê um sentido mais forte e verdadeiro nesta vida.

“Com frequência encontramos nossos destinos nos caminhos que tomamos para evitá-los.”
-Jean de la Fontaine-

Longe de ver esta dimensão como a simples inquietude do jovem que procura chegar à maturidade, ou do adulto rotulado como imaturo porque deixa o tempo passar envolvido nos seus vazios existenciais, precisamos enxergá-la como o que realmente é: uma viagem através da qual encontrar o nosso propósito de vida. É algo muito parecido ao que Bono, líder do U2, diz na sua mística música “I still haven´t found what I’m looking for” (ainda não encontrei o que estou procurando).

Então, antes de ficarmos obcecados por não termos encontrado essa pedra filosofal, esse propósito ou esse motivo de inspiração, precisamos encará-lo de outra forma: como uma busca na qual procurar se enriquecer a cada passo, a cada montanha alcançada, a cada pessoa amada, a cada conhecimento adquirido.

A dificuldade de encontrar o nosso propósito de vida

Cedo ou tarde encontraremos aquilo que o nosso ser anseia, isso que nosso coração sente agora como um vazio insondável que às vezes dói e nos desespera. Contudo, entre esse espesso bosque de dúvidas, cruzamentos de caminhos e vozes díspares, é preciso ter certeza de um simples fato: às vezes procuramos o nosso propósito em lugares pouco adequados.

Ralph Waldo Emerson, conhecido filósofo e poeta do século XIX, disse uma vez que diante de qualquer ideia ou propósito que tivermos, sempre haverá alguém que fará o possível para nos mostrar que estamos enganados. Isso nos convida a refletir sobre a questão de que às vezes passamos grande parte das nossas vidas mergulhados em entornos pouco facilitadores. Existem famílias, amizades e inclusive certos contextos sociais que matam por completo todas as nossas expectativas.

A pessoa dócil que assume e cala está condenada a passar grande parte da sua vida esperando “alguma coisa”, desejando que aconteça qualquer coisa que possa tirá-la dessa sensação de frustração e profundo vazio existencial. Os entornos opressores fomentam, sem dúvida, almas que sonham poder escapar porque nada cresce nesse substrato, porque não há o que encontrar em um cenário delimitado por tesouras que cortam nossas próprias esperanças.

Emergir destas superfícies não é apenas uma necessidade, é uma obrigação. Porque nosso autêntico destino nunca se revelará se não lhe adicionarmos um ingrediente muito especial: vontade.

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Um dia encontraremos o que estamos procurando, ou talvez não

Às vezes acreditamos ter encontrado aquilo que tanto desejávamos: um grande amor, um bom trabalho, um propósito de vida… Contudo, logo percebemos que aquele amor não era tão verdadeiro, aquele trabalho não era tão bom trabalho, e aquele propósito terminou em um resultado ruim.

Antes de cair no lamento do arrependimento, convém lembrar uma coisa muito simples: a vida é movimento e essa busca nunca acaba, porque o ser humano é aventureiro por natureza, tem fome de emoções, sede de conhecimentos e anseia por experiências através das quais crescer.

Para colocar para funcionar a engrenagem dessa busca de vida, sugerimos uma reflexão sobre as seguintes dimensões.

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Dicas para iniciar a mudança e encontrar o seu propósito de vida

Kark Pilleme é um cientista e ecologista da Universidade de Cornell que, através de livros como “30 lessons for living”, explica que um dos maiores problemas que temos é que não estamos conectados com nossos “eu futuros”. Não se trata de forma alguma de fazer uma viagem ao amanhã, como fez o jovem Spock no filme “Star Trek” para encontrar sabedoria conversando com seu eu futuro.

Trata-se de nos vincularmos por um instante a esse porvir no qual imaginamos a nós mesmos como gostaríamos que fôssemos. Alguém sereno, de vida tranquila e cercado por pessoas que amamos de verdade. Sem falsidades, sem nada que sobre, nem nada que falte. Essa aspiração precisa ser, sem dúvida, a nossa motivação do presente.

“Em vinte anos você estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez.”
-Mark Twain-

Este seria um bom exercício no qual trabalhar de forma rotineira. As seguintes estratégias também podem ser úteis.

  • Precisamos aprender a olhar o exterior sempre conectados com nosso interior, nossas próprias essências. Trata-se de ser receptivos e de avançar por esta vida sendo coerentes com nossos valores e sentimentos. Dessa forma, tudo aquilo que encontrarmos será agradável, realizador.
  • Todo já ouvimos falar da lei da atração. A teoria de que o universo orquestra suas partituras de acordo com a intensidade de nossos desejos tem nuances importantes. O ideal é seguir um conselho ainda mais simples: atração e intenção precisam sempre andar de mãos dadas. Se você procura alguma coisa, aja. Se você deseja alguma coisa, saia da sua zona de conforto: seja o arquiteto da sua vida.

Cedo ou tarde o faremos: encontraremos aquilo que estamos procurando, ou talvez não, é possível que encontremos alguma coisa ainda melhor. Contudo, ao longo dessa viagem não se esqueça nunca de adicionar a melhor bagagem à sua mochila: espírito de entrega, compromisso, luta e amor por cada coisa que você fizer, por cada coisa que você oferecer ou construir.

Imagens cortesia de Hayao Miyazaki.