Tripanofobia ou medo de agulhas

24 Outubro, 2020
Você conhece a tripanofobia ou o medo de agulhas? Neste artigo, falamos sobre seus sintomas e causas mais frequentes, além dos tratamentos mais usados ​​para combatê-la.

A tripanofobia ou o medo de agulhas é uma fobia muito comum que também recebe outros nomes, como belonefobia. Na verdade, alguns autores são mais específicos, chamando de belonefobia o medo de agulhas, e tripanofobia o medo de injeções. Neste artigo, vamos usar o conceito de tripanofobia para nos referirmos à fobia de agulhas e injeções.

Em que consiste esse medo? Quais são seus sintomas e suas possíveis causas? Além de responder a essas perguntas, vamos falar sobre as duas terapias psicológicas mais eficazes no tratamento de fobias específicas como essa.

A tripanofobia ou o medo de agulhas

Tripanofobia ou o medo de agulhas

A tripanofobia é um tipo específico de fobia (um transtorno de ansiedade). Caracteriza-se, principalmente, por envolver um medo excessivo, intenso e irracional de agulhas e injeções.

Embora seja verdade que as agulhas podem causar danos se usadas indevidamente, a realidade é que nessa fobia (como em todas as fobias específicas), o medo é desproporcional.

As pessoas que têm tripanofobia não conseguem tirar ou doar sangue, fazer tatuagem e receber vacinas. Se conseguem, o fazem com muita ansiedade.

Como você pode ver, um dos sintomas das fobias é que elas interferem de alguma forma na vida diária da pessoa. Além disso, o medo de agulhas também produz um grande desconforto para a pessoa que a sofre.

De onde vem esse estímulo fóbico?

O estímulo fóbico, em toda fobia específica, é aquele que causa ansiedade ou medo intenso. No caso da tripanofobia, o objeto que causa medo são as agulhas, mas também as seringas ou a possibilidade de receber uma vacina. Além disso, é importante destacar que, em alguns casos, o indivíduo tem medo de elementos relacionados a agulhas ou seringas, como cheiro de hospital, macas e materiais cirúrgicos, entre outros.

Sintomas

De acordo com os critérios do DSM-5 (2014) (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), os sintomas da tripanofobia são os seguintes:

  • Medo intenso de agulhas ou injeções.
  • Evitação de situações em que esses objetos aparecem (ou resistência com grande desconforto).
  • Desconforto ou interferência clinicamente significativa na vida diária.

Podemos ainda especificar os sintomas dessa fobia agrupando-os em três categorias:

  • Físicos: sensação de falta de ar, náusea, vômito, tontura e dor de estômago, entre outros.
  • Cognitivospensamentos catastróficos e irracionais associados a agulhas, pensamentos de morte, e confusão, entre outros.
  • Comportamentais: evitação do estímulo temido (já mencionado acima).

Quando os sintomas aparecem? Basicamente, quando a pessoa pensa, visualiza ou toca em agulhas. Também pode ocorrer quando ela vai ao médico ou ao dentista. Em suma, os sintomas surgem sempre que a pessoa passa por uma situação relacionada a agulhas.

Dependendo da intensidade da fobia, os sintomas podem ou não aparecer em certas situações. Por exemplo, para algumas pessoas é mais do que suficiente pensar em agulhas para que os sintomas apareçam. Por outro lado, outras pessoas precisam estar em contato real com a agulha para que isso aconteça.

Causas da tripanofobia

Existem diferentes causas que podem explicar a tripanofobia ou o medo de agulhas. Uma das causas mais comuns é uma experiência traumática relacionada a agulhas, como se machucar ao tirar sangue, por exemplo.

Inclusive, é possível explicar isso usando a aprendizagem associativa (condicionamento clássico), onde a mente acaba associando um estímulo a uma resposta negativa. Uma das figuras-chave nesse tipo de aprendizagem foi o psicólogo americano John Watson. Na década de 1920, ele fez um menino chamado Albert ter fobia de ratos brancos.

No entanto, como toda fobia, a tripanofobia também pode ser adquirida por condicionamento vicário. Por exemplo, ter um parente que sofre de tripanofobia e ver o quanto isso o afeta. Finalmente, alguns autores afirmam que os seres humanos são biologicamente “programados” (ou predispostos) a desenvolver certos tipos de fobias, especialmente aquelas que permitiram que nossos ancestrais sobrevivessem.

De acordo com essas teorias, desenvolvemos certas fobias para manifestar a resposta de luta ou fuga, o que nos salvaria como espécie. Inclusive, os medos estão latentes em áreas muito primitivas do cérebro.

Tratamento da tripanofobia

De acordo com a psicologia clínica, o Guia de Tratamentos Psicológicos Eficazes de Pérez et al. (2010) e segundo Caballo (2002), os dois tratamentos por excelência (os mais eficazes) para tratar fobias específicas são:

Terapia de exposição

Nesse tipo de tratamento, o terapeuta expõe o paciente ao estímulo fóbico de forma progressiva.

No caso do medo de agulhas, a pessoa seria exposta ao objeto fóbico em questão primeiro de forma a pensar em agulhas, depois a visualizar imagens e vídeos, e assim por diante, para que ela possa se aproximar delas, tocá-las e até receber uma injeção, por exemplo. O objetivo final é que a pessoa enfrente a situação sem ansiedade.

Terapia cognitiva

A terapia cognitiva, mais especificamente a reestruturação cognitiva, tem como intenção modificar os pensamentos irracionais e catastróficos que o paciente apresenta em relação à sua fobia. No caso do medo de agulhas, esses pensamentos podem ser, por exemplo, “Não vou aguentar a dor da agulha” ou “vai me machucar”. Trata-se de substituir esses pensamentos por outros mais realistas e funcionais.

Tratamento do medo de agulhas

O medo de agulhas e outros medos relacionados

O medo de agulhas está frequentemente associado a outras fobias, como a hematofobia (medo de sangue) ou aicmofobia (medo de objetos pontiagudos). Em outras palavras, se você sofre de tripanofobia, é provável que esses outros medos também apareçam, pois a associação ou generalização é muito simples.

No caso da hematofobia ou da aicmofobia, os tratamentos psicológicos utilizados serão os mesmos da tripanofobia, mas adaptados a essa fobia específica.

Por outro lado, embora a terapia cognitiva e a terapia de exposição tenham provado ser as terapias mais eficazes nesses tipos de transtornos, existem outras alternativas que também podem ajudar a combater as fobias, como a psicoeducação, o mindfulness e a terapia cognitivo-comportamental, entre outros.

Lembre-se de que, se você sentir que a sua fobia está interferindo em seu dia a dia, a melhor opção é buscar um profissional especializado no assunto (de preferência, um psicólogo clínico).

“Nada na vida deve ser temido, somente compreendido”.
-Marie Curie-

  • American Psychiatric Association –APA- (2014). DSM-5. Manual diagnóstico y estadístico de los trastornos mentales. Madrid: Panamericana.
  • Caballo (2002). Manual para el tratamiento cognitivo-conductual de los trastornos psicológicos. Vol. 1 y 2. Madrid. Siglo XXI (Capítulos 1-8, 16-18).
  • Pérez, M., Fernández, J.R., Fernández, C. y Amigo, I. (2010). Guía de tratamientos psicológicos eficaces I y II:. Madrid: Pirámide.