Teste da Pessoa na Chuva: tudo sobre este instrumento projetivo

O teste da pessoa na chuva é um teste projetivo tão conhecido quanto o teste de Rorschach. Apesar de ter um baixo nível de padronização, é útil para analisar alguns traços de personalidade, como nossa atitude diante de uma situação estressante.
Teste da Pessoa na Chuva: tudo sobre este instrumento projetivo

Última atualização: 28 Julho, 2021

O teste da pessoa na chuva é um dos instrumentos projetivos mais conhecidos junto com outros testes, como o teste de Rorschach e o teste da árvore. Eles são úteis como técnicas complementares para reunir mais informações sobre a personalidade de um paciente ou candidato em um teste de seleção. Apesar de tudo, convém notar que não deixa de ser alvo de certas críticas.

Os testes projetivos sempre foram enquadrados na teoria psicanalítica. Isso, sem dúvida, nos coloca diante de uma abordagem um tanto controversa do ponto de vista científico; na verdade, as interpretações podem parecer um tanto subjetivas. Agora, deve-se destacar que este tipo de teste já está em uso há várias décadas; portanto, sua sistematização foi aprimorada.

O teste da pessoa na chuva surgiu pela primeira vez em 1924. Foi o psicólogo H.M. Fay que elaborou um teste chamado Uma mulher andando na chuva, voltado para crianças entre 6 e 10 anos, para avaliar sua maturidade psicológica. De lá para cá, o teste mudou bastante, aplicando-se tanto a adultos quanto a crianças.

Hoje em dia, ele costuma ser aplicado em testes de seleção e também no campo da psicologia infantil para avaliar diferentes aspectos da personalidade da criança ou do adolescente. No entanto, é importante ressaltar que não se trata de um exame padronizado ou voltado para diagnósticos específicos.

O teste da pessoa na chuva pede que optemos por desenhar um homem ou uma mulher, uma figura imóvel ou em movimento, alguém que enfrenta a chuva com ou sem guarda-chuva, rodeada por um ambiente mais ou menos adverso.

Desenho de pessoas na chuva

Que informações o teste da pessoa na chuva pode nos dar?

O teste de pessoa na chuva tem uma aplicação muito simples: basta dar a uma pessoa um papel e um lápis e pedir que ela desenhe o que o próprio nome do teste indica: uma pessoa na chuva. Muito além das habilidades artísticas de cada um, são vários os fatores que este clássico instrumento tenta avaliar.

Este teste coloca a pessoa em uma situação de estresse mais ou menos moderada. Você tem que executar um desenho em um determinado tempo, e ele requer uma certa inventividade, habilidade e precisão. Agora, o que menos importa é a qualidade do desenho em si. O que importa é o simbólico, o que o profissional pode interpretar por meio dele.

Uma figura em um ambiente adverso

A proposta é desenhar uma figura na chuva, entendendo aquela chuva ou aquela tempestade como um elemento perturbador. Algo assim obriga a criança ou o adulto a colocar no papel alguém que enfrenta uma situação relativamente adversa. Então, como você lida com isso?

  • Vamos lembrar que o teste é chamado de ‘pessoa na chuva’. Portanto, a primeira coisa a fazer é escolher o protagonista do desenho: um homem, uma mulher ou até mesmo um animal, uma árvore ou uma flor (esta última é comum entre as crianças).
  • Depois, você terá que pensar em como se proteger da chuva (o protagonista tem recursos? Tem um guarda-chuva, roupas adequadas? Há algo que proteja essa figura ou ela está indefesa a céu aberto?)
  • A figura está calma, feliz, mostra coragem ou tem medo?

Todo esse conjunto de elementos evoca, de alguma forma, a marca do mundo interior do paciente ou do candidato no processo seletivo. Também mostra seu estado de espírito e até mesmo sua atitude em relação às dificuldades.

Flor se protegendo da chuva

Como este teste projetivo é aplicado?

Como já apontamos, este é um instrumento projetivo muito fácil de aplicar. Para isso, algumas etapas específicas são seguidas:

  • Antes de entregar o papel para realização do teste, o profissional deve envolver a criança ou o adulto em uma conversa para inspirar confiança e relaxamento. Estamos interessados ​​em fazer com que a pessoa se sinta confortável para que possa evocar, através do desenho, seu mundo interior, sua personalidade e seu estado de espírito.
  • Uma vez que essa confiança seja estabelecida, uma folha em branco é oferecida com a seguinte instrução: ‘desenhe uma pessoa na chuva’. Também é indicado que a qualidade do desenho em si não é valorizada, esse aspecto não é importante. Não há tempo estipulado, mas em geral não se recomenda ultrapassar 15 minutos.
  • Uma vez terminado, podemos pedir à pessoa que faça outro desenho da mesma figura, mas desta vez sem o fator chuva. Dessa forma, é possível fazer uma comparação.

Avaliação do teste da pessoa na chuva

Como acontece com a maioria dos testes projetivos, é comum pensarmos que esses testes têm uma interpretação subjetiva. Porém, esses instrumentos foram revisados ​​ao longo das décadas e já possuem alguns pontos específicos no momento da sua avaliação. Também é fundamental levar em consideração o comportamento da própria pessoa durante a realização do desenho (se entendeu a instrução, se tem dúvidas, se fica nervoso, faz brincadeiras, pede outro papel, etc.).

  • O tamanho é analisado. Há quem desenhe figuras pequeninas sob um céu cheio de grandes nuvens, algo que evidencia ansiedade, timidez, insegurança…
  • As linhas também. Se há muitas linhas retas de traços fortes (presença de ansiedade), se há muitos ângulos, picos, etc., que revelariam uma certa agressividade.
  • Da mesma forma, o profissional analisa a sequência em que o desenho foi realizado para ver se há algum planejamento nele. O guarda-chuva foi desenhado antes da chuva? Ou a chuva foi desenhada primeiro, sem decidir como a figura é protegida desse fator perturbador?
  • É analisado o movimento da figura e a carga emocional que o próprio desenho desperta em conjunto com cada elemento. Há quem desenhe, por exemplo, um homenzinho num canto da página, sem recursos e sob a chuva inclemente e trovões.
Teste da pessoa na chuva

Para terminar, este teste fornece informações interessantes, desde que seja utilizado em conjunto com outros testes diagnósticos que reforcem ​​o sentido do diagnóstico intuído, além de entrevistas pessoais. No campo da psicologia infantil, o uso de desenhos é sempre um recurso simples e um motivador para a criança se expressar.

Esses instrumentos, assim como o teste de Rorschach, requerem um treinamento adequado para poder aproveitá-los ao máximo. São, sem dúvida, recursos interessantes que vale a pena levar em consideração em determinados momentos.

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  • Lichtenberg, E. F. (2014). Draw-A-Person-in-the Rain Test. In L. Handler & A. D. Thomas (Eds.), Drawings in assessment and psychotherapy: Research and application (pp. 164-183). New York, NY, US: Routledge/Taylor & Francis Group.