Wu wei, a arte da não ação

· março 22, 2018

Wu wei é um conceito do taoísmo que se traduz em “não ação”. Trata-se de um princípio no qual se indica que a melhor maneira de enfrentar uma situação, especialmente se for conflituosa, é não agir. E mais do que não agir, não forçar nenhuma solução, e sim deixar que flua.

Para a maioria das pessoas parece estranho que exista uma filosofia nos convidando à não ação. Vivemos em uma sociedade que constantemente nos induz ao contrário. Na verdade, vivemos saturados de atividades, sensações e pensamentos. Quando não estamos fazendo nada, nos sentimos estranhos. Chegamos a pensar que isso é simplesmente uma perda de tempo.

“Do vazio do sábio surge a quietude. Da quietude, a ação. Da ação, o sucesso”.
– Chuang Tzu –

Tao Te Ching foi escrito há 25 séculos pelo filósofo Lao Tse. Este filósofo pensava que a melhor maneira de viver era nos sincronizando com o fluir da natureza e do cosmos. Esta é a principal inspiração do Wu wei: deixar que as coisas tomem seu curso natural e se adaptar a ele.

Os valores e virtudes no Wu wei

Wu wei propõe uma vida simples porque é a que mais se traduz em paz e harmonia. Essa simplicidade implica não se apegar muito às ambições e desejos, já que são as principais fontes de intranquilidade e sofrimento, mais do que realização.

Folha simbolizando o equilíbrio

A simplicidade também ajuda a viver de uma forma mais serena. Quando estamos focados em ter grandes sucessos e satisfações, isso se torna impossível. Trata-se então de valorizar o que somos e o que temos, ao invés de nos lamentarmos pelo o que não somos ou não possuímos.

Da mesma forma, Wu wei apresenta que a simplicidade nos ajuda a aceitar as coisas assim como são, a não resistir ao curso dos acontecimentos e a não pretender tomar o controle sobre eles. São valores e atitudes que entram em contradição com a mentalidade ocidental, mas que permitem cultivar um maior equilíbrio emocional.

O Wu wei e os excessos

Wu wei também nos chama a atenção para o fato de que a principal fonte de problemas são os excessos. Diferentemente do que muitos pensam, não são as carências, e sim os excessos que nos levam a sentir um maior mal-estar. Por esse sentido, os elementos práticos que o Wu wei nos propõe se concentram em quatro pontos principais:

  • Aceitar o fato de que os problemas são uma criação de nós mesmos. Os problemas não surgem do nada, são criados por nossas ações e por nossa mente.
  • Não fazer esforços mentais para resolver os problemas. Não representá-los na mente, nem criar soluções para eles. A ideia é deixar que se diluam sozinhos e não alimentá-los.
  • Aprender a apreciar o fluxo natural das coisas. Isso é, adotar uma atitude de observação frente aos acontecimentos, sem pensar que devemos intervir.
  • Deixar que a mente flua. Não tentar dar uma direção ou um foco específico. Simplesmente permitir que tudo siga seu próprio curso, especialmente quando estamos na calma.
Homem observando paisagem de nuvens

Esperar e observar

Um dos eixos do Wu wei é o de aprender a esperar e observar. Parte da ideia de que a energia deve ser conservada para aqueles momentos nos quais a ação seja inegável. Quem observa e aguarda o momento propício saberá agir com grande sabedoria. Também com enorme vitalidade, já que não desperdiçou a energia em ações irrelevantes.

Parte também da ideia de que quem sabe observar e esperar resolverá qualquer situação com grande facilidade, contanto que se esforce. Isso não significa negligência ou passividade, e sim sincronização com o fluxo natural da realidade. Temos que ressaltar que nada permanece imutável, pelo contrário. O que existe está mudando constantemente, com ou sem nossas ações individuais.

Trata-se então de não resistir a esse transcorrer da realidade. Boa parte de nossas ações estão destinadas a nos fazer resistir. Isso gera uma força negativa que chega a ser prejudicial. Ao invés de ajudar a nos autopreservar, nos convida a nos machucarmos nessa luta. O que devemos buscar é permitir que tudo ocorra de forma natural, sem oposição.