Você conhece a teoria das janelas quebradas?

· março 13, 2017

Imagine que você está andando pela rua comendo tangerinas e quando termina está com as mãos cheias de cascas que pretende jogar fora. Você percebe então que a lixeira está longe e olha para o chão. Se você notar que no chão há mais lixo, a probabilidade de que jogue as cascas no chão aumentará; mas se ele estiver limpo, provavelmente pensará duas vezes antes de jogar o lixo na rua. Isto explica a teoria das janelas quebradas.

A teoria das janelas quebradas, também conhecida como a teoria das vidraças quebradas, aponta a desordem como um fator de elevação dos índices da criminalidade, e indica que os danos ambientais geram uma sensação de que a lei não existe. Por isso, em uma situação onde não há regras, é mais provável que ocorram vandalismos.

A experiência das janelas quebradas

O professor Philip Zimbardo, conhecido por muitos através da realização do experimento da prisão de Stanford, realizou uma interessante experiência de psicologia social: deixou dois carros idênticos abandonados na rua. Um deles em uma bairro pobre e conflituoso de Nova York e o outro em uma zona rica e tranquila. Dois carros idênticos abandonados, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

O resultado não foi difícil de averiguar: o carro abandonado na zona pobre começou a ser vandalizado em poucas horas. Levaram tudo o que fosse aproveitável e o que não puderam levar, destruíram. Enquanto isso, o carro abandonado na zona rica continuava intacto. Com este resultado, seria fácil concluir que a pobreza e a marginalização eram os “culpados” pelo crime.

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No entanto, a experiência ainda não havia sido concluída. Depois de uma semana o carro abandonado no bairro pobre estava totalmente destruído, enquanto o carro abandonado no bairro rico continuava intocado. Os pesquisadores decidiram mudar alguma coisa na situação e quebraram uma janela do carro que estava em perfeitas condições. O que você acha que aconteceu? Roubo, violência e vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado daquele deixado no bairro pobre.

A conclusão final foi que a causa dos delitos não se encontra na situação de pobreza, mas que o vidro quebrado do carro abandonado transmitiu uma ideia de deterioração, de desinteresse e indiferença que criou um sentimento de impunidade, uma ausência de leis, normas e regras. O vidro quebrado cria uma sensação de que “tudo pode”. Nesta situação, cada ataque que o carro sofre reafirma e multiplica essa ideia até que o vandalismo se torne incontrolável.

As janelas quebradas da cidade

O metrô de Nova York, nos anos 80, era o lugar mais perigoso da cidade. Tomando como referência a teoria das janelas quebradas, começaram a reparar os danos das estações do metrô: a sujeira foi removida, as pichações foram apagadas, todos pagavam as passagens e pequenos furtos foram monitorados. O resultado foi que o metrô se transformou em um lugar seguro.

Diante dos resultados obtidos no metrô, foi implantada em Nova York uma política de “tolerância zero”. Para isso, foram proibidas todas as transgressões da lei e das regras de convivência, e foi incentivada a limpeza e a ordem nas comunidades. Mais uma vez, o resultado foi uma grande queda na taxa de criminalidade em Nova York.

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A evidência da teoria das janelas quebradas

A confusão que as regras que não são muito claras geram é semelhante aos vidros que vão se quebrando, criando a mesma situação da experiência dos carros abandonados. Isso pode acontecer com as organizações que são muito flexíveis; essa flexibilidade pode ser confundida com desinteresse. Se em uma comunidade ninguém repara o vidro quebrado de uma janela de um edifício, os outros vidros também serão quebrados. Se uma comunidade mostra sinais de deterioração e ninguém se preocupa com eles, possivelmente o resultado seja a delinquência.

As pequenas falhas podem levar a grandes transgressões que levam ao caos. Isso não acontece somente com a deterioração dos elementos materiais. Um exemplo claro pode ser encontrado na corrupção. Se pequenas transgressões são consentidas, as pessoas vão mais além e cada vez mais pessoas farão as mesmas práticas com maiores quantidades. Estabelecer regras claras, deixando claro quais são as exceções, pode ser uma solução, desde que não chegue tarde demais.