Walter Charles Langer, o psicanalista que analisou Adolf Hitler

Walter Charles Langer foi o psicanalista encarregado de traçar o perfil psicológico de Adolf Hitler. O trabalho desse psicólogo da Universidade de Harvard foi fundamental para prever certos acontecimentos do Führer que, mais tarde, acabaram se cumprindo.
Walter Charles Langer, o psicanalista que analisou Adolf Hitler

Última atualização: 24 Julho, 2021

Walter Charles Langer era um psicanalista da Universidade de Harvard a quem foi atribuída uma tarefa muito particular pelo Escritório de Serviços Estratégicos dos Estados Unidos em 1943: ele deveria preparar uma análise psicológica sobre Adolf Hitler. Esse trabalho revelaria aspectos profundos sobre a psicologia do Führer, antecipando também alguns eventos que seriam cumpridos posteriormente.

Esse fato é bem conhecido no mundo da psicologia. Além disso, o próprio Langer decidiu completar esse relatório da década de 1940 com um livro intitulado “A mente de Adolf Hitler: um relatório secreto sobre a guerra”, que seria publicado em 1972. Mais tarde, escreveria outras obras como “Uma análise psicológica de Adolf Hitler” e “Dissecação da mente de Hitler”.

Todos esses livros e os relatos detalhados que Walter Charles Langer nos deu ao longo de quase três décadas lançaram as bases para a criação de uma nova disciplina científica: a do desenvolvimento de perfis psicológicos dos políticos modernos. O horror associado à ideologia do líder nazista incentivou a necessidade de continuar trabalhando nesta área para evitar cenários semelhantes no futuro.

Agora, algo interessante deve ser observado. Antes que os serviços de inteligência pedissem a Langer para produzir a famosa análise psicológica, analistas britânicos e americanos já haviam feito outros relatórios. No entanto, o trabalho que esse psicanalista freudiano elaborou para eles foi muito mais completo e, acima de tudo, útil.

O trabalho do Dr. Walter Charles Langer não se limitou apenas a descrever um perfil de personalidade. Ele tentou prever como um homem com os traços psicológicos de Hitler poderia reagir em certas circunstâncias, especialmente aquelas em que os eventos poderiam estar contra ele. Essas ‘previsões’ se revelaram muito precisas.

“O trabalho de Langer é importante não apenas por seu valor para qualquer historiador, mas também porque foi a primeira vez que um psicanalista trabalhou para os serviços de inteligência”.
– Martin Waugh –

Walter Charles Langer, o psicanalista que ajudou Freud durante o exílio

A primeira pergunta que pode vir à mente é: por que ele? Por que o Escritório de Serviços Estratégicos dos Estados Unidos escolheu o Dr. Walter Charles Langer para traçar o perfil psicológico de Adolf Hitler? A explicação está na personalidade marcante e comprometida daquele jovem psicanalista filho de imigrantes alemães que era tão proeminente na Universidade de Harvard na época.

Apesar de suas raízes humildes, Langer conseguiu entrar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) ainda jovem. Mais tarde, ele serviu no exército para lutar na Primeira Guerra Mundial. Depois dessa experiência, escolheu qual seria o seu caminho definitivo: estudar psicologia em Harvard.

Obtido o diploma, resolveu se formar como psicanalista. Para isso, ele não hesitou em se mudar para a Europa, especificamente para Viena, onde teve o próprio Sigmund Freud como mentor.

Esses anos foram tão intensos quanto decisivos na sua carreira e, sobretudo, na sua vida pessoal. Ele testemunhou a ascensão do nazismo, daquele ambiente de violência e irracionalidade. Foi ele também quem ajudou Freud a ir para o exílio em 1938, junto com um grande grupo de cientistas e ativistas judeus que se opunham ao nazismo.

Sigmund Freud

O homem que traçou o perfil psicológico de Adolf Hitler

Walter Charles Langer ajudou muitos psicanalistas, cientistas e intelectuais judeus por vários anos. Ele lhes facilitava a obtenção de vistos e organizava pequenos grupos para que pudessem chegar como refugiados à fronteira com a Suíça. Ele também viu em primeira mão o que o exército alemão estava fazendo com uma grande parte dos civis.

