Zonas azuis: locais onde as pessoas vivem mais tempo e são mais felizes

abril 25, 2019
Existem certas rotinas e formas de vida que os habitantes destes lugares compartilham, apesar destas zonas estarem a centenas de quilômetros de distância umas das outras. 

Nos últimos anos foram identificados cinco lugares no mundo onde as pessoas vivem mais do que a média e, além disso, parece ser mais felizes. Estes lugares são chamados de zonas azuis.

A análise feita sobre os motivos pelos quais a longevidade é maior nestes lugares contém dados que, além de serem fascinantes, dão muitas dicas para aplicar na vida diária e conseguir, assim, uma melhor qualidade de vida.

Existem certas rotinas e formas de vida que os habitantes destes lugares compartilham, apesar destas zonas estarem a centenas de quilômetros de distância umas das outras. Este é um dado que nos faz pensar que é a forma como estas pessoas vivem e estão no mundo que influencia sua felicidade e saúde, e não a localização geográfica.

Vejamos, então, quais são os fatores que estas comunidades compartilham.

As zonas azuis e Dan Buettner

O pesquisador norte-americano e membro do National Geographic Dan Buettner realizou uma exaustiva pesquisa, com base em um estudo demográfico, que apresentava a região de Barbaglia, na Sardenha italiana, como o lugar cujos habitantes têm a maior longevidade.

Reuniu uma equipe de pesquisa que incluía médicos, nutricionistas, epidemiólogos, antropólogos e demógrafos. Em sua busca, Buettner e sua equipe descobriram quatro outros lugares com as mesmas características e que, além disso, não coincidiam apenas em dados estatísticos, mas também faziam parte das formas de viver.

Dessa maneira, o mapa de zonas azuis é composto por:

  • Barbaglia, que possui a maior concentração de pessoas centenárias do mundo;
  • Seguida pela península de Nicoya, o segundo lugar com mais centenários a nível mundial;
  • No Japão, a ilha de Okinawa concentra a população mais idosa de mulheres do nosso planeta;
  • Outra ilha, Icária, situada no mar Egeu, tem a população longeva com níveis mais baixos de demência senil.
  • Por último, descobriram Loma Linda, na costa oeste dos Estados Unidos. Uma comunidade cuja expectativa de vida supera em 10 anos a média no país.

Isla Icaria

O que as zonas azuis têm em comum?

Apesar de pertencerem a localizações geográficas, climas e culturas completamente diferentes, os habitantes das zonas azuis compartilham dados demográficos surpreendentes. Esta informação descarta que estas coincidências sejam decorrentes do clima ou de um tipo de cultura determinada.

Acredita-se que os segredos encontrados nestas comunidades estão baseados em, pelo menos, cinco fatores que parecem propiciar a espetacular longevidade e qualidade de vida de seus habitantes. Estes fatores estão relacionados com a dieta, o exercício e o propósito de vida. Também têm a ver com os recursos de enfrentamento de estresse e as relações sociais.

A dieta e o exercício

Os habitantes das zonas azuis consomem muitos produtos de origem vegetal e peixes, em vez de carne vermelha. Em algumas dela, o azeite de oliva e o vinho tinto também são consumidos regularmente. Além disso, as pessoas têm o costume de comer devagar e não encher o estômago por completo.

Isso, em Okinawa, é conhecido como hara hachi bu, o segredo que estende a vida: comer menos significa viver mais. Estudos realizados sobre esta prática demonstraram que ela reduz as enfermidades coronárias e os diagnósticos de câncer. O hara hachi bu é uma prática com origem no pensador Confúcio, que aconselhava um regime calórico autoimposto: comer somente até estar 80% cheio.

Outro hábito que as pessoas que habitam as zonas azuis têm em comum é que elas não são sedentárias. Elas não se exercitam em academias ou centros esportivos, mas suas rotinas incluem longas caminhadas e passeios de bicicleta. Também trabalham no campo ou em hortas, introduzindo atividades físicas de forma natural em suas vidas.

Península Nicoya
Península Nicoya

O propósito de vida

Um dos fatores fundamentais que estas pessoas parecem compartilhar é que têm um motivo para se levantar todos os dias felizes porque têm algo para fazer.

Em Okinawa também existe um nome para isso: o Ikigai, ou ter um propósito na vida e não perdê-lo com a idade. Este conceito não está ligado, de forma alguma, a propósitos profissionais ou econômicos, e sim com a vontade de fazer algo que te faça realmente feliz.

Enfrentamento de estresse e relações sociais

Outro aspecto que parece influenciar a qualidade e duração da vida é se sentir útil e desenvolver vínculos sociais que não se limitem exclusivamente à família. Estas pessoas cuidam de seus amigos e evitam manter relações nocivas. Participam de forma ativa em círculos sociais e trabalham pelo bem da comunidade. Definitivamente, compartilham tempo de qualidade com outras pessoas.

Foram realizadas pesquisas focadas nas pessoas que vivem nas zonas azuis e seus recursos de enfrentamento de estresse. Elas praticamente não têm estresse. Estas comunidades cuidam especialmente de aspectos como o descanso e a qualidade de suas horas de sono. Muitos deles praticam meditação ou técnicas de relaxamento muito antigas e têm profundas crenças espirituais.