Vício em corrida: quando a distância nunca é suficiente

O vício em corrida: quando a distância nunca é suficiente

Maio 1, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
Vício em corrida: quando a distância nunca é o suficiente

Quando começamos a fazer exercícios, é comum precisarmos de algum tempo e esforço até ficarmos acostumados. Precisamos de uma grande dose de autocontrole e muita força de vontade para que o esporte vire efetivamente parte da nossa rotina. Agora, uma vez que o hábito é instalado, é possível que este se torne uma atividade absolutamente indispensável em nossas vidas sem nem nos darmos conta.

Fazer esportes nos traz muitos benefícios, desde uma forma física melhor, uma aparência mais saudável, até o aumento de nossas emoções positivas. Mas isso pode chegar a um ponto que se torne prejudicial? Claro que sim. Se o esporte passa a ser o centro de nossas vidas, pode se tornar uma obsessão por causa das boas sensações que ele traz. A prática e suas sensações nunca serão o suficiente, e sempre ficaremos querendo mais. Um dos exemplos disso é o vício em corrida.

“Colocar quilômetros no seu treinamento diário é como investir dinheiro no banco. Você nunca estará satisfeito com o lucro.”
-Hal Higdon-

Os benefícios de correr

Praticar esportes contribui para um estado de saúde mais saudável. Por um lado, nos ajuda a prevenir problemas cardiovasculares e outras doenças crônicas, assim como a reduzir o risco de sofrer uma morte prematura. Por outro, melhora nosso estado de ânimo e fomenta as emoções positivas. Além disso, também influencia a qualidade do sono. Quais são os benefícios particulares da corrida?

“Correr é como um antidepressivo ideal, já que é difícil correr e sentir pena de si mesmo ao mesmo tempo.”
-Monte Davis-

Pessoa correndo na rua

A euforia que o corredor sente – também conhecida como runner’s high – é um fenômeno bastante estudado. Trata-se de uma recompensa neurobiológica que surge quando corremos longas distâncias. Suas consequências são bem definidas: melhora o estado de ânimo, produz uma sensação de bem-estar e causa uma diminuição de sensações de dor.

Por que desenvolvemos o vício em corrida?

O que deve acontecer para que a corrida se torne um comportamento viciante e, portanto, prejudicial se antes era benéfico? A realidade é que correr envolve uma série de fatores fisiológicos, psicológicos e socioculturais que contribuem para que isso possa acontecer.

A nível fisiológico, quando corremos o nosso sistema opióide endógeno do cérebro é ativado. Substâncias opióides que são geradas pelo organismo atuam nesse sistema, e contribuem para um efeito analgésico e de aumento do bem-estar emocional.

“Todo mundo que já correu sabe que o maior valor da corrida é que elimina tensões e permite se libertar de qualquer coisa preocupante que o dia tenha trazido”.
-Jimmy Carter-

A nível psicológico, os fatores que influenciam esse processo têm seu ponto de partida justamente nessa melhora do estado de ânimo que comentamos. Praticar a corrida de forma regular implica um aumento da autoestima, da autoconfiança, e o fortalecimento de relações sociais.

Por último, os fatores socioculturais ligados à busca de uma imagem corporal de acordo com os padrões atuais, o que pode ser alcançado mediante essa prática esportiva de alto gasto calórico, também têm seu papel. O perigo se encontra no fato de que correr pode se tornar a ferramenta principal para alcançar um grande número de benefícios pessoais.

Quando o vício em corrida aparece?

É óbvio que o hábito de correr, por si só, não tem motivo para ser ruim. Na verdade, se a pessoa conseguir manter uma prática regular e equilibrada, ela só colherá benefícios e consequências positivas da corrida, sem que prejudique seu dia a dia.

O vício em corrida acontece quando a linha de praticar esportes por lazer é ultrapassada e se torna uma obrigação, uma obsessão, que rege a rotina como principal elemento norteador. Dessa forma, perdemos nossa capacidade de controle sobre o comportamento e aumentamos as possibilidades de sofrer lesões e mal-estar.

Homem correndo em parque

Mas não é só isso, quando estamos diante de um vício, nosso comportamento é alterado pelo fato de querer realizar o exercício. Dessa forma, acabamos nos tornando mais ansiosos e irracionais, e o resto das coisas de nossa vida ficam em um segundo plano. Nossa vida social, familiar e o trabalho acabam prejudicados porque nossa meta principal é correr, sem nos importarmos se deixamos de lado outras coisas que antes eram importantes para nós.

Imagens cortesia de Seth Macey, Steven Lelham e Emma Simpson.

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