Ele não queria ficar impassível. Langer era um cientista, uma das mentes mais brilhantes da Universidade de Harvard, mas o que via regularmente na Alemanha o encorajou a querer colaborar com o Escritório de Serviços Estratégicos dos Estados Unidos. Assim, quando Wild Bill Donovan, o diretor deste órgão, lhe propôs a criação do perfil psicológico de Hitler, ele aceitou o desafio ciente das limitações, mas sendo muito claro a respeito de como iria coletar as informações.

Como Walter Charles Langer traçou o perfil de Hitler?

Como podemos imaginar, Walter Charles Langer não poderia analisar pessoalmente Adolf Hitler. Para isso, passou vários meses analisando as suas aparições públicas, os seus discursos, filmes, livros, artigos de jornais, revistas, bem como entrevistas pessoais com um grande número de pessoas que tiveram contato com o líder alemão.

Entre as figuras mais proeminentes que ele entrevistou, estavam as seguintes:

  • William Patrick Hitler, sobrinho de Hitler.
  • Seu médico de família.
  • Eduard Bloch.
  • Ernst Hanfstaengl.
  • Hermann Rauschning.
  • Princesa Stephanie von Hohenlohe.
  • Otto Strasser.
  • Friedlinde Wagner.
  • Kurt Ludecke.

Langer sabia muito bem como discriminar informações úteis de informações não confiáveis. Ele era muito habilidoso, observador, meticuloso, e um ótimo analista de personalidade.

Textos antigos

O que dizia o relatório psicológico sobre Adolf Hitler?

O relatório de Langer tinha mais de 1.000 páginas. Deve-se destacar que contou com a ajuda de outro psicólogo da Universidade de Harvard, Dr. Henry Murray, e também de seu próprio irmão, William Langer, historiador e chefe de pesquisa e análises nos serviços estratégicos dos Estados Unidos.

O que este trabalho dizia? Quais foram os principais pontos que ele destacou sobre a personalidade de Adolf Hitler? Essas foram as ideias mais básicas.

Conclusões do relatório

  • Hitler, segundo Walter Charles Langer, era um psicopata neurótico, alguém à beira da esquizofrenia.
  • Ele gostava de pornografia, sexo masoquista com tendências violentas.
  • Hitler teve relações homossexuais.
  • Ele era hipersensível e sofria de ataques de pânico.
  • Era um homem extremamente ciumento, tinha fantasias de onipotência e delírios de grandeza.
  • Ele também tinha a firme convicção de que estava neste mundo para cumprir um fim messiânico.
  • O que mais se destaca no líder alemão é que ele controlava muito bem as suas tendências patológicas. Além disso, canalizava os seus delírios para despertar na população sentimentos nacionalistas e um ódio firme contra os judeus.
  • Por outro lado, algo que Walter Charles Langer sugeriu é que a personalidade de Hitler se deterioraria com o tempo. Algo assim faria com que uma parte de seu exército tomasse consciência do seu estado mental e acreditasse que a melhor opção seria eliminá-lo (algo que seria evidenciado mais tarde na fracassada Operação Valquíria).
  • Langer concluiu que, se as coisas ocorressem de forma contrária a Hitler, conhecendo os seus traços de personalidade, a opção mais plausível é de que o líder alemão optasse por tirar a própria vida.

Como bem sabemos (embora existam aqueles que defendem outras ideias), Adolf Hitler se matou com um tiro em seu bunker de Berlim em abril de 1945, quando as forças soviéticas de Stalin tomaram a cidade. Langer estava certo e seu relatório foi de grande utilidade para os serviços secretos.

O trabalho desse psicanalista permaneceu em rigoroso segredo por três décadas, até que na década de 70 foi publicado o livro A Mente de Adolf Hitler, no qual esses pontos foram destacados. Uma leitura interessante para entender, a partir de outro ponto de vista, uma das partes mais sombrias da nossa história.

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