A teoria darwiniana sobre a origem das religiões

09 Janeiro, 2021
Darwin foi o precursor do estudo da origem das religiões para os autores atuais, pois ele acreditava que elas se formavam inicialmente no cérebro humano.

A origem das religiões e a teoria darwiniana vêm sendo unidas com sucesso há 150 anos. Com sua obra magna, o célebre cientista virou tudo o que sabíamos sobre a nossa origem e evolução de cabeça para baixo. Nossa visão de quem éramos e, portanto, de quem somos, mudou.

Lembremos que o próprio Charles Darwin dedicou um capítulo de um de seus livros mais importantes, “A origem do homem” ao tema da origem das religiões. Portanto, se nossas características são produto da nossa evolução, com a religião não seria diferente.

A teoria darwiniana

Não podemos esquecer que Charles Darwin deixou um dos legados mais importantes da história humana para a ciência. Com a publicação de A origem das espécies, colocou de cabeça para baixo tudo aquilo que acreditávamos saber sobre o surgimento da vida na Terra.

Ainda que seu pensamento tenha causado várias polêmicas, a influência de suas pesquisas continua enorme até os dias de hoje. De fato, seus avanços moldaram a forma como vemos atualmente o ser humano, mudando o pensamento científico dos últimos 100 anos e mostrando uma nova direção para entender a vida no passado, no presente e no futuro do planeta.

Visto que Darwin demonstra que a teoria criacionista nada tem a ver com o surgimento da vida, então por que as religiões surgem? O autor mostra que o comportamento e o cérebro também são produtos próprios da evolução humana. Ou seja: tudo que sobrevive ao longo do tempo, incluindo a religião, possui obrigatoriamente uma explicação evolucionista.

Charles Darwin

A origem das religiões sob os prismas de Charles Darwin

Um dos textos mais importantes que temos para estabelecer a conexão entre o evolucionismo darwinista e a origem das religiões pode ser encontrado nas pesquisas de Elizabeth Culotta, cujo ensaio On the Origin of Religion foi publicado no blog “Origins”, da revista Science, de grande prestígio.

Segundo a autora, existe uma propensão humana e natural para crer em deidades invisíveis. Para explicar isso, a autora se utiliza das teorias de Darwin, que já na sua época considerava que a crença em deuses e religiões era algo nada misterioso. Segundo Darwin, no mesmo momento em que o ser humano teve uma certa capacidade de raciocínio, ele também pôde especular brevemente sobre a sua própria existência. Entretanto, na falta do método científico, predominavam a curiosidade, a imaginação e o assombro.

Ou seja, o ser humano, curioso por natureza, buscava uma explicação para a sua própria origem. Dessa forma, diante da falta de respostas, a religião surgiu de maneira natural na mente humana, pois para explicar a construção mental do pensamento religioso, é possível estabelecer uma ciência cognitiva baseada na antropologia, na neurociência e na psicologia.

“Não posso me convencer que um Deus benevolente e onipotente tenha criado intencionalmente os himenópteros com a intenção direta dos corpos vivos de lagartas, ou que um gato brincasse com ratos. Não convencido disso, não vejo necessidade em crer que o olho foi projetado intencionalmente.”
-Charles Darwin-

Vela acesa representando religião

Outras fontes

Em seu trabalho, Culotta nomeia outras fontes interessantes, como, por exemplo, os estudos do psicólogo experimental Justin Barrett, da Universidade de Oxford. A partir das teorias darwinianas, este professor descobriu que existem propriedades funcionais nos sistemas cognitivos humanos que nos tornam propensos à crença em agentes sobrenaturais, ou seja, em coisas como deuses.

Ou seja: de acordo com as teorias de Barrett, podemos estabelecer uma conexão com o pensamento de Darwin, pois ambos consideram que a formação e as raízes da religião se encontram dentro de uma cognição social sofisticada.

Nesse aspecto, podemos consultar o psicólogo da Universidade de Yale, Paul Bloom. De acordo com seus estudos, o ser humano possui uma grande capacidade para imbuir tudo com “espiritualidade”, incluindo objetos inanimados. É assim que crescem as crenças, os desejos, as emoções e a consciência, criando o núcleo de um movimento religioso.

Todas essas pessoas tomam as teorias de Darwin como ponto de partida para a origem das religiões, que inclusive chegam a comparar o fenômeno da existência dos deuses com o amor que um cachorro pode expressar pelo seu dono. Não existem dúvidas de que Darwin foi o precursor de todos esses profissionais contemporâneos. De acordo com ele, muitas sociedades mostravam suas crenças na ideia da existência de uma divindade e na busca por agentes espirituais ou invisíveis.

  • On the Origin of Religion, Elizabeth Culotta. Science 06 Nov 2009