As 4 tarefas do luto de William Worden

O luto é um fenômeno bem estudado. William Worden, especialista no assunto, propõe um modelo de tarefas, e não de etapas, no qual a pessoa é responsável pelo seu próprio processo e relega a um segundo plano os efeitos derivados da passagem do tempo.
As 4 tarefas do luto de William Worden

Última atualização: 25 Dezembro, 2020

As tarefas do luto de William Worden estabelecem uma renovação no campo dos processos de luto. O luto foi concebido como um processo dividido em etapas pelas quais a pessoa envolvida em algum tipo de perda teve que passar. A concepção do luto em etapas confere aos enlutados um papel passivo. Esse posicionamento possui importantes consequências para o desenvolvimento de lutos mais difíceis.

Muitas vezes, um processo de perda está associado a um período de luto. O fato de se referir ao luto como um processo em etapas e não em tarefas reduz o envolvimento da pessoa, que de alguma forma entende que os resultados do processo são, em grande parte, decorrentes da própria passagem do tempo.

Diante dessa ideia, William Worden, um dos mais reconhecidos especialistas nos processos de luto e perda, elabora uma série de etapas pelas quais os indivíduos passam como agentes ativos do seu próprio processo. Isso leva ao desenvolvimento de lutos saudáveis ​​e à prevenção da cronificação do processo de luto.

Consolar alguém diante do luto

O que é a perda?

Ate mesmo as transições mais positivas da vida não estão isentas de perdas: da promoção do emprego, que envolve a perda do emprego anterior, até se tornar pai ou mãe, quando uma vida com menos responsabilidades deve ser deixada para trás.

Em geral, as perdas humanas na sociedade atual podem ser classificadas da seguinte forma:

  • Perdas devido à morte de um ente querido.
  • Diminuição da funcionalidade. Traduzida como perdas relacionadas à saúde física e/ou mental
  • Perdas relacionadas ao posto de trabalho e, portanto, perdas relacionadas a uma das funções que eram exercidas no dia a dia.
  • Danos causados ​​por guerras e/ou desastres naturais.
  • Roubo de objetos preciosos.
  • Separações de casais, divórcios.
  • Etc.

O que é o luto?

O luto é um processo inerente que envolve a transição para uma nova etapa sem o objeto que foi perdido (neste caso, será feita referência da perda de um ente querdio). O luto gera uma série de reações biológicas, emocionais e comportamentais que facilitam a adaptação ao ambiente e o desenvolvimento de novos papéis na vida sem a presença da pessoa falecida.

Vários autores se concentraram no estudo do luto e na sua organização por estágios ou fases. Nesse caso, William Worden desenvolve uma série de tarefas para pessoas que precisam passar por esse processo. Esse papel ativo da pessoa não é contrário à ideia de que o luto é um processo demorado.

As 4 tarefas do luto de William Worden

As tarefas do luto de William Worden vão desde aceitar a realidade da perda até se ajustar a um ambiente sem aquilo que perdemos. Uma vez que o luto é um processo e não um estado, as tarefas do luto envolvem um processamento cognitivo que se prepara para enfrentar certas circunstâncias e aceitar a experiência da perda: a adaptação a um mundo diferente e menos desejado que o anterior.

Tarefas do luto: aceitar a realidade da perda

Quando alguém morre, mesmo de causas naturais, há uma sensação de irrealidade. A primeira tarefa do luto seria enfrentar a morte dessa pessoa e entender que reencontrá-la será impossível, pelo menos nesta vida.

Este último ponto se refere ao fato de que, após a perda, é comum que aqueles que ficaram confundam o falecido com outras pessoas na rua, ou até mesmo reservem um lugar a mais para ele em um evento familiar. Da mesma forma, alguns têm dificuldade de realizar a primeira tarefa devido a pensamentos sobre a reversibilidade da morte.

Tarefas do luto: elaboração do luto após a perda

A dor física, emocional e comportamental no processo de luto é real. Se essa dor não for reconhecida, ela se manifestará de outras maneiras, resultando em comportamentos anormais e problemas físicos e psicológicos.

Nem todo mundo sente dor com a mesma intensidade, mas é raro perder alguém de quem você era muito próximo e não sentir dor. A pessoa não costuma estar preparada para o turbilhão de emoções que a abalará neste processo.

Porém, manter a negação da perda, a longo prazo, impede a superação do luto. Pessoas que conscientemente evitam a dor também não a deixam ir embora. O aconselhamento psicológico é de vital importância nos casos em que essa tarefa fica travada.

Tarefas do luto: adaptar-se ao ambiente sem a pessoa amada

Adaptar-se ao ambiente sem a pessoa amada envolve tarefas externas e internas. Ou seja, adaptações sobre como aquela morte influencia a imagem que a pessoa tem de si mesma, seus valores, crenças, etc., e adaptações externas relacionadas às tarefas da vida diária da pessoa falecida.

Com relação às adaptações internas, os enlutados devem adaptar a sua própria identidade pessoal no processo de luto. Não significa apenas que se considerem viúvos, pais que perderam um filho, etc. Este ponto se refere às influências das suas crenças espirituais e sistema de valores após a perda.

A competência pessoal após a perda também é importante. Por exemplo, responsabilidades anteriormente assumidas pela pessoa que partiu agora precisam ser assumidas pela pessoa enfrentando o processo de luto.

Mulher enfrentando um luto

Tarefas do luto: encontrar uma conexão com o falecido e continuar vivendo

Esta é a última das tarefas do luto propostas por William Worden. Esse ponto descreve a necessidade de encontrar um vínculo duradouro com o ente querido falecido, para que, ao mesmo tempo, possam ser estabelecidos outros repertórios de comportamento adaptados ao ambiente sem aquela pessoa. Pode haver vários vínculos com a pessoa amada. Dentre eles, destacam-se:

  • Alguma peça de roupa da pessoa amada que a torna especial.
  • Uma fotografia.
  • Um álbum de família com fotos.
  • Um vídeo curto.
  • Etc.

Esta é uma das tarefas mais difíceis, pois as consequências do não cumprimento se traduziriam em ficar ancorado à época em que a pessoa estava viva, perdendo as demandas do contexto no momento presente. Quando a pessoa se torna tão apegada à relação que mantinha com o ente querido que não se permite estabelecer outras relações no momento presente, pode-se dizer que é necessária uma intervenção psicológica.

O luto é, essencialmente, uma necessidade por adaptação, então, encontrar certas dificuldades em se conectar com o ambiente é normal. O problema é quando esses processos se tornam crônicos e não permitem que o indivíduo se desenvolva pessoalmente, levando a certos problemas psicológicos.

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